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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Apocalipse 10:3


Texto bíblico: “e deu um alto brado, como o rugido de um leão. Quando ele bradou, os sete trovões falaram” (Ap 10:3, NVI).

Este versículo apresenta os sete trovões. No texto original, há um artigo definido antes de “sete trovões”, ou seja: “os sete trovões”. As principais versões em português traduzem o texto corretamente (veja Almeida Revista e Atualizada, Nova Versão Internacional, Bíblia de Jerusalém e Nova Tradução na Linguagem de Hoje). Isso sugere que o conceito de sete trovões era conhecido por João e provavelmente pelas igrejas às quais ele estava escrevendo. A descrição dos sete trovões é extremamente breve e permanece em grande parte um mistério até hoje. O número sete, obviamente, representa a totalidade ou perfeição da realidade simbolizada pelos trovões.

De acordo com Apocalipse 5:5, o Cordeiro é o Leão de Judá. De todo o reino animal, a voz do leão é a mais semelhante ao trovão. O primeiro dos quatro seres viventes parece um leão (Ap 4:7), mas, quando fala, sua voz é como o som de trovão (Ap 6:1). Há várias ligações com o Antigo Testamento: o leão é símbolo de Yahweh, que atua como um leão para salvar Seu povo de seus inimigos (Os 11:10; Jr 25:30); julga Seu povo como um leão (Am 1:2; 3:8); e usa um leão como símbolo de profetizar. Em Amós 3:7 e 8, lemos: “Certamente o Senhor, o Soberano, não faz coisa alguma sem revelar o Seu plano aos Seus servos, os profetas. O leão rugiu, quem não temerá? O Senhor, o Soberano, falou, quem não profetizará?” (NVI). Portanto, o dom de profecia está associado a Yahweh falando como a voz de um leão. O que quer que seja tratado em Apocalipse 10, tem a ver com profecia.

Trovões são mencionados repetidas vezes no Apocalipse no contexto da presença direta de Deus (Ap 14:2), e estão associados ao trono de Deus (Ap 4:5) e a vários aspectos do santuário celestial (Ap 8:3-5; 11:19; 16:18). Combinados com o uso no Antigo Testamento, os trovões, em Apocalipse 10:3 e 4, retratam uma teofania, ou seja, uma aparição de Deus. Se o anjo poderoso representa Jesus, então essa seria uma confirmação da “alta cristologia”, a divindade de Cristo.

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Matheus Cardoso.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Apocalipse 10:2


Texto bíblico: “Ele segurava um livrinho, que estava aberto em sua mão. Colocou o pé direito sobre o mar e o pé esquerdo sobre a terra” (Ap 10:2, NVI).

O anjo poderoso simboliza Cristo exercendo Sua autoridade. Ele possui um livro (rolo), o que nos lembra Aquele que é capaz de abrir o rolo (Ap 5:7). Aparentemente, Jesus é tanto o Cordeiro que carrega o rolo selado (Ap 5) como o anjo poderoso que segura o rolo aberto (Ap 10). O que será narrado neste capítulo vem diretamente de Jesus, que está no controle e atua como Alguém que está sentado no trono celestial.

A palavra grega traduzida como “estava aberto” está no particípio passivo perfeito. Isso significa que o rolo está aberto e tem estado aberto por algum tempo. Ele provavelmente foi aberto em Apocalipse 8:1, quando o sétimo selo foi rompido. O rolo foi aberto no Céu (Ap 5) e agora é visto na Terra para ser aberto. A forma passiva (foi aberto, foi trazido) é usada com frequência no Apocalipse para falar das ações de Deus; é o Cordeiro divino-humano que rompeu os selos e abriu o rolo (Ap 5–6). Particípios são substantivos verbais que podem ser usados como advérbios ou adjetivos. Em Apocalipse 10:2, a expressão “estava aberto” é usada como adjetivo para falar de “rolo”.

O livrinho “estava aberto” em sua mão. A base para essa tradução é o perfeito passivo em grego, o que significa que o livro não estava no processo de ser aberto diante de nós, mas já havia sido aberto antes de o anjo aparecer a João em visão. É provável que isso se refira à passagem dos sete selos (Ap 6:1-8:1), onde Jesus é visto abrindo os selos um por um (e por implicação abrindo o livro depois que o sétimo selo é quebrado). Na narrativa do livro, a abertura dos selos estava completada em Apocalipse 8:1.

