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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Perguntas e Respostas: As Parteiras Hebréias

Pergunta: As parteiras hebréias mentiram ao Faraó? Como, pois, elas foram abençoadas por Deus?

Resposta: O texto que suscita essa pergunta é Êxodo 1:15-22 (tire um tempo e leia o texto em sua Bíblia). Em sua segunda tentativa de aniquilar os hebreus, Faraó chama Sifrá e Puá, parteiras hebréias, e lhes manda que, ao ajudarem no parto, verifiquem se a criança é do sexo masculino ou feminino. Se fosse menina, poderia ser deixada viva; se fosse, porém, menino, deveria ser morto. É dito que as parteiras “temeram a Deus” e não fizeram o que Faraó ordenara. Ao serem interrogadas pelo monarca, as parteiras apresentaram sua desculpa para o crescimento da população masculina entre o povo israelita: disseram que as mulheres hebréias, por serem fortes, conseguiam dar à luz antes mesmo de sua chegada (o que, para alguns, constitui-se numa mentira, embora o texto bíblico não deixe isso claro). Em seguida, o texto conta como estas parteiras foram abençoadas de maneira especial por Deus e o novo plano de Faraó para aniquilar os meninos hebreus.

Muitos têm reputado a resposta das parteiras como mentira e se perguntado como Deus pôde concordar com sua conduta abençoando-as. Gostaria de propor uma solução para este aparente problema com base em minha pesquisa sobre o assunto.

A população hebraica era mui numerosa, sendo esse um dos motivos para a perseguição iniciada por Faraó (Êxodo 1:9). Duas parteiras dariam conta do recado? O texto diz que Faraó chamara as parteiras hebréias das quais uma se chamava Sifrá e outra Puá. Portanto, havia outras parteiras. A política egípcia se organizava de tal maneira que cada setor da sociedade possuía um ou mais superintendentes. Faraó lidava com essas pessoas e não com todos os indivíduos de uma determinada classe. Assim, ao chamar Sifrá e Puá, o Faraó estava chamando as líderes de um grupo maior.[1]

É importante estabelecer esse fato, pois alguns comentaristas sugerem que a desculpa das parteiras seria plausível dado o fato de que eram apenas duas parteiras para todas as mulheres israelitas. Contudo, este não é o caso, conforme o texto deixa claro.

O verso 17 dá a motivação para a atitude das hebréias: elas temeram a Deus. Em outras palavras, sua atitude foi igual à de Pedro e os discípulos quando confrontados pelo Sinédrio para que não falassem sobre Jesus (Atos 5:29). Obedecer a Deus era mais importante, para Sifrá e Puá, do que obedecer ao Faraó.

Além disso, o verso 17 diz que elas não fizeram como o Faraó ordenara. Ou seja, fizeram outra coisa, menos obedecer ao monarca. Minha proposta é que leiamos o restante do texto à luz dessas duas premissas: o temor das parteiras e sua atitude de não conformidade com a ordem de Faraó.

Os versos 18 e 19 mostram Faraó confrontando as parteiras e a resposta que lhe foi dada. Podemos notar que não há indicação no texto de que o relato das parteiras fosse reputado como mentira: era perfeitamente plausível que antes que alguma parteira chegasse, o trabalho de dar a luz já tivesse ocorrido sem sua ajuda.[2]

Minha proposta é que vejamos a resposta de Sifrá e Puá como uma explicação real para seu procedimento. Dado que o texto informa que elas tomaram outra atitude que não aquela esperada pelo rei, é possível que, ao invés da ajudar as parteiras hebréias no trabalho de parto, elas tenham se eximido de fazê-lo ou demorado em atender aos pedidos de ajuda para que as crianças nascessem sem sua supervisão.

É claro, nem todos concordam (ou concordarão) comigo. Se entendermos que as parteiras mentiram, resta ainda o fato de que o texto não diz que elas foram abençoadas porque cometeram um pecado menor (mentir) do que um maior (matar). O verso 21 destaca que elas foram abençoadas porque “temeram a Deus.” A ênfase no texto está na disposição destas mulheres em reverenciar o verdadeiro Deus, não a Faraó. Em outras palavras, poderíamos dizer que Deus as abençoou apesar de terem mentido. Talvez, o maior exemplo disso seja o autor deste texto: tenho recebido muitas bênçãos de Deus, não porque escolhi obedecer em alguns pontos e noutros não, mas porque, apesar das minhas falhas, Ele ainda me ama e quer o melhor pra mim.


