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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Apocalipse 11:1-2

Texto: “Deram-me um caniço semelhante a uma vara de medir, e me foi dito: "Vá e meça o templo de Deus e o altar, e conte os adoradores que lá estiverem. Exclua, porém, o pátio exterior; não o meça, pois ele foi dado aos gentios. Eles pisarão a cidade santa durante quarenta e dois meses” (Ap 11:1-2,NVI).

No capítulo anterior aprendemos que há um período no fim da história entre o fim das profecias de tempo de Daniel e o fim da provação. Durante este período haverá uma proclamação final do evangelho no contexto dos livros apocalípticos como Daniel e Apocalipse. Esta passagem adiciona outro elemento a esta proclamação, o evangelho final a ser proclamado nos últimos dias inclui uma mensagem sobre o santuário celestial que inclui um sério julgamento pré-advento que mede os professos seguidores de Deus. Daniel, Apocalipse e julgamento não são em si mesmos o evangelho, mas eles provêm uma mensagem valorada com particular relevância para o fim do tempo. O valor agregado foi designado para provocar prontidão para o retorno de Jesus. Mas o evangelho é a chave. Se você não sabe como acertar-se com Deus, não importa o que você sabe sobre Daniel e Apocalipse (1Co 13:2). Assim o Apocalipse precisa ser lido em equilíbrio com outras mensagens da Bíblia.

Para dar sentido a esta passagem necessita-se conhecer algo sobre as descrições do santuário/templo no Antigo Testamento. Isto está claro na palavra grega “templo” (naos) no verso 1, lembrando a linguagem do tabernáculo e do templo no AT. Enquanto a palavra naos pode se referir à todo o complexo do templo, incluindo o pátio exterior (normalmente a palavra hieron é usada para o todo), ela normalmente focaliza a parte mais interna do templo, os lugares santos ou, mais frequentemente, o próprio Santíssimo. Jesus era encontrado frequentemente ensinando ou agindo no hieron (Mat 21:12, 23; Mc 11:11, 15; Lc 19:45; e Jo 7:14, para mencionar apenas algumas poucas ocorrências), mas poucos entravam nos recintos mais interiores do templo e apenas o Sumo Sacerdote entrava no Santo do Santos e isso apenas uma vez por ano.

O santuário hebreu foi disposto como dois quadrados lado a lado. O quadrado do lado direito (ocidente) era o pátio exterior, que incluía o altar de holocaustos (para os sacrifícios animais) e a pia (um recipiente para abluções cerimoniais). O tabernáculo propriamente estava no quadrado do lado esquerdo e era dividido em duas partes, o lugar santo com seu candelabro, a mesa dos pães da preposição e o altar de incenso, e o lugar santíssimo contendo a arca da aliança e a presença viva de Deus. No centro do pátio exterior estava o altar de holocaustos. Bem no centro do quadrado do tabernáculo estava a arca da aliança.

No templo de Herodes (aquele conhecido e experimentado por Jesus e Seus discípulos), contudo, o pátio exterior era parte dos recintos mais interiores do templo, proibido para os gentios, mesmo que estivesse do lado de fora. Fora dos recintos mais interiores do templo estava um grande Pátio dos Gentios, no qual nenhuma atividade ritual tinha lugar, mas as pessoas se encontravam e conversavam, aulas poderiam ser dadas e nos dias de Jesus, negócios relacionados aos sacrifícios do templo eram conduzidos. Assim o templo de Herodes era um complexo mais extensivo do que o tabernáculo hebreu original.

De acordo com Apocalipse 11 o pátio exterior não deveria ser medido, apenas o próprio templo deveria ser medido. Isto contrasta com Ezequiel, onde todo o complexo do templo é medido (Ez 40:17-19). Tudo isso levanta a questão: qual “pátio externo” está em vista neste texto – o pátio externo do tabernáculo, com o altar e a pia, ou o Pátio dos Gentios no templo de Jerusalém?

Que altar está em vista aqui: o altar de incenso (que estava no Lugar Santo) ou o altar de holocausto (que estava fora do tabernáculo, mas dentro do complexo maior do templo de Jerusalém no primeiro século)? Por implicação, que “pátio exterior” está em vista aqui, aquele do tabernáculo hebreu ou o Pátio dos Gentios no templo de Herodes?

O pátio exterior desta passagem é “dado aos gentios”. Isso poderia sugerir que o templo de Herodes está em vista, porque no templo de Jerusalém, o pátio exterior do complexo interior do templo (a porção fora do recinto original do santuário, com o altar e a pia) era proibido para os gentios. Eles eram permitidos apenas no Pátio dos Gentios, que estava fora da área na qual todos os rituais do templo aconteciam. Por outro lado, se nos limitamos à evidência do Antigo Testamento (que as referências constantes de João sugerem como primárias em sua mente), o termo grego “pátio exterior” (aulên) é usado apenas para a porção fora do recinto do tabernáculo (Êx 27:1-19; LXX até 38:1-20; Êx 40:29-33; LXX até Lv 6:16 e 26; Lv 8:31) e o mesmo local no templo de Salomão (1Cr 28:6; 2Cr 24:21; cf. Mt 23:35; em 1Rs 28:6 a localização de aulên é ambígua). 2 Crônicas 4:9, por outro lado, sugere que o templo de Salomão pode ter tido dois “pátios exteriores” (aulên) como o templo de Herodes, o “Pátio dos Sacerdotes” e o “Grande Pátio”. O templo de Ezequiel também tinha um pátio interno e um externo (várias formas de aulê na LXX). Assim a questão sobre qual altar e pátio exterior está em se João estaria pensando no tabernáculo mosaico ou no templo de Herodes, que pode ter sido algo baseado em Ezequiel. É a opinião de Stefanovic e minha que o pátio mosaico é a referência provável. Uma vez que os gentios eram permitidos no Pátio dos Gentios, seu pisoteamento não seria digno de menção aqui. Uma “invasão” do pátio interior, por outro lado, seria dramático e chocante e apenas uma tal invasão ocorreu com o saque do templo por Tito algumas décadas antes do Apocalipse.


