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domingo, 25 de abril de 2010

Éfeso: Um Estudo Histórico-Cultural e Contextual - Parte 5

Aplicação Pessoal

Éfeso era uma cidade grande, uma metrópole. Apesar de sua população, comparada com as grandes cidades de hoje, ser muito inferior, para os padrões da época de seu apogeu, ela era uma São Paulo de seus dias. Paulo escolheu esta cidade como seu eixo missionário para uma região inteira, além de visualizar nela oportunidades únicas de espalhar o evangelho para outras partes do Império Romano.

Podemos extrair desse fato alguns importantes princípios missiológicos. Primeiro, as cidades grandes devem ser alvo dos esforços evangelísticos por sua capacidade de disseminação da mensagem. Por serem conglomerados humanos, o esforço em evangelizar uma grande cidade tem potencial para atingir um grande número de pessoas.

Segundo, as cidades grandes “merecem” ser evangelizadas. Há pessoas lá que, por força das dinâmicas econômicas e sociais, não têm outro lugar para se fixar e conseguirem um meio de subsistência. Mesmo que o ambiente das cidades incentive os mais terríveis crimes e práticas, é lá que as pessoas estão e é lá que precisamos estar para “salgar” suas vidas.

Terceiro, inevitavelmente, em algum momento, o evangelho confrontará os costumes locais. Pode ser que a igreja e seus líderes, por causa disso, sofram algum tipo de perseguição. Mas os verdadeiros cristãos não devem e não precisam demover-se de sua posição. Deus trará, à Sua maneira, o livramento de tais situações e as usará como instrumentos evangelísticos.

Por fim, o fato da religião de Éfeso ter um caráter missionário deve fazer-nos pensar que, ao mesmo tempo em que o povo de Deus se mobiliza e traça planos para alcançar as pessoas, outras ideologias, outras teologias, outros credos, também têm desenvolvido estratégias para espelhar suas idéias. Isso deveria, além de outros fatores, ascender em nós o senso de urgência para cumprir a comissão a nós confiada.

Conclusão

Dedicou-se neste breve estudo a analisar-se a cidade de Éfeso desde ponto de vista histórico-cultural e contextual. Discutiu-se brevemente sua localização, sua história, os principais pontos da cidade e sua religião; ao final, procurou-se, a partir do estudo realizado, tirar algumas lições especiais e aplicá-las a vida devocional. Buscou-se destacar as informações mais pertinentes ao estudo do ministério de Paulo nesta cidade, conforme descrito em Atos e nas epístolas de sua autoria.

domingo, 18 de abril de 2010

Éfeso: Um Estudo Histórico-Cultural e Contextual - Parte 4

A Religião de Éfeso

Como todos os centros comerciais, Éfeso provia uma atmosfera cosmopolita, combinando as culturas grega e romana. A cidade também era um centro de adoração e atraía grande número de peregrinos e seguidores religiosos.[1]

O culto de Ártemis em Éfeso era anterior ao povoamento grego em Éfeso; o próprio nome Ártemis não é grego. A deusa era tradicionalmente venerada como protetora das criaturas selvagens. Essa associação com as criaturas selvagens sobreviveu, de uma forma alterada, em sua adoração em terras gregas como “a rainha e caçadora, vigem e justa.” A Ártemis de Éfeso, por outro lado, parece ter adquirido algumas características da grande deusa-mãe venerada desde o tempo imemorial na Ásia Menor.[2]

Segundo Fant e Reddish, os nativos adoravam a deusa Cibele. Os colonos gregos assimilaram a religião regional e identificaram Cibele com a deusa grega Ártemis, a caçadora virgem. Os romanos, posteriormente, identificaram Ártemis com Diana.[3]

Ártemis era uma antiga deusa de associações mistas. Ela estava identificada com a fertilidade e nascimento. Mesmo que fosse adorada muito tempo antes da dominação grega ou romana, seu culto eventualmente se fundiu com sua contraparte romana Diana, sendo conhecida como a deusa da caça e da lua.[4]