[1] Ted Cabal et al., The Apologetics Study Bible: Real Questions, Straight Answers, Stronger Faith (Nashville, TN: Holman Bible Publishers, 2007), 85.
[2] Segundo o SDABC e Keil e Delitzsch, é muito possível que as mulheres hebréias, realmente, fossem mais vigorosas que as egípcias. As mulheres árabes, etnicamente parentes do povo hebreu, têm a fama de dar a luz rápida e facilmente. Carl Friedrich Keil e Franz Delitzsch, The Second Book of Moses (Exodus), trad. James Martin, vol. 1, Commentary on the Old Testament (Peabody: Hendrickson, 2002), 275; Francis D. Nichol, ed., The Seventh-Day Adventist Bible Commentary (Hargestown: Review and Herald, 1978), 1:499.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

6 Perguntas a Serem Feitas antes do Noivado


1. Estamos meu parceiro e eu no mesmo comprimento de onda intelectualmente? (Experimente um destes exercícios: leia um jornal ou um artigo de notícias on-line e discuta os seus fundamentos e implicações; leia um livro e compartilhe suas impressões um com o outro.)

2. Até que ponto temos examinado o fundamento da nossa unidade social? (Explore as seguintes áreas: esportes, música, dança, festas e aspirações profissionais.)

3. Será que temos uma compreensão clara da personalidade um do outro, os pontos fortes e fracos? (Faça um teste de personalidade. Isto normalmente é feito sob a direção de um conselheiro que irá interpretar as informações e ajudar você a descobrir potenciais áreas de conflitos de personalidade.)

4. Até que ponto temos escavado nossos fundamentos espirituais? (Quais são as suas crenças sobre Deus, a Escritura, a religião organizada, valores e moral?)

5. Será que estamos sendo sinceros uns com os outros sobre nossas histórias sexuais? (Você está avançado o suficiente no relacionamento para se sentir confortável falando sobre isso? Até que ponto você está discutindo suas opiniões sobre sexualidade?)

6. Temos descoberto e estamos falando a principal linguagem de amor um do outro (É no contexto de um tanque de amor pleno que somos mais capazes de honestamente explorar as bases de nosso relacionamento.)

Traduzido por Daniella Virmes e adaptado por Clacir Virmes Junior

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Logos 4: Tags Pessoais

Você pode atribuir aos recursos de sua Biblioteca (Library) tags pessoais, palavras que classifiquem de maneira personalizada os livros que você possui. Para fazer isso, siga os seguintes passos:

  • Abra o Logos 4;
  • Clique no ícone da Biblioteca (Library), o segundo da esquerda para a direita, na parte superior;
  • Clique em Navegar (Browse);
  • Clique no ícone Informação do Recurso (a letra “i” dentro de um círculo) que se encontra ao lado direito da caixa Encontre (Find);
  • Digite o texto desejado na caixa Encontre (Find) para localizar o recurso;
  • Selecione o recurso ao qual você deseja adicionar uma tag clicando em qualquer de seus atributos exceto os atributos Título (Title) ou a imagem do recurso (pois isso abre o recurso);
  • Visualize as informações do recurso no painel à direita;
  • Clique em add tag (adicionar tag) no painel de informações do recurso;
  • Digite a tag desejada (como “Excelente” ou “Exegese”);
  • Clique fora da caixa de texto para salvar a tag;
  • Repita os mesmos passos para outros recursos.

Para filtrar os recursos pela tag “Excelente”, digite mytag:Excelente na caixa Encontre (Find). O atributo mytag é case sensitive, ou seja, faz diferença entre “Excelente” e “excelente”. Ao criar tags personalizadas você pode criar suas próprias categorias de livros e recursos como “Exegese,” “História Eclesiástica,” ou “Apologética” por exemplo.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Como Terminar um Namoro de Maneira Saudável

É praticamente inevitável: algumas vezes na vida de uma pessoa ela vai encerrar um namoro. Se o primeiro namoro desse certo em todos os casos, essa postagem não precisaria ser escrita. Mas como esse não é o caso, resolvi compartilhar com você algumas dicas pra que esse processo, às vezes, traumático que é o término de um namoro possa ser conduzido de maneira a resultar no mínimo de feridas.