O altar no verso 1 deve ser o altar de incenso (Êx 28:43; 30:1-10 etc.), uma vez que o altar de holocausto (Êx 27:1-8 etc.) estava localizado no pátio exterior e esta parte do complexo do templo é excluída da medição no verso 2. O altar de incenso estava normalmente localizado no lugar santo (mas cf. Hb 9:1-5), o primeiro e maior dos dois aposentos sagrados dentro do templo. Este altar é descrito em mais detalhes em Apocalipse 8:3-5.

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Apocalipse 11:1

Texto: "Deram-me um caniço semelhante a uma vara de medir, e me foi dito: "Vá e meça o templo de Deus e o altar, e conte os adoradores que lá estiverem" (Ap 11:1, NVI).

Um caniço “foi dado” para João. A voz passiva sem qualquer ponto de referência é bem comum no livro do Apocalipse (Ap 6:2, 4, 8, 11; 8:3; 9:1, 3, 5, etc.). Na maioria dos casos isto é o que poderia ser chamado de "passivos divinos”. Os judeus do primeiro século preferiam não usar os nomes de Deus, mas ao invés disso falar dEle com rodeios, como a voz passiva aqui. Outras maneiras de evitar a palavra “Deus” eram dizer “céu” (“os céus nos ajudem”), o Nome, Senhor. Como um bom judeu, Jesus usou muitas dessas mesmas expressões (reino dos céus, “Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados [por quem? Deus] filhos de Deus).

A João é dado um caniço como uma vara de medir e lhe é dito que medisse o templo de Deus. Há uma descrição similar em Apocalipse 21:15, onde é dito a João que medisse a Nova Jerusalém.  Mas também há algumas diferenças entre os dois relatos. Nesta passagem ele recebe um caniço como uma vara de medir e em Apocalipse 21, a vara é feita de ouro. Outra diferença, claro, é que a medição é do templo em uma cena e de uma cidade na outra. Mas a cidade é na verdade como um templo porque é lugar onde Deus habita, ela tem o formato do lugar santíssimo e mostra seu esplendor (Ap 21:11, 15, 16).

Esta cena relembra a visão de Ezequiel de um templo restaurado (Ez 40-48). Ali a medição do templo mostrou o compromisso de Deus com o povo em permanecer como seu Deus apesar de sua apostasia. Ele continuara a ser seu Deus e eles continuarão sendo Seu povo (cf. Zc 2:1-5). O templo é medido para ser restaurado (Ez 43:7-9). O problema que fez como que o templo de Salomão fosse destruído era ter lugares de adoração aos ídolos imediatamente adjacentes ao templo. Esta era a pior forma de sincretismo, misto de adoração a Deus e aos ídolos. Em Ezequiel 43:7-9 Deus prometeu a Israel que se eles deixassem de lado sua adoração mista, Deus reconstruiria o templo e habitaria nele para sempre. A visão de Ezequiel para medir o templo foi no Dia da Expiação (Ez 40:1). No Dia da Expiação o santuário era purificado dos pecados que tinham se acumulado ao longo do ano. Este foi o dia quando Deus veio a Ezequiel para prometer uma restauração do templo em Jerusalém.
Alguns eruditos sugerem que a medição do templo implica numa alusão ao Dia da Expiação. Já notamos o paralelo com Ezequiel 40:1. Mas há também uma alusão a Levíticos 16, o grande texto do Dia da Expiação. Em apenas dois lugares na Bíblia combinam-se o altar do santuário e o povo: Levíticos 16:33 e Apocalipse 11:1-2. Assim, o Dia da Expiação é trazido à tona aqui com suas implicações de julgamento.

Isso destaca o significado de “medir” na Bíblia para este verso. Em 2 Samuel 8:2 Davi fez com que os moabitas derrotados deitassem no chão e os mediu com uma cordel para decidir quem viveria e quem morreria. O conceito de recompensar o bom e o mal é bem disseminado tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Os ditos e parábolas de Jesus descrevem um julgamento no fim dos tempos para avaliar quem serve e quem não serve a Deus (Mt 7:2; Mc 4:24): o trigo e o joio, as ovelhas e os bodes, os peixes bons e ruins, as virgens sábias e as virgens tolas. A combinação da imagética do Dia da Expiação e da “medição” antecipa o julgamento que ocorrerá exatamente antes do fim. Deve-se admitir, contudo, que o pacote de alusões neste parágrafo é possível, mas não certo.

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Apocalipse 11 - Introdução

As divisões de capítulos da Bíblia não são originais, mas foram adicionadas muito tempo atrás depois que a Bíblia foi escrita. Elas algumas vezes impedem ao invés de ajudar nosso entendimento. A divisão entre os capítulos 10 e 11 são um bom exemplo. Em Apocalipse 11:1 João continua interagindo com o anjo de Apocalipse 10, mas esta conexão pode ser perdida se se focaliza na divisão dos capítulos ao invés de na natureza contínua da história. Muitos que tem estudado este capítulo cuidadosamente consideram-no um dos mais difíceis de entender em toda a Bíblia.

A primeira parte do capítulo 11 (vv. 1-13) é uma continuação da cena em Apocalipse 10:8-11. Apesar de o poderoso anjo e o rolo parecerem perder-se de vista, João continua a interagir ou com a "voz do céu" (Ap 10:4, 8) ou com o anjo do rolo (Ap 10:1-7, 9-10). Esta passagem é ainda uma parte da sexta trombeta que cobre o período desde o fim das profecias de Daniel até o fim da provação (cf. comentário sobre Ap 10:7). Este também é o tempo de reunião para a batalha do Armagedom (cf. Ap 9:13-21 e 16:1-16). É a mensagem que deve ser profetizada para todas as nações (Ap 10:11) e a amargura que todos experimentarão ao dá-la (Ap 10:9-10).

