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sábado, 30 de março de 2013

Apocalipse 10:5-7


Texto bíblico: “Então o anjo que eu tinha visto de pé sobre o mar e sobre a terra levantou a mão direita para o céu e jurou por aquele que vive para todo o sempre, que criou os céus e tudo o que neles há, a terra e tudo o que nela há, e o mar e tudo o que nele há, dizendo: ‘Não haverá mais demora! Mas, nos dias em que o sétimo anjo estiver para tocar sua trombeta, vai se cumprir o mistério de Deus, da forma como ele o anunciou aos seus servos, os profetas’” (Ap 10:5-7).

É comum na tradição adventista do sétimo dia ver o soar da sétima trombeta como o início do juízo “investigativo”, a avaliação final de todos os que viveram sobre a terra, depois do que a provação se encerra para a raça humana. Mas os mesmos adventistas também têm visto o juízo investigativo como começando ao fim das profecias de tempo de Daniel, o tema de Apocalipse 10:6. Mas Apocalipse 10:6-7 separa o fim das profecias de tempo de Daniel do início da sétima trombeta, assim ver Apocalipse 11:15-18 (o conteúdo da sétima trombeta) como ocorrendo antes do final da provação não funciona exegeticamente. É como se você não pudesse ter os dois. E Ellen White parece concordar com a maneira como tenho interpretado Apocalipse 10:6-7 aqui. Portanto, eu veria a sétima trombeta como julgamento executivo ao invés de investigativo, o tempo de recompensar tanto justos como injustos no Fim e isso seria apropriado para o tempo depois do final da provação.

Sumarizando, há três eras a que se faz referência nesta passagem e elas são elaboradas em Apocalipse 11: as profecias de tempo de Daniel (cf. Ap 11:1-6), o tempo do fim (cf. Ap 11:7-13) e o tempo da sétima trombeta (Ap 11:15-18).

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.


terça-feira, 26 de março de 2013

Apocalipse 10:7


Texto bíblico: “Mas, nos dias em que o sétimo anjo estiver para tocar sua trombeta, vai se cumprir o mistério de Deus, da forma como ele o anunciou aos seus servos, os profetas” (Ap 10:7, NVI).

Há uma dica neste verso sobre a demora da segunda vinda. O anjo diz: “Não haverá mais demora [tempo]! Mas, nos dias em que o sétimo anjo estiver para tocar sua trombeta, vai se cumprir o mistério de Deus” (Ap 10:6-7). Os mileritas imaginaram que a vinda de Jesus estava perto porque as profecias de tempo tinham acabado. Mas o fim não veio. Mesmo que não houvesse mais tempo, seria apenas nos dias do sétimo anjo que o fim viria.

Está claro pelo texto que a sétima trombeta soa bem na última parte da história da terra. Quando o sétimo anjo estiver para tocar, o mistério de Deus será cumprido-terminado. O soar da sétima trombeta, contudo, não ocorre até Apocalipse 11:15. A ideia do “mistério de Deus” tem sua raiz em Daniel, onde Deus revela para Nabucodonosor mistérios com relação ao futuro que estivera oculto para os sábios de Babilônia (Dn 2:27-29, 44-45; cf. Am 3:7). A expressão está espalhada pelo Novo Testamento. É uma mensagem trazida ao mundo através de Cristo (Rm 16:25-26), equivalente ao evangelho (Cl 1:25-28; cf. Ef 6:19). Através do evangelho, a porta do céu foi aberta para todos, incluindo tanto judeus quanto gentios (Ef 3:3-6; 1Tm 3:16).  Este conceito de mistério é ilustrado pelo rolo selado em Apocalipse 5, que é aberto para ser visto no Livro do Apocalipse, mas permanece fechado para aqueles que rejeitam as revelações de Deus. A completa, visível e final revelação do “mistério de Deus” ocorrerá na consumação final (Ap 11:15-18; 20:11-15).

A associação entre o mistério e o evangelho é confirmada pelo verbo “anunciou” em Apocalipse 10:7, que é a forma verbal do substantive traduzido por “evangelho”. Apocalipse 10:7, portanto, descreve uma grande proclamação final do evangelho logo antes do soar da última trombeta, ao mesmo tempo que os ímpios estão se preparando para o Armagedom (Ap 9:13-21; cf. Ap 16:13-16). Esta proclamação final corresponde ao primeiro anjo voando no céu proclamando o evangelho eterno (Ap 14:6-7). A proclamação final do evangelho é feita à luz das profecias de tempo no livro de Daniel.

