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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Apocalipse 10:11


Texto bíblico: “Então me foi dito: ‘É preciso que você profetize de novo acerca de muitos povos, nações, línguas e reis’ (Ap 10:11, NVI).

O verso 11 segue imediatamente à amargura do verso 10. O “profetize de novo” é de alguma maneira uma fonte de amargura para João. O verso 11 explica os versos 9 e 10.

A linguagem de muitos povos e nações e línguas e reis relembra listas similares no livro de Daniel (Dn 3:4, 7, 29; 4:1; 5:19; 6:25; 7:14). Há linguagem similar em Apocalipse 5:9, onde o cântico é cantado pelos anciãos e pelos quarto seres viventes declara que o Cordeiro resgatou todos os grupos de pessoas da terra. A lista paralela em Apocalipse 14:6 sugere que este verso antecipa a proclamação final do evangelho que encontramos aqui. Também antecipa a resposta do remanescente em Apocalipse 11:13, como veremos.

O “profetize de novo” antecipa o capítulo 11, onde há múltiplas referências aos profetas e a profetizar (Ap 11:3, 6, 10). Isso faz de Apocalipse 10:11 um texto bidirecional que forma o clímax da narrativa de Apocalipse 10:8-11 enquanto define o cenário para a narrativa de Apocalipse 11:1-13. O “profetize de novo” especificamente refere-se ao testemunho das duas testemunhas no capítulo 11 (versos 3, 6, 10).

A palavra traduzida por “acerca” ou “contra” é a palavra grega epi – “sobre, acerca, contra”. Mas Apocalipse frequentemente usa a língua grega com significados e sintaxe hebraica em mente. Enquanto a língua grega tem dúzias de preposições, o hebraico tem apenas três e elas precisam fazer todo o trabalho para todos os usos possíveis. A palavra grega epi aqui poderia ser equivalente às preposições hebraicas le ou lamed. Enquanto isso possa significar aquilo que epi representa, é mais frequentemente traduzido simplesmente por “para”. Assim o verso 11 provavelmente não indica que João deveria profetizar “acerca” de muitos povos, nações, línguas e reis, mas “para” eles. Este texto é paralelo a Mateus 24:14, onde o evangelho do reino deve ser pregado “em” (a palavra grega en ao invés de epi) todo o mundo. Como Apocalipse 10:7, esta é uma proclamação mundial do evangelho.

O “de novo” implica uma demora, tanto quanto havia uma em Apocalipse 10:7. João tinha razão de pensar que seu ministério estaria complete com a visão do Apocalipse. Mas ele fica desapontado, como ilustrado pelo impacto que comer o rolo teve sobre ele. No tempo do fim, o livro de João teria de profetizar novamente através do remanescente do tempo do fim. E este desapontamento imediato também previu outro desapontamento no fim das profecias de Daniel. Haveria um grupo de pessoas naquele tempo que pensaram que o fim viria, mas não veio. Não é no fim das profecias de tempo de Daniel, mas no tempo da sétima trombeta que o mistério de Deus será completamente terminado.

João tinha toda a razão de espera que a visão escrita de Apocalipse ajudaria a precipitar os eventos do Fim (Ap 1:3; 22:10). Mas neste verso ele é notificado de que a escritura permaneceria e faria seu trabalho mais necessário em algum tempo no futuro. Esta notícia é similar àquela que aparece no fim de Daniel (Dn 12:13). A amargura do estômago (Ap 10:9-10) pode refletir o desapontamento de João de que seu livro não traria o fim, pelo menos não imediatamente.

Há uma possível alusão a Jeremias 1:10, onde Jeremias recebe um chamado para o ofício profético e lhe é dito que seu ministério profético o colocaria sobre nações e reinos tanto para destruir quanto para construir. Uma vez que o domínio de Deus será universal no fim, uma proclamação global deve primeiro ocorrer (cf. Ap 14:7).