Há importantes conexões entre os capítulos 10 e 11 (1-13): João; a voz do céu; povos, nações e línguas; verbos como erguer-se, dar, comer e cumprir; substantivos como boca, voz, nuvem e pé; e por fim mas não menos importante, profetas e profetizar. Há também uma conexão entre esta passagem e a passagem da sexta trombeta de Apocalipse 9:13-21. Em ambos os lugares fogo vem da boca(s). Há palavras em comum como anjo, ferir, matar, adorar, ver, poder, altar, remanescente e praga. Assim a história das duas testemunhas é uma contraparte clara dos ais da sexta trombeta.

Esta seção pode ser estruturada como segue:

A) Mensuração do templo (1-2)

B) A identidade das duas testemunhas (3-6)
1) Profetizando por 1260 dias (3)
2) Estar diante do Senhor (4)
3) Sua autoridade e poder (5-6)

C) A morte, ressurreição e ascensão das testemunhas (7-13)
1) A morte e ressurreição das testemunhas (7-10)
2) Sua ascensão (11-12)
3) Terremoto e remanescente (13)

O “profetizar de novo” de João (Ap 10:11) parece ser elaborado no templo restaurado de Apocalipse 11:1-2, na experiência das duas testemunhas durantes os 1260 dias (Ap 11:3-6) e na ressurreição e ascensão das duas testemunhas em Apocalipse 11:11-13. Isso é confirmado pelo repetido uso de “profeta” e “profetizar” no capítulo (Ap 11:3, 6, 10). O destino destas duas testemunhas martirizadas (Ap 11:7-10) também parecem ilustrar a amargura de comer o rolo em Apocalipse 10:9-10. O rolo em si mesmo são boas novas mas trás tempos ruins.


As duas testemunhas mesmas também tem de profetizar de novo. Deixe-me explicar. Os períodos de tempo neste capítulo nos lembram de ler este capítulo à luz dos textos de fundo de Daniel 12 ("tempo, tempos e metade de tempo"). Os gentios pisarão a santa cidade por quarenta e dois meses (Ap 11:2) e as duas testemunhas profetizarão em pano de saco por 1260 dias (Ap 11:3). Todos estes três períodos de tempo são o mesmo, perfazendo três anos e meio. Assim a experiência inicial destas duas testemunhas ocorre durante o tempo das profecias de Daniel, então as testemunhas “profetizam de novo” depois do fim dos 1260 dias. Muito de Apocalipse 11:1-6 na verdade precede Apocalise 10:7-11 no ponto do tempo real.

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Uma Torah Sefer na Biblioteca Bologna Pode Ser o Mais Antigo Rolo Conhecido da Torah

O erudito Mauro Perani datou este rolo da Torah Sefer da Biblioteca da Universidade de Bologna entre os séculos XII e XIII d. C., tornando-o o manuscrito mais antigo da Torah Sefer existente no mundo. Foto: Alma Mater Studiorum Universita' di Bologna/AP
O erudito italiano Mauro Perani recentemente descobriu o que ele acredita ser o mais antigo rolo completo da Torah. A recém datada Torah Sefer – um rolo da Torah manuscrita contendo os textos completos de Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio – foi escrita entre 1155 e 1225 d. C. O valor monumental do documento apergaminhado passou despercebido por quase um século; em 1889 ele foi erroneamente catalogado na Biblioteca da Universidade de Bologna como uma Torah Sefer do século XVII. Enquanto compilava um catálogo de manuscritos hebraicos guardados na biblioteca, Perani reconheceu que a escrita no rolo de quase 36 metros de comprimento era significativamente mais antiga do que a data do catálogo. Além disso, o rolo não seguia os padrões escribais estabelecidos na virada do século XIII por Maimônides, a principal figura intelectual do judaísmo medieval. A análise paleográfica foi seguida por testes de carbono 14 na Universidade de Salento e na Universidade de Illinois, Urbana-Champaign, que confirmou a data entre os séculos XII e XIII.

A Torah Sefer é o rolo da Torah completo mais antigo conhecido; contudo, não é a Torah mais antiga existente.  Os códices Alepo e Leningrado, cada um contendo o texto completo da Bíblia Hebraica, foram escritos até dois séculos antes do rolo da Torah da Universidade de Bologna. O códice Alepo, do século X, um manuscrito apergaminhado de 760 páginas, foi o mais antigo texto bíblico completo contendo a versão que foi finalmente selecionada e aceita como o texto mais autoritativo no judaísmo. O texto foi completado com sinais vogais, pontuação, notações para a entoação litúrgica e notas textuais. Contudo, ele foi avariado e páginas foram perdidas durante tumultos em Alepo em 1947.[1] O códice Leningrado, escrito por volta de 1010 d. C., é atualmente o mais antigo manuscrito completo da Bíblia Hebraica. Tanto o volume de Alepo como o de Leningrado são códices (livros com páginas ou folhas), que são diferentes de rolos. Em um artigo da BAR[2] discutindo o códice Leningrado,[3] os eruditos James A. Sanders e Astrid Beck escrevem:

Tão cedo quanto o primeiro século d. C., os eruditos cristãos começaram a transmitir suas obras santas em códices ao invés de rolos, e no terceiro século o códice era padrão. No mundo judaico, contudo, o códice não foi adotado até por volta do século sete. O rolo tradicional, ou livro-rolo (uolumen, em latim, de onde vem nossa palavra “volume”), continua a ser usado hoje para leitura do texto sagrado nas sinagogas. Estes rolos para leitura do texto sagrado, contudo, contêm apenas os cinco livros de Moisés. Nenhum rolo é grande o suficiente para conter toda a Bíblia Hebraica.