1. Determine um horário e lugar confortável para ambos. Não adianta querer terminar o namoro durante uma festa ou no intervalo do almoço. Vocês precisarão de tempo e um lugar calmo no qual possam conversar o quanto for necessário.

2. Converse e esclareça tudo. Pode ser que a decisão de terminar um relacionamento parta de uma só das partes ou pode ser que ambos estejam sentindo que o namoro não dará certo. Independente da situação, converse com seu namorado (a) sobre as razões do rompimento.

  • Se você é quem está terminando, dê razões honestas mesmo que sejam simples. Se, na sua concepção, o namoro não tem futuro, você pode dar essa razão. Ninguém é obrigado a estar num relacionamento. Se for outro o motivo, converse sobre isso, contudo, sempre de maneira respeitosa, tendo em conta os sentimentos do outro.
  • Se você não quer acabar, mas seu companheiro (a) o quer, aceite suas razões. O antigo ditado ainda é válido: quando um não quer, dois não brigam.
  • Se os dois estão chegaram à mesma decisão, conversem de maneira amigável.

A grande questão aqui é conversar e esclarecer tudo nessa conversa. Por isso a necessidade de tempo e um lugar calmo para travar esse diálogo. Acima de tudo, ambos devem ser honestos, respeitosos e sensíveis aos sentimentos um do outro.

3. Depois da conversa, de espaço e se afaste. O término de um namoro nunca é uma situação isenta de dor, por menor que seja. Dependendo da sua sensibilidade, isso pode ser extremamente doloroso. Todavia, a dor, o choro, a frustração e a tristeza fazem parte do processo. Continuar conversando propositadamente com o, agora, ex-namorado (a) não ajuda a cicatrizar a ferida, principalmente se você é a parte que não queria que o relacionamento acabasse. Se vocês esclareceram de maneira completa e satisfatória as razões do término e chegaram a um consenso, não há razão para que você procure estar com essa pessoa ou conversar com ela.

Nessa fase, o afastamento ajuda no processo de reestruturação da vida e dos sentimentos. É a hora de avaliar o relacionamento: o que foi aprendido, o que pode ser melhorado, os erros a serem evitados num relacionamento futuro. Esse também é o momento de passar pelo processo de aceitação da situação. Agora você não é mais uma pessoa comprometida. Você tem que, agora, contar apenas com os amigos de maneira geral, e não com o “amigo (a) especial” (o (a) namorado (a)). Esse é o momento de investir em você mesmo, fazer coisas diferentes, conhecer outras pessoas, enfim, voltar a ser um solteiro descomprometido (o que poderíamos chamar de “voltar ao normal”).

4. Seja civilizado. Pode ser que, por força das circunstâncias, você precise conviver ou encontra-se com o seu ex-namorado (a). Não existe razão para ser ríspido ou desrespeitoso, mesmo que você tenha achado o término do relacionamento injusto ou que esteja magoado (a) com a situação. Se tudo foi esclarecido na conversa de rompimento, você pode ser educado e lidar com o encontro como se (dada as devidas proporções) nada tivesse acontecido.

Da mesma maneira, você não precisa cercar o (a) ex-namorado (a) de atenções e puxar conversa de maneira forçada, só para demonstrar para si mesmo e para os que (eventualmente) estejam junto que tudo está bem. Todos verão que suas atitudes são anti-naturais. Se for possível, permaneça junto dessa pessoa o mínimo de tempo possível. Pode ser que pareça uma atitude drástica, contudo, principalmente, quando o rompimento é recente, é bom evitar o contato para que o processo de aceitação e normalização se dê de maneira completa.

Com o tempo, ao se deparar com o (a) ex-namorado (a), você naturalmente agirá como se essa pessoa fosse mais uma do seu círculo de conhecidos. Digo conhecidos porque, inevitavelmente, depois de um namoro, a amizade entre duas pessoas nunca mais é a mesma. Podem manter um relacionamento saudável, mas a profundidade desse relacionamento será menor em comparação com outras pessoas. Lembre-se: um dia, o seu relacionamento mais profundo será com o seu cônjuge, não com um (a) ex-namorado (a).