O conteúdo do “profetize de novo” é encontrado em Apocalipse 11:1-13. O capítulo 11 ainda é parte da sexta trombeta, o que inclui o tempo de ajuntamento para a batalha do Armagedom. Isso incluirá a proclamação final do evangelho (Mt 24:14; Ap 11:11-13; 14:7) e também a amargura da rejeição que muitos experimentarão ao proclamá-lo. Este evangelho do tempo do fim incluirá um reavivamento no estudo de Daniel (Ap 10:5-7), ênfase no Apocalipse (Ap 10:11), e uma mensagem sobre a restauração do templo celestial (Ap 11:1-2) e o juízo final (Ap 11:12-13). Depois do fim das profecias de tempo de Daniel (mencionado em Ap 11:2-3) as duas testemunhas são mortas, ressuscitadas depois de três dias e meio e ascendem ao céu, de acordo com a ressurreição e ascensão de Cristo (Ap 11:3-13). O destino destas duas testemunhas mártires parece ilustrar a amargura de comer o rolo. O próprio rolo são boas novas mas traz tempos ruins.

Fortes paralelos entre Apocalipse 11 e Apocalipse 13 e 14 (veja as especificidades destes paralelos no material sobre as duas testemunhas em Apocalipse 11:3-6) sugerem que Apocalipse 13 e 14 elaboram sobre os eventos do capítulo 11. Ali também há uma proclamação final do evangelho (Ap 14:1-12) juntamente com a perseguição do povo de Deus através do curso da história cristã (Ap 13:5-7, 15-18). Assim o “profetize de novo” de João está elaborado não apenas no capítulo 11, mas na segunda metade do Apocalipse. Esta elaboração adicional se demonstrará estender-se através dos capítulos 12-22. Isso significa que a frase inclui não apenas o papel do Livro do Apocalipse no fim, mas todo o trabalho do remanescente  de Deus do fim do tempo (Ap 12:17).

Reflexão sobre Apocalipse 10 da Perspectiva Adventista do Sétimo Dia: Os pioneiros adventistas, começando com Guilherme Miller, reconheceram a alusão a Daniel em Apocalipse 10:5-7 e viram, a princípio, uma proclamação da Segunda Vinda em Apocalipse 10:6. Quando isso não aconteceu, a experiência foi amarga e , como resultado, muitos abandonaram o movimento adventista. Mas com a passagem do tempo esperado em 1843-1844, alguns reconheceram a demora implícita nos versos 7 e 11 e descobriram que o foco da passagem era o Tempo do Fim ao invés da própria Segunda Vinda. Apocalipse10:5-7, portanto, profetizou um período de tempo continuando desde o fim das profecias de tempo de Daniel (para eles, 1798-1844) até o fim da provação. Durante aquele tempo, os fieis estudantes do Apocalipse proclamariam o evangelho eterno (Ap 10:7) no contexto dos livros de Daniel e Apocalipse (Ap 10:5-7, 11) e também no contexto da mensagem sobre o templo celestial  (Ap 11:1-2). Assim esta passagem era o núcleo básico para a convicção adventista de que estamos vivendo num tempo especial e proclamando uma mensagem especial no fim da história da terra.

Algumas lições espirituais desta passagem: 1) A demora do fim é dolorosa (Ap 10:10) mas não significa que Deus não está mais no controle. A profecia nos ensina que Deus previu a demora e que Ele não é tomado de surpresa. Paz estável e duradoura está disponível para aqueles que confiam que o Deus que está no controle da história quer apenas o bem para nós, mesmo que o jeito desse bem pareça confuso e mesmo doloroso. Uma mensagem subjacente da profecia é que Deus está do nosso lado. 2) A proclamação final do evangelho gerará oposição da parte daqueles que rejeitam esse evangelho. Isso pode ser uma experiência amarga e azeda por um tempo, mas o evangelho triunfará no fim. Outra mensagem subjacente da profecia é que Deus vence! E se Deus vence, aqueles que confiam nele também vencerão.

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Apocalipse 10:9-10


Texto bíblico: “Assim me aproximei do anjo e lhe pedi que me desse o livrinho. Ele me disse: ‘Pegue-o e coma-o! Ele será amargo em seu estômago, mas em sua boca será doce como mel’. Peguei o livrinho da mão do anjo e o comi. Ele me pareceu doce como mel em minha boca; mas, ao comê-lo, senti que o meu estômago ficou amargo” (Ap 10:9-10, NVI).