[…]

Enquanto os códices Alepo e Leningrado são as versões mais antigas completas da Bíblia Hebraica, a tradição da sinagoga dita que a porção semanal da Torah seja lida de um rolo, conhecido como Torah Sefer. O rolo da Biblioteca da Universidade de Bologna apresenta-se como a mais antiga Torah Sefer existente. Contudo, muitas questões permanecem. Onde o rolo foi escrito e como ele foi parar em Bologna? O comunicado a imprensa da Biblioteca da Universidade de Bologna, publicada no Facebook em 28 de maio, destacou o relacionamento estendido da cidade com manuscritos históricos da Torah:

A descoberta parece confirmar a ligação que une Bologna e a Torah: foi na cidade de Bon-lan-yah, a pronúncia em dialeto que em hebraico significa: “Nela habita o Senhor”, onde em 1482, a primeira edição do Pentateuco hebraico foi impresso e hoje é Bologna que declara que o rolo da Torah mais antigo está guardado e preservado em sua biblioteca universitária. Em 1546, o artigo 50 dos Estatutos de uma confraria caritativa judaica, constituída naquele ano, parafraseou o verso de Isaías 2:3:  “Porque de Sião sairá a lei” dizendo: “Porque de Bologna sairá a lei”, referindo-se à primeira edição do mais sagrado texto que o judaísmo possui, impresso 62 anos antes em sua cidade.

Traduzido e editado por Clacir Virmes Junior.




[1] Yosef Ofer, “The Shattered Crown: The Aleppo Codex, 60 Years After the Riots,” BAR, September/October 2008.
[2] Biblical Archaeology Review.
[3] Astrid Beck and James A Sanders, “The Leningrad Codex,” Bible Review, Aug 1997.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Templo de Herodes Revelado na Restauração da Mesquita de Al-Aqsa

A restauração da Mesquita de Al-Aqsa nos anos 1930 e 1940 incluiu a remoção de dezenas de vigas de madeira que datam de um período anterior à construção da Mesquita. Estas vigas podem ter vindo de construções do Templo de Herodes. Foto: Israel Antiquities Authority Scientific Archives.
O que aconteceu ao Templo de Jerusalém quando os romanos destruíram o Templo de Herodes em 70 d. C.? Não há relato de que qualquer edifício tenha restado sobre o Monte do Templo no tempo em que os muçulmanos erigiram o icônico Domo da rocha e a Mesquita de Al-Aqsa com sua cúpula cinza no fim do século VII e início do século VIII.

As vigas de madeira do Templo de Herodes sobreviveram? […] Peretz Reuven estuda as vigas removidas da Mesquita de Al-Aqsa para revelar a história do Templo de Jerusalém.

Como vigas de madeira do tempo do Templo de Herodes acabaram sendo usadas como vigas de amarra e pranchas de ligação na Mesquita de Al-Aqsa?

A Mesquita de Al-Aqsa tem aguentado avarias de graves terremotos através dos anos devido a sua construção sobre os escombros da expansão do Templo de Herodes no primeiro século d. C. Como resultado, a Mesquita de Al-Aqsa tem sido reconstruída e renovada várias vezes desde sua construção original por Umayyad. Durante os anos 1930 e 1940, a restauração em grande escala da Mesquita de Al-Aqsa envolveu a remoção de dezenas de vigas do teto, arcadas e domo da mesquita. As grandes vigas, algumas das quais medindo mais de 12 metros, foram cobertas por bordas modernas por séculos.  A madeira dentro das vigas tem uma história mais longa para contar.

Cedro do Líbano de alta qualidade e vigas de cipreste do Templo de Herodes teriam sido usadas e reusadas num fenômeno conhecido pelos arqueólogos como “uso secundário”. A publicação de R. W. Hamilton em 1949 sobre a desmontagem da Mesquita de Al-Aqsa já notara que muitas vigas mostravam sinais de uso secundário. Estes sinais incluíam desnivelamentos funcionais ou saliências tendo em mente seus usos originais bem como estilos de talha decorativa de períodos anteriores.

Testes recentes de carbono 14 nas vigas confirmam sua antiguidade. Algumas datam de um período anterior ao do Templo de Herodes: Uma viga data do nono século a. C – o período do Primeiro Templo! A história exata das vigas é difícil de estabelecer. Elas foram provavelmente usadas em duas ou mais construções diferentes e o armazenamento precário tem levado a degradação cada vez mais rápida das vigas.


Apesar das questões de conservação, Peretz Reuven foi capaz de fazer análises detalhadas das vigas.  Por exemplo, as endentações sobre a superfície de uma viga com decorações do período herodiano/romano sugerem que ela repousou sobre capiteis de coluna numa estrutura anterior.  As endentações estão espaçadas em um intervalo similar às colunas da Stoa Real de Herodes [...].

Traduzido e editado por Clacir Virmes Junior.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Cedro do Líbano – A Árvore Preferida da Marcenaria e Carpintaria Antigas


A famosa árvore de cedro do Líbano foi largamente usada na construção de templos, palácios e navios marítimos antigos, incluindo o Templo de Salomão e o assim chamado "Barco de Jesus". Mas o que exatamente fez suas pranchas tão importantes para a carpintaria e marcenaria antigas?
No mundo bíblico, as árvores conhecidas como cedro do Líbano (Cedrus libani) eram muito procuradas como excelente fonte de madeira para a marcenaria e carpintaria antigas. A alta qualidade da madeira, o aroma agradável e a resistência contra tanto o apodrecimento quanto os insetos fez dela uma material de construção popular para templos, palácios e navios marítimos, do famoso Templo de Salomão até o assim chamado "Barco de Jesus” do primeiro século d. C. Hoje, as árvores de cedro do Líbano crescem principalmente no Líbano e no sul da Turquia, e alguns são encontrados no Chipre e na Síria. Como a Bíblia esclarece, a valiosa madeira tinha de ser importada para o antigo Israel.

O rei fenício Hirão de Tiro enviou cedro do Líbano, carpinteiros e marceneiros para Jerusalém para construir um palácio para o Rei Davi (2 Samuel 5:11). Da mesma maneira, Hirão providenciou cedros e artesãos para o Rei Salomão para a construção de seu próprio palácio bem como do Templo em Jerusalém (2 Crônicas 2:3, 7; 1 Reis 5:20). A Bíblia também nos informa que as pranchas de cedro do Líbano eram comumente transportadas pelo mar. O livro de Esdras reporta que as pranchas eram rebocadas para a costa fenícia e então navegavam para Jafa para serem transportadas para Jerusalém (Esdras 3:7).