Há 17 referências aos “servos, os profetas” no Antigo Testamento. A mais interessante delas é Amós 3:7, onde isso está ligado à ideia de um leão rugindo. Isso levanta a possibilidade de um leve paralelo estrutural com Amós 3 em Apocalipse 10:3-7. Isso poderia sublinhar o foco na profecia bíblica em Apocalipse 10.

Esta proclamação final do evangelho chega ao fim logo antes de o sétimo anjo tocar sua trombeta. Assim o soar da sétima trombeta assinala o fim da provação humana e um irreversível início dos eventos finais. O evangelho tem sido apresentado por “Seus servos, os profetas” (Am 3:7-8) por 2.000 anos, mas nos últimos dias da história da terra será proclamado no contexto da profecia bíblica. Por isso o estudo do Apocalipse é importante hoje.

O “mistério de Deus” aqui não apenas retrata a proclamação final do evangelho, mas estabelece sua contrafação, o “mistério” de Babilônia, que é claramente  expresso em Apocalipse 17:6. Assim a proclamação final do evangelho ocorrerá em conflito com uma contrafação do evangelho (cf. Ap 13:7; 16:13-14).

Comentário de Ellen G. White sobre essa passagem: “Esse tempo, que o Anjo mencionou com solene juramento, não é o fim da história deste mundo, nem do tempo de graça, mas do tempo profético, que precederia o advento de nosso Senhor. Ou seja, o povo não terá outra mensagem com tempo definido. Após o fim desse período de tempo, que vai de 1842 a 1844, não pode haver um traçado definido de tempo profético. O mais longo cômputo chega ao outono de 1844” (Cristo Triunfante [MM], p. 343).

Não sabemos quando Jesus virá, mas Apocalipse 10 sugere que já entramos no período da história quando Sua vinda está especialmente próxima, “o tempo do fim”. Em tempos como esses, a decisão torna-se mais importante: não há tempo para demora ou indecisão. Dito isto, contudo, devemos notar que Deus tem sempre descrito o fim como próximo (Ap 1:3). Cada geração necessitou saber que Jesus estava voltando em breve para que elas levassem a sério suas oportunidades de decisão. Mas a Palavra de Deus sempre conteve as sementes de um significado mais profundo. Os discípulos esqueceram as pistas de que o tempo continuaria e pensaram que a cruz e a ressurreição seriam o fim do mundo (At 1:6-7).

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

sexta-feira, 22 de março de 2013

O Projeto "The Record Keeper"

O projeto "The Record Keeper" é uma iniciativa da Associação Geral para chamar a atenção das pessoas para o livro "A Grande Esperança" que tem sido espalhado pelo Brasil e no mundo nos últimos anos. Trata-se de uma minissérie em 11 capítulos que conta a história do grande conflito desde a perspectiva dos anjos.

Para saber mais sobre o projeto, leia a entrevista realizada por Daniel Gonçalves, jornalista e locutor na Rádio Novo Tempo em Florianópolis, aqui. A entrevista foi traduzida por minha esposa, Daniella e por mim. Lá você também pode assistir ao episódio piloto dublado (não se preocupe, as primeiras falas são mesmo em espanhol. Leia a entrevista e saiba por que). Abaixo, você pode ver o epísodio piloto original.

Apocalipse 10:6


Texto bíblico: “e jurou por aquele que vive para todo o sempre, que criou os céus e tudo o que neles há, a terra e tudo o que nela há, e o mar e tudo o que nele há, dizendo: "Não haverá mais demora!” (Ap 10:6, NVI).

Alguns eruditos têm sugerido que este verso alude a Êxodo 20:11, o quarto mandamento do Decálogo, que lida com o sábado. A mesma construção é utilizada em Apocalipse 14:7, que claramente alude a Êxodo 20:11 (veja detalhes em relação a esse verso). Mas neste verso, João usa uma palavra grega para “criou”, ktizô ao invés de poieô, assim o paralelo não é tão forte ou crítico como é em Apocalipse 1:7. É interessante que um paralelo direto ao fraseado deste verso pode ser encontrado nas adições a Daniel 4:37 que é encontrado na literatura apócrifa. Se João estava familiarizado com estas adições, pode haver uma alusão à humilhação de Nabucodonosor aqui, mas não penso que este seja o caso.  A forte alusão à Daniel 12 tem proeminência como pano de fundo. Outro paralelo improvável é Atos 4:24.