5. Em todos os estágios do namoro, mesmo no seu término, lembre-se de Deus. É imprescindível, em todas as áreas da vida, a presença de Deus. Ele não está menos interessado nos seus relacionamentos do que está com sua devoção pessoal. Ele se interessa por todos os aspectos de sua vida. Antes de tomar a decisão de iniciar um namoro, ore a Deus. Durante o namoro, ore a Deus. Antes de decidir pelo término, ore a Deus. Depois de terminar um relacionamento, ore a Deus. Ele quer estar com você durante todos os estágios dos seus relacionamentos. Com a Sua guia, recebida através do estudo de Sua Palavra, você terá segurança de Sua aprovação e de estar fazendo a Sua vontade.

6. Desabafe com um amigo (a). Deus usa as pessoas para nos ajudar nos momentos difíceis. Procure amigos ou conhecidos nos quais você confie e nos quais veja uma atitude espiritual diante da vida. Elas podem aconselhar e ouvir você durante esse período conturbado e ajudar nos passos a se tomar depois do rompimento.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Logos 4: Filtros de Biblioteca

Esse recurso do Logos 4 permite que você filtre os livros de sua biblioteca por uma série de atributos. Para fazer isso, siga os passos abaixo:

  • Abra o Logos 4;
  • Clique no ícone da Biblioteca (Library), o segundo da esquerda para a direita, na parte superior;
  • Na caixa Encontre (Find) digite parte do título, autor, tipo de obra, ou de qualquer outra informação e abaixo serão listados os livros que contém a palavra (ou palavras) que você digitou. Por exemplo, se você digitar “dict”, todos os recursos que contém estas letras em um de seus atributos aparecerão;
  • Para fazer o filtro por um atributo específico, digite o nome do atributo; em seguida, dois pontos (:); e então a palavra ou nome que você quer encontrar. Na tabela abaixo você encontra os principais atributos pelos quais filtrar sua pesquisa:

Digite isso. . .

. . .para mostrar o recurso com:

title:handbook

handbook no atributo Título (Title)

author:white

white no atributo Author (Autor)

type:bible

bible no atributo Type (Tipo)

publisher:review

review no atributo Publisher (Editora)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Para uma Auto-Avaliação Homilética

Todos aqueles que se envolvem no trabalho ministerial se deparam com a tarefa de pregar. Uma das principais e imprescindíveis características do bom pregador é sua disposição em se auto-avaliar e sua busca pela melhora constante em sua oratória. Estou lendo o livro “A Arte e o Ofício da Pregação Bíblica”, editado por Haddon Robinson e Craig Larson (numa postagem futura, farei uma resenha sobre ele. Ainda não acabei, porque ele tem “só” 887 páginas). Ao ler um dos capítulos escritos por Duane Litfin, me dispus a compartilhar com vocês o teste que ele propõe.

Este teste serve para que o pregador faça uma auto-avaliação de sua prática homilética e busque detectar áreas em que ele pode melhorar. O teste, segundo o próprio autor, não pretende cobrir todas as áreas da oratória sacra. Ele apenas busca mostrar algumas facetas da pregação com as quais o orador deve estar familiarizado e buscar abranger todas elas em sua prática homilética.

Segundo Litfin, existem quatro tipos de ênfases homiléticas: ensino, exortação, misericórdia e profecia. No livro, o autor faz uma descrição de cada área. Nas imagens no fim da postagem, traduzi o texto na forma de afirmações. Tentei elaborar as afirmações de forma que você tenha uma idéia básica de cada aspecto da pregação, de forma que ficasse o mais auto-explicativo possível.

Cada área contém 10 afirmações. Cada afirmação que você respondida afirmativamente, conta um ponto. Depois de encontradas as pontuações de cada área, trace uma linha que cruze o eixo do gráfico em toda sua extensão. Por fim, você terá uma espécie de quadrado ou retângulo, que mostra suas áreas fortes e suas áreas fracas.

Quanto maior a área do seu quadrado em cada quadrante do gráfico, mais você se utiliza daquele aspecto descrito no quadrante (proclamador, motivador, conselheiro, terapeuta). Quanto menor a área, mais você precisa trabalhar nesse aspecto para que sua pregação seja mais completa. Quanto menor o quadrado, menos pontos fortes você possui.

Abaixo, em três arquivos JPG, o teste para que você possa fazê-lo. Espero que seja um teste útil para uma reflexão sobre nossa prática homilética. Se você quiser entender melhor o teste, adquira o livro através desse link aqui. Não tenha medo das avaliações: elas têm a capacidade de nos tornar melhores.