O rolo na mão do anjo é oferecido como comida para João. Seu gosto é doce como mel mas o deixa com dor de estômago. Há uma clara alusão aqui a Ezequiel 2 e 3, onde há uma referência a um rolo (que estava cheio de luto e dor) que é desenrolado diante do profeta. Mas, apesar do seu conteúdo, quando Ezequiel come o rolo ele tem sabor doce como mel em sua boca. Apesar de o rolo não tornar o estômago dele amargo, como é o caso aqui, a missão associada com o rolo traz amargura para Ezequiel (Ez 3:14). O conteúdo do rolo em Ezequiel envolve os juízos de Deus contra a casa de Israel. O “luto e dor” do rolo de Ezequiel pode sublinhar o fato de que Apocalipse 10 é parte da sexta trombeta, que é o Segundo ai de Apocalipse 8:13 (cf. Ap 9:12; 11:14).

Um paralelo adicional significativo é encontrado em Jeremias 15:16-17. Jeremias “come” as palavras do Senhor e elas se tornam gozo e alegria em seu coração, mas logo no verso seguinte sua alegria finda e ele fica sozinho. Depois ele se torna ridículo por causa das palavras que Deus lhe deu para apresentar (Jr 20:7-8). Esta é uma alusão possível, mas não é tão clara como a referência em Ezequiel. Enquanto Ezequiel é constantemente referenciado através do Apocalipse, Jeremias é muito menos.

Qual o significado da alusão a Ezequiel 2 e 3? Como notado antes, Apocalipse 10 é um interlúdio paralelo a Apocalipse 7. Ambas as passagens lidam com o povo de Deus. Em Apocalipse 7 eles estão sendo selados, o que representa a proteção de Deus durante as pragas do tempo do fim. A situação é mais confuso em Apocalipse 10. O chamado final do evangelho (Ap 10:7) sai para um povo que tem sido rebelde contra Deus. Assim a proclamação final do evangelho está no contexto de uma grande apostasia e é uma oportunidade final de voltar e estar do lado de Deus quando o Fim chegar.  A proclamação final do evangelho é tanto para os cristãos nominais como àqueles fora da comunidade. É um chamado para restaurar aquilo que uma vez foi possuído, mas agora está perdido.

Apesar de haver muitos paralelos entre esta passagem e Ezequiel 2 e 3, há também um grande contraste, que demonstra o uso criativo de Ezequiel por parte de João. Em Ezequiel 3:4-11 é dito para Ezequiel que ele está sendo enviado para a casa de Israel e não para outras nações, em parte porque ele está familiarizado com a língua. Mas em Apocalipse 10:11, o profetizar de João é especificamente estendido aos povos gentios e nações com todas as suas diferentes línguas.

Este chamado do evangelho no contexto de uma apostasia forma o cenário para Apocalipse 14-18. Ali encontramos dois chamados para o povo de Deus sair de Babilônia (14:8; 18:4), que é um oponente de Deus com uma face cristã (cf. comentários sobre Ap 14:8 e 17:1-5). Também encontramos um selamento do povo de Deus (Rev 14:1).

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Apocalipse 10:8


Texto bíblico: “Depois falou comigo mais uma vez a voz que eu tinha ouvido falar do céu: ‘Vá, pegue o livro aberto que está na mão do anjo que se encontra de pé sobre o mar e sobre a terra’” (Ap 10:8, NVI).

Até este ponto no livro João tem sido relativamente passive em relação as visões que tem recebido. Mas neste verso e até os versos iniciais do capítulo 11 ele começa a ter um papel ativo em suas profecias. João toma o rolo da mão do anjo, come-o e então recebe uma vara para medir o templo que lhe é mostrado. Os profetas frequentemente realizam ações simbólicas. Entre aqueles que na Bíblia fizeram isso estão Ezequiel (Antigo Testamento) e Ágabo de Cesareia (Livro de Atos).

A “a voz do céu” do verso 4 retorna aqui. Não é a voz do poderoso anjo. Em Apocalipse 10:8-11 João interage com a voz primeiro e então com o anjo que segura o rolo (Ap 10:8-9). O falante passivo de Apocalipse 10:11 em diante não é especificado. É presumivelmente a mesma voz do céu,  mas pode ser, possivelmente, o poderoso anjo que segura o rolo aberto. A escolha provavelmente não faz diferença para a interpretação de Apocalipse 10:11-11:13.

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

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