Muitos intérpretes, incluindo Guilherme Miller, tomaram o anúncio angélico como significando o fim do mundo. Mas eles passaram por alto duas coisas: 1) em Daniel as profecias de tempo não levam ao fim do mundo, elas levam ao “tempo do fim”; 2) isso deveria ter sido evidência suficiente, mas Miller também esqueceu o “mas” em Apocalipse 10:7, como veremos. O verso 7 tornará claro que o tempo continua depois do anúncio do anjo no verso 6

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Apocalipse 10:5-6


Texto bíblico: "Então o anjo que eu tinha visto de pé sobre o mar e sobre a terra levantou a mão direita para o céu e jurou por aquele que vive para todo o sempre, que criou os céus e tudo o que neles há, a terra e tudo o que nela há, e o mar e tudo o que nele há, dizendo: 'Não haverá mais demora!'" (Ap 10:5-6, NVI).

Em Apocalipse 4:9, aquele que se assenta no trono é descrito como aquele que vive para sempre e sempre. Claramente há uma referência a Deus tanto aqui como lá. Essa passagem pode também estar relacionada com o quinto selo (Ap 6:9-11) onde as almas sob o altar perguntam “até quando” e lhe é dito que esperem. Esta passagem pode relacionar-se também com a hora, o dia, o mês e o ano de Apocalipse 9:14-15, o momento que é decisivo para os inimigos do povo de Deus é também um momento decisivo no plano de Deus.

Esta passagem claramente alude a um grande texto paralelo do Antigo Testamento, Daniel 12:7: “O homem vestido de linho, que estava acima das águas do rio, ergueu para o céu a mão direita e a mão esquerda, e eu o ouvi jurar por aquele que vive para sempre, dizendo: "Haverá um tempo, tempos e meio tempo. Quando o poder do povo santo for finalmente quebrado, todas essas coisas se cumprirão”. Há oito palavras principais em comum, o que faz desse paralelo um dos dois ou três paralelos verbais mais fortes em todo o livro do Apocalipse. Em cada passagem há um dado lugar, então uma figura sobrenatural levanta a mão para o céu, jura por aquele que vive para sempre e faz um pronunciamento.

O pronunciamento de Apocalipse 10:6 é, contudo, diferente daquele em Daniel 12:7. Em Daniel, o “homem vestido de linho” (uma referência à figura divina em Daniel 10:5-6) anuncia um período de tempo familiar, “tempo, tempos e meio tempo” (cf. Dn 7:25). Mas no Apocalipse, o anjo diz literalmente: “Não haverá mais tempo”. A palavra grega para “tempo” aqui é chronos, que significa tempo cronológico. Assim o pronunciamento de Apocalipse 10:6 é claramente uma referência aos três tempos e meio de Daniel 12:7 e talvez de Daniel 7:25. Ele parece estar referindo-se ao fim do período a que se faz referência em Daniel 12. A última parte de Daniel é cheia de referências ao “tempo determinado” e ao “tempo do fim” (Dn 11:27, 29, 35, 40).

C. H. Dodd, em seu famoso livro According to the Scriptures, destacou que os escritores do Novo Testamento não citam o Antigo Testamento por textos-prova, mas como indicadores para o contexto inteiro no qual estes textos são encontrados. Assim, não devemos esperar que a referência a Daniel 12:7 tenha de ver apenas com aquele texto, mas com todo o contexto maior em que ele se encontra. Esse contexto maior vai até Daniel 8 e todo ele é relevante para Apocalipse 10 (Daniel 8-12 já está separado dos capítulos iniciais pelo uso da língua hebraica – Daniel 2-7 está em aramaico).

A visão de Daniel 8:3-14 tem seu clímax nos versos 13 e 14, que introduzem quatro questões: 1) “Até quando durará a visão 2) do sacrifício contínuo, 3) e da transgressão assoladora, 4) para que sejam entregues o santuário e o exército, a fim de serem pisados?” (Dn 8:13, ACRF). Depois de explicar os versos 3:12 (Dn 8:15-25), o anjo intérprete começa a explicar a primeira questão das quarto em Daniel 8:26 e então continua em Daniel 9:24-27. Mas ele nunca completa sua explicação sobre a duração da visão ou qualquer outra das três questões até Daniel 12:7-13. Então, ao aludir a Daniel 12:7 (e 12:4 antes no capítulo) Apocalipse 10 trás à tona toda a seção selada de Daniel (capítulos 8-12).