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Logos 4: Principais Teclas de Atalho

No final de 2009, a Logos lançou a nova versão de seu software conhecido mundialmente. Aqui no Brasil, ele é conhecido por Libronix e é distribuído pela Sociedade Bíblica Brasileira. Agora, sob o título de Logos 4, o software mudou radicalmente de aspecto, mas ainda conserva todas as suas funcionalidades. Para aqueles que já têm o Logos 3 (Libronix) e fizeram o upgrade para a versão 4 ou para aqueles que adquiriram diretamente o Logos 4, postarei aqui, em português (já que ainda não foi disponibilizada uma tradução para o português da interface), algumas dicas para o melhor uso dessa ferramenta poderosa para o estudo da Bíblia e desenvolvimento das funções ministeriais. Numa outra postagem, farei um resumo das principais funcionalidades (ou, em outras palavras, farei um “merchan”. . . hehehe).

Teclas de Atalho

Ação

Alt + H

Abre/Fecha a Home Page (Página Inicial)

Alt + L

Abre/Fecha a Library (Biblioteca)

Alt + S

Abre o Search Panel (Painel de Pesquisa)

Alt + F

Abre/Fecha o Menu Files (Arquivos)

Alt + G

Abre/Fecha o Menu Guides (Guias)

Alt + T

Abre/Fecha o Menu Tools (Ferramentas)

Alt + A

Abre/Fecha o Menu Layouts (Áreas de Trabalho)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Lia e Seus "Olhos de Ressaca"

Estava fazendo meu ano bíblico esses dias e me deparei com os seguintes versos (Almeida Revista e Atualizada): “Ora, Labão tinha duas filhas: Lia, a mais velha, e Raquel, a mais moça. Lia tinha os olhos baços, porém Raquel era formosa de porte e de semblante” (Gênesis 29:16-17). Lembro-me de, na infância, ver a gravura das duas irmãs aqui citadas: Raquel com um semblante normal e Lia com um leve estrabismo, na tentativa de captar a descrição dos versos. Isso sempre me incomodou. Será mesmo que Lia tinha os olhos assim?

Depois, no dia 28 de julho de 2007, o sábado anterior ao meu casamento, eu e minha então noiva fomos convidados para dirigir a lição na Igreja Adventista Central de João Pessoa. Durante aquele trimestre, a Lição da Escola Sabatina tinha como tema os casais da Bíblia. Neste sábado, era nossa missão falar sobre o famoso triângulo (que depois se tornou um pentágono) formado por Jacó, Lia e Raquel. E a lição tocava de leve na questão dos olhos de Lia.

Lembro-me que na ocasião fiz um rápido estudo do verso em hebraico e tirei algumas conclusões preliminares. Mas depois de ter lido novamente estes versos no ano bíblico desse ano, resolvi ampliar um pouco mais a pesquisa sobre o tema.

Conforme escreveu Frymer-Kensky[1] temos poucas informações sobre a pessoa de Lia.[2] Dos 32 versos que a citam,[3] apenas Gênesis 29:17 é realmente uma descrição dela. Inferimos pouco sobre o seu caráter dos outros versos, pois, na maioria deles, é descrita sua luta pelo amor de Jacó e seu método (partilhado por sua irmã) nada frutífero. Mas nós podemos ter algumas outras pistas sobre a pessoa de Lia nestes dois versos.

Segundo Mathews, as duas irmãs são diferenciadas por três fatores: pela idade, pelo nome, e pela relativa beleza de cada uma.[4] Normalmente, ao citar uma série de irmãos, a Bíblia usa a fórmula “o primeiro,” “o segundo” e assim por diante. Mas nesse caso, elas são diferenciadas por “a mais velha” e a “mais moça,” introduzindo já a fórmula usada por Labão para enganar Jacó.

A origem do nome de Raquel é bem estabelecida. רָהֵל (rahel) significa “ovelha,” em oposição ao carneiro, ou seja, “ovelha fêmea.”[5] O nome de Raquel, na história, também reporta à sua ocupação como pastora de ovelhas.