A madeira do cedro do Líbano era também popular para a marcenaria e carpintaria antigas e para a construção de navios porque é facilmente trabalhada e moldada, se adapta com o mínimo de encolhimento ou distorção e resiste ao apodrecimento na água salgada melhor do que a maioria dos tipos de madeira. No antigo naufrágio do promontório de Uluburn da Turquia, quase todas as placas dos cascos eram feitas de cedro do Líbano. Este naufrágio do fim do 14º século a. C. continha uma carga de metais preciosos, joias, marfim, ébano e outros materiais valiosos, sugerindo que provavelmente era um carregamento real.

Apesar de não ter sido usado pelo próprio Jesus, o assim chamado “Barco de Jesus”, datado do primeiro século d. C., é muito similar aos barcos que Jesus e seus discípulos teriam usado para cruzar e pescar no Mar da Galileia. A análise mostrou que pelo menos algumas das pranchas reusadas do barco foram feitas de cedro do Líbano.
Um dos naufrágios mais conhecidos de Israel também carrega evidência da antiga carpintaria com pranchas de cedro. O assim chamado “Barco de Jesus”, datado do primeiro século e recuperado do Mar da Galileia, foi construído principalmente por pranchas reusadas, algumas das quais foram feitas de cedro do Líbano. Conquanto o “Barco de Jesus” não possa ser ligado à vida de Jesus, eruditos acreditam que esse era o tipo de barco usado por Jesus e seus discípulos e suas muitas viagens sobre o Mar da Galileia.



Traduzido por Clacir Virmes Junior

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Apocalipse 10:11


Texto bíblico: “Então me foi dito: ‘É preciso que você profetize de novo acerca de muitos povos, nações, línguas e reis’ (Ap 10:11, NVI).

O verso 11 segue imediatamente à amargura do verso 10. O “profetize de novo” é de alguma maneira uma fonte de amargura para João. O verso 11 explica os versos 9 e 10.

A linguagem de muitos povos e nações e línguas e reis relembra listas similares no livro de Daniel (Dn 3:4, 7, 29; 4:1; 5:19; 6:25; 7:14). Há linguagem similar em Apocalipse 5:9, onde o cântico é cantado pelos anciãos e pelos quarto seres viventes declara que o Cordeiro resgatou todos os grupos de pessoas da terra. A lista paralela em Apocalipse 14:6 sugere que este verso antecipa a proclamação final do evangelho que encontramos aqui. Também antecipa a resposta do remanescente em Apocalipse 11:13, como veremos.

O “profetize de novo” antecipa o capítulo 11, onde há múltiplas referências aos profetas e a profetizar (Ap 11:3, 6, 10). Isso faz de Apocalipse 10:11 um texto bidirecional que forma o clímax da narrativa de Apocalipse 10:8-11 enquanto define o cenário para a narrativa de Apocalipse 11:1-13. O “profetize de novo” especificamente refere-se ao testemunho das duas testemunhas no capítulo 11 (versos 3, 6, 10).

A palavra traduzida por “acerca” ou “contra” é a palavra grega epi – “sobre, acerca, contra”. Mas Apocalipse frequentemente usa a língua grega com significados e sintaxe hebraica em mente. Enquanto a língua grega tem dúzias de preposições, o hebraico tem apenas três e elas precisam fazer todo o trabalho para todos os usos possíveis. A palavra grega epi aqui poderia ser equivalente às preposições hebraicas le ou lamed. Enquanto isso possa significar aquilo que epi representa, é mais frequentemente traduzido simplesmente por “para”. Assim o verso 11 provavelmente não indica que João deveria profetizar “acerca” de muitos povos, nações, línguas e reis, mas “para” eles. Este texto é paralelo a Mateus 24:14, onde o evangelho do reino deve ser pregado “em” (a palavra grega en ao invés de epi) todo o mundo. Como Apocalipse 10:7, esta é uma proclamação mundial do evangelho.

O “de novo” implica uma demora, tanto quanto havia uma em Apocalipse 10:7. João tinha razão de pensar que seu ministério estaria complete com a visão do Apocalipse. Mas ele fica desapontado, como ilustrado pelo impacto que comer o rolo teve sobre ele. No tempo do fim, o livro de João teria de profetizar novamente através do remanescente do tempo do fim. E este desapontamento imediato também previu outro desapontamento no fim das profecias de Daniel. Haveria um grupo de pessoas naquele tempo que pensaram que o fim viria, mas não veio. Não é no fim das profecias de tempo de Daniel, mas no tempo da sétima trombeta que o mistério de Deus será completamente terminado.

João tinha toda a razão de espera que a visão escrita de Apocalipse ajudaria a precipitar os eventos do Fim (Ap 1:3; 22:10). Mas neste verso ele é notificado de que a escritura permaneceria e faria seu trabalho mais necessário em algum tempo no futuro. Esta notícia é similar àquela que aparece no fim de Daniel (Dn 12:13). A amargura do estômago (Ap 10:9-10) pode refletir o desapontamento de João de que seu livro não traria o fim, pelo menos não imediatamente.

Há uma possível alusão a Jeremias 1:10, onde Jeremias recebe um chamado para o ofício profético e lhe é dito que seu ministério profético o colocaria sobre nações e reinos tanto para destruir quanto para construir. Uma vez que o domínio de Deus será universal no fim, uma proclamação global deve primeiro ocorrer (cf. Ap 14:7).