Daniel 12:5-12 são os últimos eventos mesmo (tempo do fim) ou refere-se à visão de Daniel 8:13-14 que leva ao fim? Se você for através do capítulo 12, o verso 4 aponta em frente para o “tempo do fim”. Daniel então pergunta “quanto tempo” (verso 6). A resposta é o verso 7 (tempo, tempos  e meio tempo), que baseia-se em Daniel 7:25, eventos que fazem a ponte entre as bestas e o julgamento no fim. Daniel então parece fazer a mesma pergunta em outras palavras com referência ao verso 4 (Daniel 12:8-9). Então, nos versos 10 a 12 ele faz múltipla referência às questões em Daniel 8:13-14 e 11:30-35. Finalmente, em Daniel 12:13, Daniel aponta para o próprio tempo do fim. O que escrevo é mais claro em hebraico, mas pode também ser visto em português, penso.

A alusão ao contexto mais amplo (Dn 8-12) de Daniel 12:7 significa que todas as profecias de tempo (2300 tardes e manhãs [Dn 8:14]; tempo, tempos e meio tempo [Dn 12:7]; 1290 dias [Dn 12:11] e 1335 dias [Dn 12:12]) estão incluídas no anúncio “Não haverá mais tempo”. Apocalipse 10:6, portanto, anuncia o fim das profecias de tempo de Daniel. O tempo de abertura do selo sobre as profecias de Daniel chegou e haverá um estudo da profecia bíblica em grande escala.

Parece haver também uma alusão à Deuteronômio 32:40, onde Deus é retratado levantando Sua mão ao céu e fazendo uma declaração. Nessa declaração Deus promete que “vingará o sangue dos seus servos; retribuirá com vingança aos seus adversários” (Dt 32:43, NVI). À luz dessa alusão, a declaração do anjo é também relevante para a pergunta “até quando” de Apocalipse 6:10 que é aplicada da quinta à sétima trombeta em Apocalipse 8:13. O tempo da proclamação angélica em Apocalipse 10:6, portanto, está associada à promessa de Deus de restaurar a justice aos Seus santos martirizados no quinto selo (Ap 6:9-11).

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Apocalipse 10:4


Texto bíblico: “Logo que os sete trovões falaram, eu estava prestes a escrever, mas ouvi uma voz do céu, que disse: ‘Sele o que disseram os sete trovões, e não o escreva’” (Ap 10:4, NVI).

A “voz do céu” aqui é um personagem diferente do anjo que segura o pequeno rolo. Este personagem introduz-se na narrativa novamente em Apocalipse 10:8 e é provavelmente também a voz passiva em Apocalipse 10:11 e muito do que se segue no capítulo 11.

Quando Deus fala e age de maneiras poderosas, um símbolo apropriado é o trovão. Mas os sete trovões não são escritos; portanto, podemos apenas especular sobre seu exato significado, mas podemos tirar algumas conclusões do uso do trovão no Antigo Testamento.
Sete trovões são encontrados no Salmo 29, um hino que descreve uma tempestade de trovões sobre as montanhas do Líbano como a voz de Deus:


“A voz do SENHOR ouve-se sobre as suas águas; o Deus da glória troveja; o SENHOR está sobre as muitas águas. 
“A voz do SENHOR é poderosa; a voz do SENHOR é cheia de majestade. 
“A voz do SENHOR quebra os cedros; sim, o SENHOR quebra os cedros do Líbano. 
“Ele os faz saltar como um bezerro; ao Líbano e Siriom, como filhotes de bois selvagens. 
“A voz do SENHOR separa as labaredas do fogo. 
“A voz do SENHOR faz tremer o deserto; o SENHOR faz tremer o deserto de Cades. 
“A voz do SENHOR faz parir as cervas, e descobre as brenhas; e no seu templo cada um fala da sua glória” (Salmo 29:3-9, NVI).
A tempestade de trovões é descrita em termos de “a voz do SENHOR” e as consequências dessa voz são poderosos atos de Deus. Assim os trovões do Salmo 29 provavelmente relembrem os poderosos atos de Deus nos tempos do Antigo Testamento: Criação, Dilúvio, Êxodo e assim por diante. Acredito que Apocalipse 10 tem uma alusão intencional ao Salmo 29.