Éfeso tornara-se um ponto de miscigenação racial, um centro comercial cosmopolitano do Império, e um campo de batalha religioso. De acordo com Couch, a divindade ali adorada, antes de se tornar conhecida como Ártemis, era a Astarote dos fenícios. Independente da versão, essa deusa da fertilidade era adorada com prostituição legalizada, subsídios comercializados e um maravilhoso templo.[5]

O culto a Ártemis era marcado por zelo missionário e se espalhou para o ocidente. A deusa competiu com o cristianismo primitivo em sua missão universal, provendo até mesmo revelação por sonhos para o crescimento do seu culto. Lucas descreve a missão em Éfeso como sendo inspirada por sonhos e visões (Atos 2:17; 9:10; 10:10; 16:9; 18:9; 23:11).[6]

A idolatria e a imoralidade eram tão más em Éfeso que a cidade foi apelidada de arch paganismi, “o cúmulo do paganismo.” O Templo de Ártemis iniciou um badalado centro de manufatura de ídolos. Prostitutas e pornografia eram o próximo item básico oferecido aos peregrinos e turistas.[7]

Para os efésios, o templo e a adoração à Ártemis representavam oportunidades econômicas tanto quanto orgulho cívico.[8] Éfeso também era um centro de aprendizado e prática de artes mágicas e práticas ocultas.[9] O povo acreditava em amuletos, poções, palavras mágicas e feitiços.[10]

Mesmo entre os efésios praticantes de magia o evangelho provou seu poder. Muitos deles acreditavam, e vieram até Paulo e seus companheiros missionários, confessando seus sortilégios e revelando seus feitiços. De acordo com a teoria mágica, a potência de um feitiço estava ligado ao seu segredo; se fosse divulgado, se tornava ineficaz. Então estes magos convertidos renunciaram seu poder imaginário ao tornar seus feitiços inoperantes. Muitos deles também reuniram seus papiros mágicos e fizeram uma fogueira com eles. Alguns desses rolos mágicos sobreviveram até nossos dias. A conexão especial de Éfeso com a mágica é refletida pelo termo “cartas dos efésios” para os rolos mágicos.[11]


[1] Knute Larson, I e II Thessalonians, I e II Timothy, Titus, Philemon, ed. Max Anders, Holman New Testament Commentary; Holman Reference (Nashville, TN: Brodman & Holman Publishers, 2000), 157.
[2] Bruce, The Book of Acts, 373-74.
[3] Fant e Reddish, A Guide to Biblical Sites in Greece and Turkey, 178.
[4] Larson, I e II Thessalonians, I e II Timothy, Titus, Philemon, 157.
[5] Couch, ed. A Bible Handbook to the Acts of the Apostles, 351-52.
[6] Barry J. Beitzel, ed. Biblica, the Bible Atlas: A Social and Historical Journey Through the Lands of the Bible (London: New Holland, 2007), 478.
[7] Couch, ed. A Bible Handbook to the Acts of the Apostles, 352.
[8] Larson, I e II Thessalonians, I e II Timothy, Titus, Philemon, 140.
[9] Bruce, The Book of Acts, 369.
[10] Larson, I e II Thessalonians, I e II Timothy, Titus, Philemon, 157.
[11] Bruce, The Book of Acts, 369.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Questão de Identidade

No último sábado, enquanto lia alguns números anteriores da revista Ministry, deparei-me com um artigo de Bruce Manners, pastor no Avondale College, em Cooranbong, Austrália, sobre a questão da identidade denominacional.[1] Ao mesmo tempo, surgia na comunidade “Jovens Adventistas do 7º Dia,” no Orkut, uma discussão sobre o novo livro de George R. Knight, “A Visão Apocalíptica e a Neutralização do Adventismo,” recentemente lançado no Brasil. E, como acontece com quase todo debate em qualquer comunidade do Orkut, o assunto passou das opiniões sobre o livro pra questão da identidade denominacional.[2]

Em vista disso, resolvo postar aqui algumas considerações sobre o assunto, com base nas discussões e no artigo citado.