Por que traduzir o texto como “rolo”, em vez de “livro”? Por dois motivos. Primeiro, não existe evidência de que a forma de livro (páginas coladas juntas pela extremidade) tenha sido inventada antes do Apocalipse, que foi escrito em torno de 95 d.C. No primeiro século, e antes, a forma normal de livro era rolos, ou seja, folhas longas de papel enroladas numa vara. Segundo, em Apocalipse 6:14, a palavra “livro” (às traduzida como “pergaminho”) é usada para descrever o céu “se enrolando” como um livro/rolo. Isso mostra que o “livro” mencionado por João tinha o formato de algo que se enrola, e não de algo que tem as folhas coladas.

Visto que os sete selos que encerraram o rolo de Apocalipse 5 foram rompidos, poderia Apocalipse 10 ser uma revelação do conteúdo do mesmo rolo encontrado em Apocalipse 5? Para a maioria dos estudiosos, a resposta é “não”, porque, em grego, são usadas palavras diferentes para “livro/rolo”. Em Apocalipse 5, é biblion, e, em Apocalipse 10, é bibliaridion. Mas, em realidade, as duas palavras são o diminutivo da palavra biblos (livro); portanto, ambas significam “livrinhos”. Um exemplo de diminutivo em inglês é que o nome Carl pode se tornar Carlito – pequeno Carl.

Quando estudamos a forma como João usa as três palavras gregas que significam “livro”, vemos que ele não segue um padrão consistente. Ele usa biblos e biblion para o Livro da Vida (Ap 20:12, 15); e usa bibliaridion e biblion para o rolo que está na mão do anjo (Ap 10:2, 8). Sendo que a escolha de palavras não descarta o paralelo, os fortes paralelos entre os dois textos indicam que os dois livros são o mesmo (Ap 5:7 e 10:2). Provavelmente João não está muito preocupado se o livro é Carl ou Carlito. 

Se os rolos de Apocalipse 10 e 5 são o mesmo, agora esse rolo é mostrado aberto, o que seria esperado após o sétimo selo ser rompido. Nesse caso, a relação entre os dois rolos mostra o cumprimento do que é prometido em Apocalipse 1:1. Neste texto, encontramos a sequência da revelação: Deus dá a revelação a Jesus, Jesus a transmite por meio de Seu anjo a João e então João escreve a revelação num livro. Assim, Apocalipse 5 representaria a transferência da revelação do Pai a Jesus e Apocalipse 10 expressaria a transferência de Jesus a João.

O conteúdo do rolo de Apocalipse 5 é tão importante para o Universo que (1) João chora muito porque ninguém é capaz de abri-lo e (2) o Universo explode de alegria quando o Cordeiro o abre. Os eventos do interlúdio do capítulo 10 estão relacionados a esse poderoso rolo que parece ser o ponto decisivo da história humana. Mas é possível que os rolos de Apocalipse 5 e 10 revelem diferentes aspectos do sentido mais amplo. Provavelmente a pequenez do rolo indique que ele contém somente uma porção do rolo maior que contém toda a vontade de Deus, e que essa porção é especialmente útil no tempo em que o anjo anuncia “não mais tempo” (Ap10:6). Muitos estudiosos acreditam que o conteúdo do rolo seja Apocalipse 12–22. Esse rolo seria plenamente revelado no período final da história da Terra.

O anjo que faz a proclamação é tão grande que Ele põe um pé na terra e o outro no meio do mar. Para a maioria dos comentaristas, isso significa que a mensagem tem alcance mundial, a mensagem do anjo é destinada a todas as pessoas de todos os lugares. Essa justaposição de terra e mar ocorre novamente em Apocalipse 13, onde as duas bestas saem, respectivamente, do mar e da terra.

Publicado originalmente por Jon Paulien.


Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Apocalipse 10:1


Texto: “Então vi outro anjo poderoso, que descia dos céus. Ele estava envolto numa nuvem, e havia um arco-íris acima de sua cabeça. Sua face era como o sol, e suas pernas eram como colunas de fogo” (Ap 10:1, NVI).

A menção a um anjo “poderoso” ou “forte” diferencia esse anjo dos anjos das sete trombetas (Ap 8–9). Esse “outro” anjo poderoso quase certamente remete a Apocalipse 5:2, em que um anjo poderoso atua como anunciador ou mestre de cerimônias na corte celestial (veja também o anjo poderoso de Ap 18:21). Tal como o primeiro anjo poderoso (de Ap 5:2), o anjo de Apocalipse 10 tem uma missão diferente dos anjos das primeiras seis trombetas: ele participa das ações de Deus, e não das forças satânicas.