O conteúdo do “profetize de novo” é encontrado em Apocalipse 11:1-13. O capítulo 11 ainda é parte da sexta trombeta, o que inclui o tempo de ajuntamento para a batalha do Armagedom. Isso incluirá a proclamação final do evangelho (Mt 24:14; Ap 11:11-13; 14:7) e também a amargura da rejeição que muitos experimentarão ao proclamá-lo. Este evangelho do tempo do fim incluirá um reavivamento no estudo de Daniel (Ap 10:5-7), ênfase no Apocalipse (Ap 10:11), e uma mensagem sobre a restauração do templo celestial (Ap 11:1-2) e o juízo final (Ap 11:12-13). Depois do fim das profecias de tempo de Daniel (mencionado em Ap 11:2-3) as duas testemunhas são mortas, ressuscitadas depois de três dias e meio e ascendem ao céu, de acordo com a ressurreição e ascensão de Cristo (Ap 11:3-13). O destino destas duas testemunhas mártires parece ilustrar a amargura de comer o rolo. O próprio rolo são boas novas mas traz tempos ruins.

Fortes paralelos entre Apocalipse 11 e Apocalipse 13 e 14 (veja as especificidades destes paralelos no material sobre as duas testemunhas em Apocalipse 11:3-6) sugerem que Apocalipse 13 e 14 elaboram sobre os eventos do capítulo 11. Ali também há uma proclamação final do evangelho (Ap 14:1-12) juntamente com a perseguição do povo de Deus através do curso da história cristã (Ap 13:5-7, 15-18). Assim o “profetize de novo” de João está elaborado não apenas no capítulo 11, mas na segunda metade do Apocalipse. Esta elaboração adicional se demonstrará estender-se através dos capítulos 12-22. Isso significa que a frase inclui não apenas o papel do Livro do Apocalipse no fim, mas todo o trabalho do remanescente  de Deus do fim do tempo (Ap 12:17).

Reflexão sobre Apocalipse 10 da Perspectiva Adventista do Sétimo Dia: Os pioneiros adventistas, começando com Guilherme Miller, reconheceram a alusão a Daniel em Apocalipse 10:5-7 e viram, a princípio, uma proclamação da Segunda Vinda em Apocalipse 10:6. Quando isso não aconteceu, a experiência foi amarga e , como resultado, muitos abandonaram o movimento adventista. Mas com a passagem do tempo esperado em 1843-1844, alguns reconheceram a demora implícita nos versos 7 e 11 e descobriram que o foco da passagem era o Tempo do Fim ao invés da própria Segunda Vinda. Apocalipse10:5-7, portanto, profetizou um período de tempo continuando desde o fim das profecias de tempo de Daniel (para eles, 1798-1844) até o fim da provação. Durante aquele tempo, os fieis estudantes do Apocalipse proclamariam o evangelho eterno (Ap 10:7) no contexto dos livros de Daniel e Apocalipse (Ap 10:5-7, 11) e também no contexto da mensagem sobre o templo celestial  (Ap 11:1-2). Assim esta passagem era o núcleo básico para a convicção adventista de que estamos vivendo num tempo especial e proclamando uma mensagem especial no fim da história da terra.

Algumas lições espirituais desta passagem: 1) A demora do fim é dolorosa (Ap 10:10) mas não significa que Deus não está mais no controle. A profecia nos ensina que Deus previu a demora e que Ele não é tomado de surpresa. Paz estável e duradoura está disponível para aqueles que confiam que o Deus que está no controle da história quer apenas o bem para nós, mesmo que o jeito desse bem pareça confuso e mesmo doloroso. Uma mensagem subjacente da profecia é que Deus está do nosso lado. 2) A proclamação final do evangelho gerará oposição da parte daqueles que rejeitam esse evangelho. Isso pode ser uma experiência amarga e azeda por um tempo, mas o evangelho triunfará no fim. Outra mensagem subjacente da profecia é que Deus vence! E se Deus vence, aqueles que confiam nele também vencerão.

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Apocalipse 10:9-10


Texto bíblico: “Assim me aproximei do anjo e lhe pedi que me desse o livrinho. Ele me disse: ‘Pegue-o e coma-o! Ele será amargo em seu estômago, mas em sua boca será doce como mel’. Peguei o livrinho da mão do anjo e o comi. Ele me pareceu doce como mel em minha boca; mas, ao comê-lo, senti que o meu estômago ficou amargo” (Ap 10:9-10, NVI).

O rolo na mão do anjo é oferecido como comida para João. Seu gosto é doce como mel mas o deixa com dor de estômago. Há uma clara alusão aqui a Ezequiel 2 e 3, onde há uma referência a um rolo (que estava cheio de luto e dor) que é desenrolado diante do profeta. Mas, apesar do seu conteúdo, quando Ezequiel come o rolo ele tem sabor doce como mel em sua boca. Apesar de o rolo não tornar o estômago dele amargo, como é o caso aqui, a missão associada com o rolo traz amargura para Ezequiel (Ez 3:14). O conteúdo do rolo em Ezequiel envolve os juízos de Deus contra a casa de Israel. O “luto e dor” do rolo de Ezequiel pode sublinhar o fato de que Apocalipse 10 é parte da sexta trombeta, que é o Segundo ai de Apocalipse 8:13 (cf. Ap 9:12; 11:14).

Um paralelo adicional significativo é encontrado em Jeremias 15:16-17. Jeremias “come” as palavras do Senhor e elas se tornam gozo e alegria em seu coração, mas logo no verso seguinte sua alegria finda e ele fica sozinho. Depois ele se torna ridículo por causa das palavras que Deus lhe deu para apresentar (Jr 20:7-8). Esta é uma alusão possível, mas não é tão clara como a referência em Ezequiel. Enquanto Ezequiel é constantemente referenciado através do Apocalipse, Jeremias é muito menos.

Qual o significado da alusão a Ezequiel 2 e 3? Como notado antes, Apocalipse 10 é um interlúdio paralelo a Apocalipse 7. Ambas as passagens lidam com o povo de Deus. Em Apocalipse 7 eles estão sendo selados, o que representa a proteção de Deus durante as pragas do tempo do fim. A situação é mais confuso em Apocalipse 10. O chamado final do evangelho (Ap 10:7) sai para um povo que tem sido rebelde contra Deus. Assim a proclamação final do evangelho está no contexto de uma grande apostasia e é uma oportunidade final de voltar e estar do lado de Deus quando o Fim chegar.  A proclamação final do evangelho é tanto para os cristãos nominais como àqueles fora da comunidade. É um chamado para restaurar aquilo que uma vez foi possuído, mas agora está perdido.