“. . . [I]dentidade torna uma distinta igreja distinta. Identidade não é nada mais que limites e diferenças. A identidade de um indivíduo ou grupo é definida por aquilo que os torna diferentes dos outros.”[3] Esta citação faz parte da introdução do artigo. Não podemos fugir do fato de que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma igreja distinta das demais. Não o digo por ostentação nem por subserviência: isso é um fato mais do que demonstrado pela história e pelas conversações com nossos irmãos de outras denominações.

O Pr. Manners, em seguida, fala sobre o que aconteceu quando as igrejas congregacionalista, metodista e presbiteriana tentaram unir-se sob um único movimento, a Igreja Unida. Conforme o autor documenta, tal tentativa foi fracassada pois, mesmo com as melhores intenções, a questão da identidade “atrapalhou o meio de campo.” Visões distintas sobre várias questões, desde o batismo até aborto, esfacelaram os sonhos de união do movimento.
Em seguida, usando uma metáfora cunhada por Alden Thompson, o autor compara a igreja a um castelo, como segue:
Imagine a congregação ou denominação como um castelo. [...] A torre central[4] é a fortaleza interior, o mais seguro e protegido lugar do castelo onde as doutrinas nucleares aceitas por todos são encontradas. O pátio não é tão seguro quanto a torre central mas goza da proteção do castelo e permite mais liberdade. Aqui os adventistas discutem o significado do que está na torre central e ponderam se algo novo poderia ser acrescentado ou algo velho tirado. Os muros funcionam como o limite que separa a igreja do mundo. Os que estão fora do muro não fazem mais parte da comunidade.[5]
O autor sugere, mais a frente, que outras coisas podem estar na torre central do castelo, mas que, o que quer que lá esteja, é essencial para a denominação. Além disso, o que está na torre central pode mudar com o tempo, talvez não em essência, mas na compreensão mais apurada da doutrina, pois a verdade é progressiva e se desdobra sobre a verdade já revelada. Contudo, a torre central não é tudo. Outras coisas contribuem para a identidade. O que está no pátio (estábulos, casas, fundição) é importante também para a vida do castelo-igreja. E, alguns ensinos serão distintivos e terão um grande impacto sobre a comunidade.

Nesse ponto, o autor sinaliza que a história de uma congregação/denominação também terá impacto sobre sua identidade. Até mesmo a localização de uma igreja terá influência sobre sua identidade, mesmo que ela não seja congregacionalista. Além disso, com o passar do tempo, coisas antigas estarão buscando um espaço com coisas novas. Armaduras serão usadas com coletes de kevlar, espadas ao lado de fuzis, gamelas ao lado de panelas de pressão, prensas de tipos móveis ao lado de impressoras laser. “O que está na torre central sempre será importante, mas a identidade completa é muito maior que a torre central.”[6]

O que isso tem a ver com a discussão na comunidade “Jovens Adventistas do 7º Dia”? Se compreendida desta maneira, vemos que a Igreja Adventista tem uma identidade muito peculiar, que é formada por sua torre central (na qual gostaria de incluir não somente o que é adventista no adventismo, o que é cristão no adventismo e o que é fundamentalista no adventismo)[7] e por seu pátio, onde os adventistas discutem como expressar o que está nesta torre central em seu cotidiano. Some-se a isso nossa herança protestante que enfatiza o estudo individual da Bíblia, a vastidão dos escritos de Ellen G. White (que, em vista de serem originalmente em inglês, nem todos tem acesso ao todo de sua obra) e toda nossa história e teremos um movimento complexo, com suas próprias nuances, e ainda assim distinto.

Algumas vezes, questões secundárias surgem no pátio. E algumas pessoas do pátio acham que isso afeta o que está na torre central, outras discordam, e outras ainda acham que deveria fazer parte do “tesouro” da torre. Essas ocorrências fazem parte do Castelo-Igreja-Adventista por causa de todos os fatores mencionados no parágrafo anterior. Além disso, não é nosso (adventista) privilégio ter esse tipo de ocorrência em nossas fileiras.