A frase “descendo do céu” lembra a Nova Jerusalém, mencionada em Apocalipse 3:12; 21:2, 10. Em Apocalipse 13:13, desce fogo do céu.

Outras referências a “nuvem” no Apocalipse são a ascensão das duas testemunhas (11:12), o Filho do homem sentado numa nuvem (14:14-16) e a segunda vinda de Jesus acompanhado por muitas nuvens (1:7). No Antigo Testamento, nuvens frequentemente são descritas como “carruagens de Deus” (Sl 68:4; 104:3; Ez 1:4, 28), acompanhavam os israelitas durante o Êxodo e os protegiam (Êx 13:21, 22; 14:19, 20; Sl 105:39), abrigam a glória de Deus (Êx 16:10) e formam as extremidades do Céu (Is 14:14). O importante para Apocalipse 10 é que, no Antigo Testamento, nuvens são frequentemente associadas a Deus. Esse eco indica que o “anjo poderoso” desse capítulo é um Ser divino.

A menção de um arco-íris lembra o arco-íris ao redor do trono de Deus em Apocalipse 4:3 e Ezequiel 1:28 e também o arco-íris que representa a aliança e expressou a misericórdia de Deus no fim do Dilúvio (Gn 9:13-17).

Pernas como colunas de fogo, junto com a nuvem, podem ser uma alusão ao Êxodo (Êx 14:19, 24). Isso significaria que o livramento do povo de Deus é parte do tema de Apocalipse 10.
Em Apocalipse 10:1, existe uma forte alusão a Ezequiel 1:26-28. Isso realça o paralelo com Apocalipse 5, já que Ezequiel 1 é uma cena do trono divino.

Também existem fortes paralelos entre a descrição desse anjo e Apocalipse 1. O anjo poderoso está “envolto numa nuvem”, enquanto Jesus “vem com as nuvens” (Ap 1:7) e está “assentado sobre a nuvem” (14:14). A face do anjo poderoso é “como o sol”, enquanto a face de Jesus é “como o sol quando brilha em todo o seu fulgor” (1:16). As pernas do anjo poderoso são “como colunas de fogo”, e os pés de Jesus são “como o bronze numa fornalha ardente” (1:15). No texto original, a palavra para “pés” e para “pernas” é a mesma, mas na tradução isso não é preservado. Em grego, é nítido que o anjo poderoso é a mesma figura que apareceu a João em Patmos, no início do Apocalipse. Provavelmente o simbolismo divino significa que o anjo poderoso é Jesus.

A linguagem de Apocalipse 10:1 também possui paralelo com a transfiguração de Jesus, a única vez em que os discípulos O viram como Ele realmente é na glória celestial (Mt 17:2). O anjo poderoso tem a aparência de Jesus transfigurado e provavelmente deve ser identificado com Jesus. O arco-íris acima de sua cabeça lembra o trono de Apocalipse 4:3.

É possível entender que esse anjo é Jesus, mas parece que o “anjo poderoso” de Apocalipse 5 não é Jesus (que nesse capítulo é representado pelo Cordeiro). Portanto, existe ambiguidade sobre a identidade do anjo de Apocalipse 10. Podemos dizer, no mínimo, que ele atua como Jesus. Compare esse anjo com o anjo de Apocalipse 22:6-16, que fala suas próprias palavras mas também fala as palavras de Cristo, sem haver uma clara transição entre os dois personagens. Então, se o anjo do capítulo 10 não é Cristo, ele certamente atua com a plena autoridade de Cristo.

A descrição de Apocalipse 10:1 lembra Jesus glorificado, o Yahweh do Antigo Testamento e os grandiosos feitos de Deus: o Dilúvio, o Êxodo e o estabelecimento da aliança no Monte Sinai (colunas, fogo e arco-íris). O texto passa a forte impressão de que alguma coisa muito importante está prestes a acontecer no capítulo.

Publicado por Jon Paulien.


Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Apocalipse 10 e 11 Descreve o Tempo do Fim


Tanto o interlúdio de Apocalipse 10:1–11:13 como o de Apocalipse 7 estão divididos em duas partes. O interlúdio das trombetas envolve as visões de 10:1-7 e 11:1-13 (10:8-11 é uma transição que aponta para os versículos seguintes e para os anteriores). O interlúdio dos selos inclui uma seção sobre os 144 mil (Ap 7:1-8) e uma seção sobre a grande multidão (Ap 7:9-17).