Outro paralelo do Antigo Testamento é Jó 37:5 (NVI): “Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não podemos compreender” (veja também Salmo 18:13). A conclusão destes paralelos do Antigo Testamento é que os sete trovões de Apocalipse são atos poderosos de Deus que são 1) decisivos e 2) não podem ser entendidos sem a revelação (Amós 3:7-8). Como mencionado em relação ao verso 3, os sete trovões parecem estar relacionados com profecia. Que haja sete trovões sugere que isto pode representar o julgamento final e complete de Deus sobre a terra. Este julgamento está oculto neste ponto do tempo porque há ainda mais para ocorrer na história da terra antes que o julgamento final possa ser apresentado em favor do povo de Deus. A dica da demora nos versos 6 e 7 apoiam a ideia de que o fim poderia ter vindo com os trovões se Deus não tivesse intervindo para tardar as coisas (Ap 17:17). Se as circunstâncias tivessem permitido, as profecias de tempo de Daniel teriam sido abreviadas.

Há um interessante paralelo do Novo Testamento para os sete trovões em João 12:28-30. Quando Deus falou com Jesus, foi com uma voz que soou como um trovão:


“Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei.
“Ora, a multidão que ali estava, e que a ouvira, dizia que havia sido um trovão. Outros diziam: Um anjo lhe falou.
“Respondeu Jesus, e disse: Não veio esta voz por amor de mim, mas por amor de vós” (João 12:28-30, NVI).
O que é importante nesta passagem é que a voz de Deus falando como trovão em Jerusalém aconteceu logo antes da cruz. É significativo que no Evangelho de João a cruz é a maior revelação de Deus (uma teofania espiritual).

Em Apocalipse 14:2 o trovão é mencionado no contexto das três mensagens angélicas de Apocalipse 14:6-12. Uma vez que o trovão de João 12 chama a atenção para Jesus preparando-se para a cruz (versos 31-32), isso pode representar a proclamação final do evangelho, que ao que também se faz referência em Apocalipse 10:7.

Depois de os sete trovões soarem, a voz do céu diz para João selar o que os sete trovões disseram e não o escrever. Essa parece ser uma voz diferente da voz do poderoso anjo. É a voz de Deus? Isso faz sentido uma vez que a voz de Deus é largamente associada com o trovão na Bíblia. Aqui Deus troveja logo antes do período  a que se faz referência na próxima passagem do capítulo (versos 5-7).

De acordo com esse texto, as palavras dos sete trovões são seladas. O conceito de uma mensagem selada nos lembra três versos do livro de Daniel:


“A visão das tardes e das manhãs que você recebeu é verdadeira; sela porém a visão, pois refere-se ao futuro distante ” (Daniel 8:26, NVI).
“Mas você, Daniel, feche com um selo as palavras do livro até o tempo do fim. Muitos irão ali e acolá para aumentarem o conhecimento” (Daniel 12:4, NVI).
“Ele respondeu: ‘Siga o seu caminho, Daniel, pois as palavras estão seladas e lacradas até o tempo do fim’” (Daniel 12:9, NVI).
A última porção de Daniel não deveria ser entendida até o tempo do fim.

Não há outra referência no Apocalipse a “não escreva”. Ao invés disso há perto de uma dúzia de ordens para João escrever (Ap 1:11, 19 etc.). Apocalipse 22:10, de fato, especificamente ordena a NÃO selar as palavras da profecia deste livro. Você sela algo porque a mensagem não é relevante até um tempo posterior. Há coisas que o povo de Deus precisa saber e estas estão reveladas, mas há também coisas que não são úteis para que eles saibam (Dt 29:29) e elas não são reveladas. Os sete trovões pertencem a esta última categoria (cf. 2Co 12:2-4). Porque os sete trovões não foram revelados? Ellen White explica (no Seventh-Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, p. 971) que “não era melhor para o povo conhecer estas coisas, pois sua fé deve necessariamente ser testada”. Essa é uma boa explicação quanto qualquer outra que tenho ouvido.

A mensagem para selar relembra Daniel e contrasta com o restante do Apocalipse. Em Daniel 8:26 a visão deve ser selada e essa ação é confirmada em Daniel 12:4 e 9. No Apocalipse, por outro lado, há cerca de uma dúzia de ordens para João escrever, como em Apocalipse 1:11, 19 e 22:10. A razão dada para não selar é que “o tempo está próximo” (Ap 22:10).

Em Daniel, a mensagem deveria ser selada até o tempo future. No Apocalipse, a ordem para selar os trovões é única porque João é diferentemente ordenado a não selar a visão e a escrevê-la. A diferença entre a parte selada de Daniel (capítulos 8-12) e o livro do Apocalipse era que TUDO o que João escreveu era relevante para a primeira geração. Mas, aparentemente, os sete trovões lidam com algo totalmente além do tempo de João e do tempo de seus leitores.

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.
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