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domingo, 2 de maio de 2010

Indicação de Livro: A Vocação Espiritual do Pastor

Bibliografia: Peterson, Eugene. A Vocação Espiritual do Pastor: Redescobrindo o Chamado Ministerial. Traduzido por Carlos Osvaldo Cardoso Pinto. São Paulo: Mundo Cristão, 2006.

Sinopse: “Pastores também são gente – mesmo quando se esquecem disto.

“A última pessoa de quem se espera ouvir falar de crise pessoal é o pastor. A imagem que se forjou do sacerdote em séculos de história cristã aponta para uma figura praticamente imaculada, imune a vacilações, tão sólida em suas estruturas internas quanto o próprio Cristo. Na prática, porém, suas fragilidades se revelam – às vezes, em episódios cruciais para seu ministério. Em certo momento da vida, o pastor Eugene Peterson passou por este conflito. Descobriu que, ao contrário do que pensava, sua identidade como ‘crente’ e sua vocação como ‘pastor’ não andavam necessariamente de mãos dadas. Viu-se diante do que chamou ‘grande abismo’, numa alusão a Lucas 16:26. E foi naquele momento que clamou a Deus e redescobriu a espiritualidade própria do chamado que recebera.


“A vocação espiritual do pastor, publicado anteriormente pela United Press sob o título À sombra da planta imprevisível, é o relato dessa experiência decisiva, que Peterson compartilha a partir de uma reflexão sobre a personalidade de Jonas e a contenda que travou com sua vocação. Com a autoridade adquirida em anos de prática e uma bagagem acadêmica considerável, Peterson desconstrói mitos e resgata a essência do chamado pastoral, abordando questões que envolvem o labor ministerial e a espiritualidade toda própria que ele pressupõe” (Fonte:
Mundo Cristão).

Comentário: Peterson utiliza-se da história de Jonas para fazer um chamado especial aos pastores. No meio da correria dos afazeres ministeriais, é fácil perder o foco na espiritualidade do trabalho pastoral. O autor, então, faz um alerta e um convite a que os pastores redescubram a espiritualidade até mesmo nos mínimos detalhes de seu labor.

Em alguns momentos, a leitura do texto pode parecer bem densa, mas é recompensador tentar seguir a linha de raciocínio de Eugene Peterson. Uma das primeiras admoestações feitas por ele é a de que o pastor não busque para si os melhores lugares, pois eles nem sempre são os melhores para ele. Se confiarmos que Deus é quem guia o ministério, qualquer lugar para onde ele nos chamar será o melhor lugar para estarmos. Sei que isso é fácil de falar e difícil de viver, todavia esta é a melhor maneira de encarar o chamado ministerial.

Depois, o autor chama a atenção para a sobrecarga de atividades que o pastor tem e que podem ceifar-lhe a verdadeira espiritualidade e seu primeiro ministério: a família. Peterson desenterra um conselho antigo, porém muito necessário em nossos dias: delegue. Não é possível ser pastor sozinho. É preciso contar com as lideranças locais para que o pastor possa ter tempo de ser pastor para sua família, em primeiro lugar, e pastor para sua igreja.

Em seguida, o autor fala sobre a prática das disciplinas espirituais como meios manter o contato com Deus. De maneira especial, ele fala sobre a oração e como podemos aprender a orar com o livro dos Salmos. Uma das coisas mais interessantes que ele diz é que nem todas as disciplinas espirituais servem para um mesmo dia ou para uma mesma ocasião. Há ocasiões em que é necessário ler mais a Bíblia do que orar; em outras, isso é totalmente o inverso. Às vezes é preciso agir e às vezes é preciso calar-se. O discernimento espiritual é saber quando nos utilizarmos de cada recurso que Deus colocou à nossa disposição.

No quarto capítulo, Eugene Peterson fala do ministério sob dois aspectos: geográfico e escatológico: geográfico, porque ocorre em um lugar específico, com pessoas específicas, num tempo específico; escatológico, porque o ministério precisa chamar as pessoas de seu estado e elevá-las a um plano melhor. Em suma, o autor urge-nos a apreciar o lugar onde e as pessoas para as quais desenvolvemos nosso ministério sem cairmos na ilusão de que tudo está pronto e que nenhuma mudança é necessária.

Por fim, o autor chama os leitores a desenvolverem a prática da direção espiritual, ou seja, a capacidade de enxergar as pessoas com os olhos da fé, perceber que elas também podem nos edificar espiritualmente. Além disso, a direção espiritual pressupõe discernimento para se saber quando ler uma passagem bíblica, quando orar e quando apenas ouvir uma pessoa contar seu testemunho de como Deus tem agido em sua vida. É um chamado para ouvir a voz do Espírito em cada detalhe da vida ministerial.

Gostei muito deste livro. Tenho outro, do mesmo autor, que está na fila para ser lido em breve. Com sua leitura, penso que descobri porque o Pr. Luis Nunes, meu professor no seminário, instou conosco para que lêssemos as obras de Dostoiéviski. Recomendo a todos os que já se engajaram na obra ministerial e a todos que, como eu, se preparam para tal.
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