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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Apocalipse 11:1

Texto: "Deram-me um caniço semelhante a uma vara de medir, e me foi dito: "Vá e meça o templo de Deus e o altar, e conte os adoradores que lá estiverem" (Ap 11:1, NVI).

Um caniço “foi dado” para João. A voz passiva sem qualquer ponto de referência é bem comum no livro do Apocalipse (Ap 6:2, 4, 8, 11; 8:3; 9:1, 3, 5, etc.). Na maioria dos casos isto é o que poderia ser chamado de "passivos divinos”. Os judeus do primeiro século preferiam não usar os nomes de Deus, mas ao invés disso falar dEle com rodeios, como a voz passiva aqui. Outras maneiras de evitar a palavra “Deus” eram dizer “céu” (“os céus nos ajudem”), o Nome, Senhor. Como um bom judeu, Jesus usou muitas dessas mesmas expressões (reino dos céus, “Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados [por quem? Deus] filhos de Deus).

A João é dado um caniço como uma vara de medir e lhe é dito que medisse o templo de Deus. Há uma descrição similar em Apocalipse 21:15, onde é dito a João que medisse a Nova Jerusalém.  Mas também há algumas diferenças entre os dois relatos. Nesta passagem ele recebe um caniço como uma vara de medir e em Apocalipse 21, a vara é feita de ouro. Outra diferença, claro, é que a medição é do templo em uma cena e de uma cidade na outra. Mas a cidade é na verdade como um templo porque é lugar onde Deus habita, ela tem o formato do lugar santíssimo e mostra seu esplendor (Ap 21:11, 15, 16).

Esta cena relembra a visão de Ezequiel de um templo restaurado (Ez 40-48). Ali a medição do templo mostrou o compromisso de Deus com o povo em permanecer como seu Deus apesar de sua apostasia. Ele continuara a ser seu Deus e eles continuarão sendo Seu povo (cf. Zc 2:1-5). O templo é medido para ser restaurado (Ez 43:7-9). O problema que fez como que o templo de Salomão fosse destruído era ter lugares de adoração aos ídolos imediatamente adjacentes ao templo. Esta era a pior forma de sincretismo, misto de adoração a Deus e aos ídolos. Em Ezequiel 43:7-9 Deus prometeu a Israel que se eles deixassem de lado sua adoração mista, Deus reconstruiria o templo e habitaria nele para sempre. A visão de Ezequiel para medir o templo foi no Dia da Expiação (Ez 40:1). No Dia da Expiação o santuário era purificado dos pecados que tinham se acumulado ao longo do ano. Este foi o dia quando Deus veio a Ezequiel para prometer uma restauração do templo em Jerusalém.
Alguns eruditos sugerem que a medição do templo implica numa alusão ao Dia da Expiação. Já notamos o paralelo com Ezequiel 40:1. Mas há também uma alusão a Levíticos 16, o grande texto do Dia da Expiação. Em apenas dois lugares na Bíblia combinam-se o altar do santuário e o povo: Levíticos 16:33 e Apocalipse 11:1-2. Assim, o Dia da Expiação é trazido à tona aqui com suas implicações de julgamento.

Isso destaca o significado de “medir” na Bíblia para este verso. Em 2 Samuel 8:2 Davi fez com que os moabitas derrotados deitassem no chão e os mediu com uma cordel para decidir quem viveria e quem morreria. O conceito de recompensar o bom e o mal é bem disseminado tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Os ditos e parábolas de Jesus descrevem um julgamento no fim dos tempos para avaliar quem serve e quem não serve a Deus (Mt 7:2; Mc 4:24): o trigo e o joio, as ovelhas e os bodes, os peixes bons e ruins, as virgens sábias e as virgens tolas. A combinação da imagética do Dia da Expiação e da “medição” antecipa o julgamento que ocorrerá exatamente antes do fim. Deve-se admitir, contudo, que o pacote de alusões neste parágrafo é possível, mas não certo.

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

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