Já o nome de Lia é um pouco mais complicado. Os comentaristas se dividem quanto à origem do seu nome. Alguns, como Gesenius,[6] ligam o nome de Lia ao verbo לָאָה (la’ah) que significa estar cansado, estar exausto.[7] Segundo Myers, o nome de Lia significa “vaca selvagem”[8] e, como explica, Mathews, pode ter se derivado do acadiano ou do árabe.[9] Para muitos, o significado do nome de Lia pode ter reforçado a interpretação de que seus olhos eram “fracos.” Contudo, se seu nome está ligado ao significado de “vaca selvagem,” há uma espécie de jogo de palavras ao descrever as duas irmãs, cada uma com o nome de um animal doméstico.

Por fim, temos a descrição da beleza relativa de cada uma das irmãs. Lia é descrita, segundo a ARA, como tendo os “olhos baços.” A palavra traduzida por “baços” é רַכּוֹת (rakkot), plural de רָךְ (rak), significa gentil, tenro, fraco, incapaz, inexperiente, delicado, terno, frágil, sensível, tímido, brando.[10] Talvez, motivados pelo significado aparente do nome Lia, muitos tradutores viram este adjetivo como um reforço à idéia de que ela tinha olhos baços, inexpressivos, cansados. Em contrapartida, Raquel é descrita como “formosa de porte e de semblante.”

Dado o escopo semântico de rak, temos, na verdade, várias possibilidades de interpretação. Se ao invés de baços, traduzirmos rakot como delicados (ou mimoso, como ocorre em Deuteronômio 28:54 e 56), a ênfase seria de que Lia só possuía atrativos em seus olhos, ao passo que Raquel era formosa tanto de corpo como de rosto.

Se continuarmos com a interpretação depreciativa, traduzindo rakot por sensíveis, ou frágeis, a ênfase seria de que Lia tinha apenas algum tipo de defeito nos olhos. Ou nem isso. Conforme Keil e Delitzsch, os olhos tinham de ser chamativos, atrativos, com faíscas, para que uma mulher fosse considerada bonita.[11] Assim, pode ser que o único defeito visível de Lia fossem seus olhos mais apagados, não tão vivazes quanto os de sua irmã. Talvez, ela tivesse os tais “olhos de ressaca” dos quais Machado de Assis tanto falara.[12] Contudo, ao contrário de Bentinho, tais olhos não chamaram a atenção de Jacó.

Mesmo que não lhe tivesse cativado, Lia foi a maior responsável pelo cumprimento das promessas feitas a ele por Deus. O Senhor prometera a Jacó que as promessas feitas a Abraão e a Isaque se cumpririam através dele. Ele seria fecundo e pai de muitas nações. Raquel, com toda a sua beleza, era estéril. Lia, apesar de seu “defeito”, era fecunda, e foi mãe de seis tribos em Israel, entre as quais Judá, a linhagem real de onde descendeu Jesus Cristo, e Levi, linhagem sacerdotal responsável pela manutenção espiritual do povo escolhido.[13] Raquel foi enterrada à beira do caminho; Lia foi enterrada ao lado de Abraão, Sara, Isaque e Rebeca no jazigo especial dos patriarcas em Macpela (Gênesis 49:22-32). Ela também foi responsável pela edificação de Israel (Rute 4:11).

Muitos acham terrível o engano perpetrado por Labão ao obrigar Jacó a se casar com alguém que ele não amava. Todavia, conforme Paschall e Hobbs, tal atitude deve ser observada em vista do engano de Jacó diante de seu pai.[14] Isso, é claro, não desculpa o procedimento de Labão, mas Deus permitiu que isso ocorresse para que o patriarca pudesse sentir sobre si os efeitos da mentira.

Além disso, se Jacó tivesse aceitado o casamento com Lia, que segundo a Bíblia foi inteiramente consumado (Gênesis 29:23), sem ter se entregado à bigamia (e depois a poligamia), ele teria muito mais paz em sua vida. Contudo, as constantes brigas entre as irmãs e, posteriormente, entre os filhos, fez com que a avaliação de sua vida fosse “poucos e maus foram os dias dos anos da minha vida” (Gênesis 47:9). Inclusive, a legislação judaica posterior, em vista da experiência de Jacó, não permitia o casamento de duas irmãs com o mesmo homem enquanto ambas estivessem vivas.[15]

Depois de todo o meu estudo, algumas reflexões me vieram a mente. Primeiro, cada vez mais precisamos nos aprofundar na Palavra de Deus e cuidar para interpretá-la com sadios princípios hermenêuticos. A imagem de uma Lia estrábica, depois deste estudo, para mim, pertence apenas àquelas imagens de infância que a gente tenta colocar num lugar esquecido da memória por se tratar de uma ilusão de ótica. A meu ver, Lia era tão bela que Jacó não conseguiu distinguir-lhe a beleza. Raquel o cativou com o que minha esposa costuma rotular como “beleza óbvia.” Faltou esforço da parte de Jacó para perceber a outra beleza de Lia, indistinguível a olho nu.