Assim, temos que (1) a torre central do Castelo-Igreja-Adventista, e seu “tesouro” teológico e (2) o pátio onde os adventistas discutem o tesouro da torre. Nosso relacionamento com todas estas partes do castelo é que fazem de nós o que somos. Para que a sobrevivamos a tensão torre-pátio, precisamos cada vez mais de discernimento espiritual, paciência espiritual e maturidade espiritual. Discernimento para proteger, avaliar e crescer no conhecimento do “tesouro”; paciência com aqueles que não têm (e, talvez, nunca tenham) ainda o mesmo discernimento que nós; e maturidade para encarar estas questões.


[1] Bruce Manners, "Reclaiming Chruch Identity in a 'Whatever' Society," Ministry, October, 2009, 20-22. Para acessar o artigo na íntegra, clique aqui.
[2] No caso, a identidade denominacional adventista.
[3] Manners, "Reclaiming Chruch Identity in a 'Whatever' Society," 20.
[4] Tradução da palavra keep. Segundo o Cambridge Advanced Learner's Dictionary, é a principal torre forte de um castelo. Em outras palavras, o lugar mais seguro do castelo.
[5] Manners, "Reclaiming Chruch Identity in a 'Whatever' Society," 21. Grifo do autor.
[6] Ibid., 22.
[7] Conforme George R. Knight, Em Busca de Identidade: O Desenvolvimento das Doutrinas Adventistas do Sétimo Dia, trad. José Barbosa da Silva (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2005).

domingo, 11 de abril de 2010

Éfeso: Um Estudo Histórico-Cultural e Contextual - Parte 3

Os Principais Lugares de Éfeso
O sucesso econômico da cidade se deveu principalmente a dois fatores: o templo de Ártemis e o porto. O templo de Ártemis recebia visitantes de todo o mundo, funcionava como uma espécie de banco e empregava muitas pessoas.[1] Além disso, Éfeso possuía o maior teatro ao ar livre de então, e uma famosa biblioteca, a Biblioteca de Celso.[2] Alguns desses lugares são descritos a seguir.

Biblioteca de Celso
Nenhum sinal de uma sinagoga foi encontrado em Éfeso e poucas inscrições judaicas foram descobertas. A presença judaica na cidade é atestada principalmente pela literatura. Josefo menciona várias vezes os judeus de Éfeso e seus privilégios, como liberdade religiosa e isenção do serviço militar.[3]

Durante o consulado de Dolabella, em 44 a. C., foram concedidos privilégios aos judeus, os quais foram posteriormente confirmados pelas autoridades civis e pelo imperador Augusto. Assim, deve ter existido uma grande colônia judaica na cidade.[4]

A Biblioteca de Celso só foi construída entre 105 e 107 d. C. Nela foram encontrados 12.000 papiros.[5] Ela está ligada ao nome de Celso, que foi oponente dos apologistas cristãos no 2º século d. C. Ela é importante, pois, em seus degraus, está entalhada a figura de um menorah,[6] indicando alguma presença judaica na cidade.[7]

Grande Teatro
Deve ter existido outras casas na rua principal de Éfeso, mas as únicas que foram escavas são as que ficam ao sul da cidade, próximas ao Grande Teatro. Essa região devia ter chamado muito a atenção de Paulo. Pela altura dos edifícios, o padrão de telhas vermelhas no teto e a ausência de janelas, Paulo notou que essas não eram casas baratas. Os terraços eram o sinal inequívoco de que eram residências individuais caríssimas.[8]

O Grande Teatro comportava 24.000 pessoas em 66 níveis de assentos. Apesar de estar em ruínas, sua acústica permanece intacta.[9] Seu diâmetro media 150 metros.[10] Foi para esse teatro que, os que contenderam contra Paulo por causa da doutrina cristã que estava afetando os negócios da cidade, se reuniram para discutir o problema (At 19:29).[11]

Alguns eruditos sugeriram que, desde que não foram encontradas estátuas de Ártemis em prata, Lucas deve ter errado no seu relato da revolta de Demétrio (Atos 19:23-38). Uma das razões é porque o foco dos arqueólogos têm sido as grandes construções e não as casas comuns das pessoas, onde tais estátuas provavelmente seriam encontradas. Além disso, objetos de prata seriam os primeiros a serem pilhados numa invasão.[12]