Assim como o interlúdio dos selos (Ap 7) responde à pergunta apresentada no fim do sexto selo (Ap 6:17), o interlúdio de Apocalipse 10–11 está relacionado à sexta trombeta (Ap 9:13-21). O interlúdio trata do ponto específico da história em que os anjos são liberados do rio Eufrates e os quatro ventos são retidos para que aconteça o selamento (cf. Ap 7:1-3). Esse é o tempo do ajuntamento para a batalha do Armagedom (compare Ap 9:13-21 com 16:12-16) e se encerra pouco antes do fim do tempo de graça (Ap 10:7). Portanto, o interlúdio está relacionado especificamente com o tempo do fim, embora também sejam mencionados períodos anteriores, como veremos no estudo sobre Apocalipse 10:5-7.

O interlúdio de Apocalipse 10:1–11:13 é um panorama dos justos que corre paralelamente à experiência dos ímpios pouco antes do fim. Em Apocalipse 9:13-21, são apresentadas as forças satânicas se preparando para o conflito final. Da mesma forma, em Apocalipse 10:1–11:13, Deus, por meio da profecia, prepara um povo para combater essa ameaça.

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Matheus Cardoso.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Apocalipse 10 e 11 Focaliza o Povo de Deus


Para mim, Apocalipse 10:1–11:13 é tão difícil de interpretar quanto qualquer outra parte do Apocalipse. Essa passagem, à primeira vista, parece separar a sexta trombeta (Ap 9:13-21) da sétima (Ap 11:15-19). Além disso, esse texto é diferente das trombetas. As sete trombetas mencionam terríveis juízos e catástrofes naturais, mas Apocalipse 10:1–11:13 fala sobre profecia, pregação e a experiência do povo de Deus. Por isso, essa passagem muitas vezes é chamada de “interlúdio” (ou mudança de ritmo) em meio às sete trombetas. Enquanto as trombetas apresentam juízos sobre os que se opõem a Deus, o interlúdio focaliza o povo de Deus.

O “interlúdio” nas sete trombetas é semelhante ao que existe em Apocalipse 7. O sexto selo (Ap 6:12-17) termina no fim de Apocalipse 6, mas o sétimo selo (Ap 8:1) aparece somente no capítulo 8. Apocalipse 7 responde a pergunta que existe no fim do capítulo anterior: Quando a ira do Cordeiro sobrevier ao mundo, “quem poderá ficar de pé?” (Ap 6:17). Portanto, os dois interlúdios (Ap 7 e 10–11) mostram o que o povo de Deus está fazendo enquanto enfrenta oposição imediatamente antes do retorno de Jesus.

O texto de Apocalipse 10–11 é parte das sete trombetas ou é separado delas? Podemos ter certeza da resposta a essa pergunta. Apocalipse 9:12 diz: “O primeiro ai passou; dois outros ais ainda virão.” O primeiro ai claramente é a quinta trombeta (Ap 9:1-11) e o segundo ai claramente começa com a sexta trombeta (Ap 9:13-21). O terceiro ai é anunciado em Apocalipse 11:14: “O segundo ai passou; o terceiro ai virá em breve.” Esses dois conectores (Ap 9:12 e 11:14) mostram que o interlúdio (Apocalipse 10:1–11:13) é parte da sexta trombeta.

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Matheus Cardoso.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

Comentário Online sobre o Apocalipse

Em meados de 2012, o Dr. Jon Paulien, Ph. D. em Novo Testamento pela Universidade Andrews, iniciou um projeto especial: publicar a cada dia um parágrafo ou dois com comentários sobre o livro de Apocalipse. Esse comentário é publicado quase diariamente em seu perfil no Facebook.

Na época, o Pr. Matheus Cardoso, autor do blog Missão Pós-Moderna, iniciou a tradução deste comentário em seu antigo blog. Devido a algumas demandas, o Pr. Matheus não pode continuar o projeto.

Recentemente, em conversa com ele, combinamos reiniciar o projeto de tradução. Assim, a partir de hoje, publicarei aqui as postagens traduzidas pelo Pr. Matheus, até onde ele o pôde fazer, e depois continuaremos com a tradução de cada comentário diário. Esperamos que essas postagens incentivem as pessoas a estudarem este livro fascinante e a encontrar nosso Salvador Jesus Cristo ao estudá-lo.
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