Apesar de haver muitos paralelos entre esta passagem e Ezequiel 2 e 3, há também um grande contraste, que demonstra o uso criativo de Ezequiel por parte de João. Em Ezequiel 3:4-11 é dito para Ezequiel que ele está sendo enviado para a casa de Israel e não para outras nações, em parte porque ele está familiarizado com a língua. Mas em Apocalipse 10:11, o profetizar de João é especificamente estendido aos povos gentios e nações com todas as suas diferentes línguas.

Este chamado do evangelho no contexto de uma apostasia forma o cenário para Apocalipse 14-18. Ali encontramos dois chamados para o povo de Deus sair de Babilônia (14:8; 18:4), que é um oponente de Deus com uma face cristã (cf. comentários sobre Ap 14:8 e 17:1-5). Também encontramos um selamento do povo de Deus (Rev 14:1).

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Apocalipse 10:8


Texto bíblico: “Depois falou comigo mais uma vez a voz que eu tinha ouvido falar do céu: ‘Vá, pegue o livro aberto que está na mão do anjo que se encontra de pé sobre o mar e sobre a terra’” (Ap 10:8, NVI).

Até este ponto no livro João tem sido relativamente passive em relação as visões que tem recebido. Mas neste verso e até os versos iniciais do capítulo 11 ele começa a ter um papel ativo em suas profecias. João toma o rolo da mão do anjo, come-o e então recebe uma vara para medir o templo que lhe é mostrado. Os profetas frequentemente realizam ações simbólicas. Entre aqueles que na Bíblia fizeram isso estão Ezequiel (Antigo Testamento) e Ágabo de Cesareia (Livro de Atos).

A “a voz do céu” do verso 4 retorna aqui. Não é a voz do poderoso anjo. Em Apocalipse 10:8-11 João interage com a voz primeiro e então com o anjo que segura o rolo (Ap 10:8-9). O falante passivo de Apocalipse 10:11 em diante não é especificado. É presumivelmente a mesma voz do céu,  mas pode ser, possivelmente, o poderoso anjo que segura o rolo aberto. A escolha provavelmente não faz diferença para a interpretação de Apocalipse 10:11-11:13.

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

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sábado, 30 de março de 2013

Apocalipse 10:5-7


Texto bíblico: “Então o anjo que eu tinha visto de pé sobre o mar e sobre a terra levantou a mão direita para o céu e jurou por aquele que vive para todo o sempre, que criou os céus e tudo o que neles há, a terra e tudo o que nela há, e o mar e tudo o que nele há, dizendo: ‘Não haverá mais demora! Mas, nos dias em que o sétimo anjo estiver para tocar sua trombeta, vai se cumprir o mistério de Deus, da forma como ele o anunciou aos seus servos, os profetas’” (Ap 10:5-7).

É comum na tradição adventista do sétimo dia ver o soar da sétima trombeta como o início do juízo “investigativo”, a avaliação final de todos os que viveram sobre a terra, depois do que a provação se encerra para a raça humana. Mas os mesmos adventistas também têm visto o juízo investigativo como começando ao fim das profecias de tempo de Daniel, o tema de Apocalipse 10:6. Mas Apocalipse 10:6-7 separa o fim das profecias de tempo de Daniel do início da sétima trombeta, assim ver Apocalipse 11:15-18 (o conteúdo da sétima trombeta) como ocorrendo antes do final da provação não funciona exegeticamente. É como se você não pudesse ter os dois. E Ellen White parece concordar com a maneira como tenho interpretado Apocalipse 10:6-7 aqui. Portanto, eu veria a sétima trombeta como julgamento executivo ao invés de investigativo, o tempo de recompensar tanto justos como injustos no Fim e isso seria apropriado para o tempo depois do final da provação.

Sumarizando, há três eras a que se faz referência nesta passagem e elas são elaboradas em Apocalipse 11: as profecias de tempo de Daniel (cf. Ap 11:1-6), o tempo do fim (cf. Ap 11:7-13) e o tempo da sétima trombeta (Ap 11:15-18).

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

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terça-feira, 26 de março de 2013

Apocalipse 10:7


Texto bíblico: “Mas, nos dias em que o sétimo anjo estiver para tocar sua trombeta, vai se cumprir o mistério de Deus, da forma como ele o anunciou aos seus servos, os profetas” (Ap 10:7, NVI).

Há uma dica neste verso sobre a demora da segunda vinda. O anjo diz: “Não haverá mais demora [tempo]! Mas, nos dias em que o sétimo anjo estiver para tocar sua trombeta, vai se cumprir o mistério de Deus” (Ap 10:6-7). Os mileritas imaginaram que a vinda de Jesus estava perto porque as profecias de tempo tinham acabado. Mas o fim não veio. Mesmo que não houvesse mais tempo, seria apenas nos dias do sétimo anjo que o fim viria.

Está claro pelo texto que a sétima trombeta soa bem na última parte da história da terra. Quando o sétimo anjo estiver para tocar, o mistério de Deus será cumprido-terminado. O soar da sétima trombeta, contudo, não ocorre até Apocalipse 11:15. A ideia do “mistério de Deus” tem sua raiz em Daniel, onde Deus revela para Nabucodonosor mistérios com relação ao futuro que estivera oculto para os sábios de Babilônia (Dn 2:27-29, 44-45; cf. Am 3:7). A expressão está espalhada pelo Novo Testamento. É uma mensagem trazida ao mundo através de Cristo (Rm 16:25-26), equivalente ao evangelho (Cl 1:25-28; cf. Ef 6:19). Através do evangelho, a porta do céu foi aberta para todos, incluindo tanto judeus quanto gentios (Ef 3:3-6; 1Tm 3:16).  Este conceito de mistério é ilustrado pelo rolo selado em Apocalipse 5, que é aberto para ser visto no Livro do Apocalipse, mas permanece fechado para aqueles que rejeitam as revelações de Deus. A completa, visível e final revelação do “mistério de Deus” ocorrerá na consumação final (Ap 11:15-18; 20:11-15).

