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domingo, 28 de março de 2010

Éfeso: Um Estudo Histórico-Cultural e Contextual - Parte 1

Nota: Esta pequena monografia foi desenvolvida para a disciplina de Atos e Epístolas, no primeiro semestre de 2010, ministrada pelo Pr. Charles Fabian.

Introdução

Éfeso é uma das mais importantes cidades do cenário bíblico do Novo Testamento. A primeira carta do Apocalipse é endereçada a igreja desta cidade (Ap 2:1-7). O apóstolo Paulo dedicou a congregação ali existente uma de suas cartas (Efésios). Dada sua proeminência e fato de ser citada 16 vezes em todo o Novo Testamento (8 vezes só no livro de Atos), dedica-se neste breve estudo a analisá-la do ponto de vista histórico-cultural e contextual. Discute-se brevemente sua localização, sua história, os principais pontos da cidade e sua religião; ao final, procura-se, a partir do estudo feito, tirar algumas lições especiais e aplicá-las a vida devocional. Buscou-se destacar as informações mais pertinentes ao estudo do ministério de Paulo nesta cidade, conforme descrito em Atos e nas epístolas de sua autoria.

A Localização de Éfeso

A antiga cidade de Éfeso localizava-se na costa ocidental da Ásia Menor,[1] no lugar onde o rio Caister desembocava no mar Egeu.[2] Durante o período romano, o mar chegava ao porto, próximo ao Grande Teatro. Segundo F. F. Bruce, já no tempo de Paulo o porto necessitava ser dragado de tempos em tempos por causa do depósito de sedimentos. Assim, por causa desse constante depósito, hoje, o sítio arqueológico está a mais de 5 km da costa.[3]
Ao norte da cidade está o rio Hermus e ao sul o rio Menderes, o que fazia com que ela tivesse fácil acesso aos seus vales, o que tornava sua localização estratégica.[4] A sudoeste, fica a famosa ilha de Samos.[5] A cidade estava cercada a leste pelo Monte Pion e ao sul pelo Monte Koressos.[6]

Éfeso era o ponto inicial da estrada que ia do Egeu até a parte oriental da Anatólia, o que, juntamente com seu porto, fez com que a cidade florescesse como centro comercial e de transporte.[7] Segundo Strelan, a cidade foi o νεωκόρος[8] tanto de Ártemis como do culto ao imperador. Os eruditos a tem reputado como o centro da missão de Paulo na região e o palco para sua missão mais bem sucedida entre os gentios.[9] Como Paulo precisasse de um lugar estratégico onde pudesse ter contato com suas igrejas recém-fundadas. Sua escolha recaiu sobre Éfeso. Não apenas era mais ou menos eqüidistante de suas igrejas na Acaia, Macedônia e Galácia, mas, como uma capital no início de um excelente sistema de rodovias e com um importante porto, ela lhe oferecia um excelente comunicação.[10]

Além disso, de todas as cidades mencionadas no Novo Testamento como tendo sido visitadas por Paulo, apenas Éfeso é mencionada no Apocalipse (2:1-7). Paulo visitou Éfeso em sua segunda e terceira viagens missionárias.[11] Como Éfeso chegou a se tornar tão importante? É sobre sua história que se demora o próximo capítulo.


[1] Ásia Menor, ou Anatólia, é a península situada entre o Mar Negro, ao norte, e o Mar mediterrâneo, ao sul, cf. Allen C. Myers, The Eerdmans Bible Dictionary (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1987), 96.
[2] Clyde E. Fant e Mitchell G. Reddish, A Guide to Biblical Sites in Greece and Turkey (New York: Oxford University Press, 2003), 177; Mitchell G. Reddish, "Ephesus," Holman Illustrated Bible Dictionary 494.
[3] F. F. Bruce, The Book of Acts, The New International Commentary on the New Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1988), 355; Jack Finegan, The Archeology of the New Testament: The Mediterranean World of the Early Christian Apostles (Boulder: Westview Press, 1981), 155.
[4] Finegan, The Archeology of the New Testament, 155.
[5] Fant e Reddish, A Guide to Biblical Sites in Greece and Turkey, 177.
[6] Finegan, The Archeology of the New Testament, 159.
[7] Fant e Reddish, A Guide to Biblical Sites in Greece and Turkey, 177.
[8] “Sacristão;  . . . título assumido por cidades asiáticas quando elas erigiam um templo em honra ao seu deus patrono ou ao imperador, como Éfeso.” Cf. Henry George Liddell e Robert Scott, A Greek-English Lexicon, 9ª ed. (Oxford: Clarendon Press, 1996), 1172. Em outras palavras, guardião ou, no caso, guardiã.
[9] Rick Strelan, Paul, Artemis, and the Jews in Ephesus (Berlin, New York: de Gruyter, 1996), 1.
[10] Jerome Murphy-O'Connor, St. Paul's Ephesus: Texts and Archaeology (Collegeville: Liturgical Press, 2008), 187.
[11] Fant e Reddish, A Guide to Biblical Sites in Greece and Turkey, 180.

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