Templo de Ártemis
O impressivo tamanho e beleza do Templo de Ártemis eram internacionalmente reconhecido por seu lugar no cânon das sete maravilhas do mundo antigo.[13]

O Templo de Ártemis foi pela primeira vez construído no 6º século a. C. sob a direção de Kersifron no lugar onde anteriormente havia um centro de culto. Apesar de a cidade ter sido arruinada, a tradição concernente à Ártemis estabeleceu seu templo como o lugar mais santo do oriente do Mediterrâneo.[14]
O templo posterior tinha 128 m de comprimento, 73 m de largura e 18 m de altura. O teto era suportado por 117 colunas. A estátua de Ártemis no interior do templo era, pelo menos em parte, feita de um meteorito, o que explica a declaração de Atos 20:35.[15] Várias estátuas de Ártemis encontradas a descrevem como uma deidade feminina com muitos seios, símbolo de sua fertilidade e riqueza.

O Templo de Ártemis durou até 263 d. C., quando foi queimada pelos góticos e seus destroços foram usados para construção da Basília de São João e da Hagia Sofia, em Istambul.[16] A religião em Éfeso, que é o tema do próximo capítulo, estava intimamente ligada com este templo.



[1] Fant e Reddish, A Guide to Biblical Sites in Greece and Turkey, 178.
[2] Mal Couch, ed. A Bible Handbook to the Acts of the Apostles (Grand Rapids, MI: Kregel Publications, 1999), 352.
[3] Fant e Reddish, A Guide to Biblical Sites in Greece and Turkey, 179-80.
[4] Bruce, The Book of Acts, 355-56; D. R. W. Wood e I. Howard Marshall, New Bible Dictionary, 3ª ed. (Leicester, England; Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1996), 328.
[5] Fant e Reddish, A Guide to Biblical Sites in Greece and Turkey, 193-94.
[6] Palavra hebraica para candelabro. “Por causa da sua santidade era muito usada na arte da sinagoga, tanto na Palestina quanto durante a Diáspora, depois da destruição do Templo.” Avraham Negev, The Archaeological Encyclopedia of the Holy Land, 3ª ed. (New York: Prentice Hall Press, 1996).
[7] Borchert, "Ephesus," 2:116-17.
[8] Murphy-O'Connor, St. Paul's Ephesus, 192.
[9] Borchert, "Ephesus," 2:116.
[10] Elwell e Beitzel, BEB, 709.
[11] Finegan, The Archeology of the New Testament, 162.
[12] Borchert, "Ephesus," 2:117.
[13] Murphy-O'Connor, St. Paul's Ephesus, 188. As outras Maravilhas do Mundo Antigo eram: a Grande Pirâmide de Gizé, o Farol de Alexandria, a Estátua de Zeus em Olímpia, o Colosso de Rodes, o Mausoléu de Halicarnasso e os Jardins Suspensos da Babilônia, cf. Fant e Reddish, A Guide to Biblical Sites in Greece and Turkey, 178.
[14] Borchert, "Ephesus," 2:116-17.
[15] Wood e Marshall, New Bible Dictionary, 328.
[16] Finegan, The Archeology of the New Testament, 157.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Éfeso: Um Estudo Histórico-Cultural e Contextual - Parte 2

A História de Éfeso

Diz a lenda que a cidade de Éfeso foi fundada por amazonas, pois o lugar estava perto do local de nascimento da deusa da terra. Por volta de 1044 a. C. o rei Androcles conquistou a Ásia e estabeleceu Éfeso como uma das doze cidades da Confederação Jônica. Algum tempo depois, os gregos adotaram a divindade atribuída ao lugar e a deusa assumiu as características de Ártemis.[1]

Por volta de 560 a. C., Croesus da Lídia conquistou Éfeso e o ocidente da Ásia Menor. Sob seu governo, a cidade se moveu para o sul e um magnífico templo foi erigido para a adoração de Ártemis, o Artemision. Em 547 a. C. após a derrota de Croesus para Círo, Éfeso ficou sob o controle da Pérsia.[2]