A associação entre o mistério e o evangelho é confirmada pelo verbo “anunciou” em Apocalipse 10:7, que é a forma verbal do substantive traduzido por “evangelho”. Apocalipse 10:7, portanto, descreve uma grande proclamação final do evangelho logo antes do soar da última trombeta, ao mesmo tempo que os ímpios estão se preparando para o Armagedom (Ap 9:13-21; cf. Ap 16:13-16). Esta proclamação final corresponde ao primeiro anjo voando no céu proclamando o evangelho eterno (Ap 14:6-7). A proclamação final do evangelho é feita à luz das profecias de tempo no livro de Daniel.

Há 17 referências aos “servos, os profetas” no Antigo Testamento. A mais interessante delas é Amós 3:7, onde isso está ligado à ideia de um leão rugindo. Isso levanta a possibilidade de um leve paralelo estrutural com Amós 3 em Apocalipse 10:3-7. Isso poderia sublinhar o foco na profecia bíblica em Apocalipse 10.

Esta proclamação final do evangelho chega ao fim logo antes de o sétimo anjo tocar sua trombeta. Assim o soar da sétima trombeta assinala o fim da provação humana e um irreversível início dos eventos finais. O evangelho tem sido apresentado por “Seus servos, os profetas” (Am 3:7-8) por 2.000 anos, mas nos últimos dias da história da terra será proclamado no contexto da profecia bíblica. Por isso o estudo do Apocalipse é importante hoje.

O “mistério de Deus” aqui não apenas retrata a proclamação final do evangelho, mas estabelece sua contrafação, o “mistério” de Babilônia, que é claramente  expresso em Apocalipse 17:6. Assim a proclamação final do evangelho ocorrerá em conflito com uma contrafação do evangelho (cf. Ap 13:7; 16:13-14).

Comentário de Ellen G. White sobre essa passagem: “Esse tempo, que o Anjo mencionou com solene juramento, não é o fim da história deste mundo, nem do tempo de graça, mas do tempo profético, que precederia o advento de nosso Senhor. Ou seja, o povo não terá outra mensagem com tempo definido. Após o fim desse período de tempo, que vai de 1842 a 1844, não pode haver um traçado definido de tempo profético. O mais longo cômputo chega ao outono de 1844” (Cristo Triunfante [MM], p. 343).

Não sabemos quando Jesus virá, mas Apocalipse 10 sugere que já entramos no período da história quando Sua vinda está especialmente próxima, “o tempo do fim”. Em tempos como esses, a decisão torna-se mais importante: não há tempo para demora ou indecisão. Dito isto, contudo, devemos notar que Deus tem sempre descrito o fim como próximo (Ap 1:3). Cada geração necessitou saber que Jesus estava voltando em breve para que elas levassem a sério suas oportunidades de decisão. Mas a Palavra de Deus sempre conteve as sementes de um significado mais profundo. Os discípulos esqueceram as pistas de que o tempo continuaria e pensaram que a cruz e a ressurreição seriam o fim do mundo (At 1:6-7).

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

sexta-feira, 22 de março de 2013

O Projeto "The Record Keeper"

O projeto "The Record Keeper" é uma iniciativa da Associação Geral para chamar a atenção das pessoas para o livro "A Grande Esperança" que tem sido espalhado pelo Brasil e no mundo nos últimos anos. Trata-se de uma minissérie em 11 capítulos que conta a história do grande conflito desde a perspectiva dos anjos.

Para saber mais sobre o projeto, leia a entrevista realizada por Daniel Gonçalves, jornalista e locutor na Rádio Novo Tempo em Florianópolis, aqui. A entrevista foi traduzida por minha esposa, Daniella e por mim. Lá você também pode assistir ao episódio piloto dublado (não se preocupe, as primeiras falas são mesmo em espanhol. Leia a entrevista e saiba por que). Abaixo, você pode ver o epísodio piloto original.

Apocalipse 10:6


Texto bíblico: “e jurou por aquele que vive para todo o sempre, que criou os céus e tudo o que neles há, a terra e tudo o que nela há, e o mar e tudo o que nele há, dizendo: "Não haverá mais demora!” (Ap 10:6, NVI).

Alguns eruditos têm sugerido que este verso alude a Êxodo 20:11, o quarto mandamento do Decálogo, que lida com o sábado. A mesma construção é utilizada em Apocalipse 14:7, que claramente alude a Êxodo 20:11 (veja detalhes em relação a esse verso). Mas neste verso, João usa uma palavra grega para “criou”, ktizô ao invés de poieô, assim o paralelo não é tão forte ou crítico como é em Apocalipse 1:7. É interessante que um paralelo direto ao fraseado deste verso pode ser encontrado nas adições a Daniel 4:37 que é encontrado na literatura apócrifa. Se João estava familiarizado com estas adições, pode haver uma alusão à humilhação de Nabucodonosor aqui, mas não penso que este seja o caso.  A forte alusão à Daniel 12 tem proeminência como pano de fundo. Outro paralelo improvável é Atos 4:24.

Muitos intérpretes, incluindo Guilherme Miller, tomaram o anúncio angélico como significando o fim do mundo. Mas eles passaram por alto duas coisas: 1) em Daniel as profecias de tempo não levam ao fim do mundo, elas levam ao “tempo do fim”; 2) isso deveria ter sido evidência suficiente, mas Miller também esqueceu o “mas” em Apocalipse 10:7, como veremos. O verso 7 tornará claro que o tempo continua depois do anúncio do anjo no verso 6

Publicado originalmente por Jon Paulien.

Traduzido por Clacir Virmes Junior.

Nota: Para saber um pouco mais sobre esse comentário, leia aqui.

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