Segundo, muitos hoje cometem o mesmo erro de Jacó. Deslumbram-se com a beleza aparente de uma pessoa e se esquecem de pesquisar-lhe o caráter. Levados pela ditadura da beleza, que em todas as épocas e culturas teve suas próprias regras tão voláteis como a direção do vento, muitos se encantam com o invólucro e nem suspeitam do conteúdo. Entregam-se ao fascínio do exterior e se esquecem de perscrutar os recônditos do caráter de sua pretendente.

Por fim, por mais probantes que sejam as circunstâncias, por mais que sejamos colocados em situações desagradáveis, sempre vale a pena seguir a vontade de Deus. Mesmo que fosse fruto de um engano terrível, o casamento de Jacó com Lia teria sido abençoado pelo Senhor de maneiras inimagináveis. Os mandamentos de Deus são claros o suficiente para que nós os obedeçamos de maneira a ter uma consciência limpa diante do Altíssimo e sermos aptos a receber dEle bênçãos sem medida.

[1] Frymer-Kensky, Tikva S. "Leah." Página 552 in Harper's Bible Dictionary. Editado por Paul J. Achtemeier. San Francisco: Harper & Row, 1985.

[2] Uso aqui a grafia que mais se aproxima da grafia hebraica, לֵאָה (le’a). Algumas versões, como a Almeida Revista e Corrigida (ARC) e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) trazem a grafia Léia, seguindo a Septuaginta (LXX), Λεια (Leia).

[3] A título de informação, eis os versos: Gênesis 29:16-17, 23-25, 30-32; 30:9-14, 16-20; 31:4, 14, 33; 33:1-2, 7; 34:1; 35:23, 26; 46:15, 18; 49:31; Rute 4:11.

[4] Mathews, K. A. Genesis 11:27-50:26. Vol. 1B de The New American Commentary. Nashville: Broadman and Holman Publishers, 2007, 467.

[5] Elwell, Walter A. e Barry J. Beitzel. Baker Encyclopedia of the Bible. Grand Rapids, Mich.: Baker Books House, 1988, 731.

[6] The Pulpit Comentary: Genesis. Editado por Spence-Jones, H. D. M. Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc, 2004, 359.

[7] Swanson, James. Dictionary of Biblical Languages with Semantic Domains: Hebrew (Old Testament). Oak Harbor: Logos Research Systems, Inc, 1997, 4206.

[8] Myers, Allen C. The Eerdmans Bible Dictionary. Grand Rapids, Mich.: Eerdmans, 1987, 647.

[9] Mathews, K. A. Genesis 11:27-50:26, 467.

[10] Harris, R. Laird, Gleason L. Archer Jr. e Bruce K. Waltke. Theological Wordbook of the Old Testament. Chicago: Moddy Press, 1981, 848; Swanson. DBL, 8205; Holladay, William Lee. A Concise Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament. Leiden: Brill, 1971, 339; Gesenius, Wilhem e Samuel Prideaux Tregelles. Gesenius' Hebrew and Chaldee Lexicon to the Old Testament Scriptures. Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc, 2003, 768; Brown, Francis , S. R. Driver e Charles A. Briggs. Enhanced Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon. Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc, 2000, 940.

[11] Keil, Carl Friederich e Franz Delitzsch. Commentary on Old Testament. vol. 1. Peabody, MA: Hendrickson, 2002, 183.

[12] Assis, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Globo, 2008, 97.

[13] Knowles, Andrew. The Bible Guide. Minneapolis, MN: Augsburg, 2001, 35.

[14] Paschall, Franklin H. e Herschel H. Hobbs. The Teacher's Bible Commentary: A Concise, Thorough Interpretation of the Entire Bible Designed Especially for Sunday School Teachers. Nashville: Broadman and Holman Publishers, 1972, 38.

[15] Knowles. The Bible Guide, 35.

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