Certa lenda conta que, em 356 a. C., na mesma noite em que Alexandre, o Grande, nasceu, o Artemision foi incendiado. Em 334 a. C., em sua campanha para conquistar o mundo, Alexandre chegou a Éfeso, onde encontrou os cidadãos reconstruindo o templo. O arquiteto, na ocasião, era Dinocrates, que, posteriormente, construiu a cidade de Alexandria. Alexandre se ofereceu para pagar as despesas da reconstrução, se ele pudesse ter seu nome na inscrição de dedicatória. Em tom “politicamente correto,” os efésios declinaram do pedido, alegando que não combinaria um deus (no caso, Alexandre) fazer uma dedicação a outro deus (Ártemis). Algum tempo depois, em 250 a. C., a reconstrução foi encerrada com as mesmas dimensões do anterior.[3]

Lisímaco, general e sucessor de Alexandre, mudou a cidade, em 287 a. C., para um lugar mais alto, entre o Monte Koressos e o Monte Pion, por causa da ameaça de enchente. Uma nova muralha foi construída, bem como novas ruas e um novo porto.[4]

Os romanos conquistaram a região em 190 a. C. com a ajuda do rei de Pérgamo. Por sua ajuda, a cidade de Pérgamo passou a ter o controle sobre Éfeso. Mais tarde, em 133 a. C., a Ásia toda foi dada como herança à Roma, e Éfeso foi eleita capital. A cidade se rebelou contra o império em 88 a. C., porém seu controle foi retomado em 41 a. C. pelo general Marco Antônio. Durante o reinado de César Augusto a cidade floresceu e só foi destruída definitivamente no 3º século pela invasão dos góticos.[5]

Tendo dedicado áreas sagradas para Roma e para César em 29 a. C., Éfeso gozou de grande prosperidade no 1º e 2º séculos d. C.[6] Durante este tempo, Éfeso era a terceira ou quarta maior cidade do Império Romano (perdendo apenas para Roma, Alexandria e talvez Antioquia), com uma população estimada em 225.000 a 250.000 pessoas.[7] A cidade ostentava orgulhosamente o título de primeira metrópole da Ásia.[8]

Infelizmente, nenhum dos escritores clássicos que escreveram sobre Éfeso menciona um único edifício, com a óbvia exceção do Artemísion (Templo de Ártemis).[9] Porém, a grandeza da cidade é evidente pelos restos descobertos pelos arqueólogos, incluindo o Templo de Ártemis, a ágora cívica, o templo de Domiciano, ginásios, banhos públicos, um teatro com lugar para 24.000 [pessoas], uma biblioteca, e uma ágora comercial, bem como várias ruas e residências privadas.[10] Algumas casas possuíam mosaicos no chão e paredes espelhadas. Duas dessas casas tinham banheiros quentes e muitas delas possuíam água corrente.[11] É sobre algumas dessas estruturas que o próximo capítulo fala.


[1] G. L. Borchert, "Ephesus," International Standard Bible Encyclopedia 2:116.
[2] Reddish, "Ephesus," 494.
[3] Finegan, The Archeology of the New Testament, 157.
[4] Charles H. Miller, "Ephesus," Harper's Bible Dictionary 270.
[5] Borchert, "Ephesus," 2:116.
[6] Miller, "Ephesus," 270-71.
[7] Segundo Hughes e Laney, a população pode ter chegado a 300.000 pessoas. Cf. Robert B. Hughes e J. Carl Laney, Tyndale Concise Bible Commentary, The Tyndale Reference Library (Wheaton, Ill.: Tyndale House Publishers, 2001).
[8] Fant e Reddish, A Guide to Biblical Sites in Greece and Turkey, 177-78.
[9] Murphy-O'Connor, St. Paul's Ephesus, 183.
[10] Reddish, "Ephesus," 494.
[11] Walter A. Elwell e Barry J. Beitzel, Baker Encyclopedia of the Bible (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1088), 710.

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