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sábado, 30 de janeiro de 2010

Indicação de Livro: Sinais de Esperança

Bibliografia: Bullón, Alejandro. Sinais de Esperança: Uma Leitura Surpreendente dos Acontecimentos Atuais. Traduzido por Dóris Matos dos Santos. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2008.

Sinopse: “O quadro pintado diariamente pela mídia não é nada animador. Aquecimento global, inundações, terremotos, furacões, incêndios, ansiedade, violência, terror... O que está acontecendo com o planeta Terra? O que se passa com a humanidade? Será que o mundo tem solução?

“Na verdade, o descontrole da natureza, as guerras sem sentido e as ações perversas do próprio ser humanos são apenas o lado visível do cenário dos acontecimentos. Por trás da cortina dos fatos, há um enredo muito mais significativo. Algo espetacular está para acontecer. O simples espectador o desconhece, mas o livro o registrou há muitos séculos.

“Com base nas profecias desse livro, a Bíblia, o autor analisa os sinais que indicam a aproximação de um novo tempo na história da humanidade. Esse evento glorioso é o a maior esperança do mundo. Por isso, você tem razões para encarar o futuro com esperança. Olhe para a promessa que surge no horizonte” (Fonte: Contra-capa).

Comentário: O estilo inconfundível do Pr. Bullón é mais uma vez visto neste pequeno livro que olha para os acontecimentos atuais do nosso mundo sob a ótica escatológica dada por Jesus. Se você quiser ganhar um exemplar desse livro GRATUITAMENTE, acesse o site Esperança. Boa leitura!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Indicação de Livro: Ortodoxia

Bibliografia: Chesterton, G. K. Ortodoxia. Traduzido por Almiro Pisetta. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.

Sinopse: “O marco do pensamento cristão do século XX.

“Numa época em que a Europa dava os primeiros passos para tornar-se uma sociedade pós-cristã, um intelectual de grosso calibre, cansado do cinismo reinante e do fascínio despertado por novas idéias, resgata o núcleo da fé cristã como arcabouço suficiente para dar sentido à existência humana.

“Dono de uma prena arguta, sutil e envolvente, Gilbert Keith Chesterton deixou marcas inesquecíveis em mestres da literatura como Hemingway, Borges, García Marquez e T. S. Eliot. Como se não bastasse, seus textos influenciaram decisivamente líderes de movimentos de libertação como Michael Collins (Irlanda) Mahatma Gandhi (Índia) e Martin Luther King (Estados Unidos).

“Ao contar sua jornada espiritual, G. K. Chesterton faz saber à intelligentsia européia da primeira metade do século XX que o socialismo, o relativismo, o materialismo e o ceticismo estavam longe de responder às questões existenciais mais profundas. E quando questionado sobre as aparentes contradições da fé cristã, Chesterton era um mestre em valer-se do paradoxo para apresentar a simplicidade do senso comum.

“Seu jeito despojado, seu estilo incisivo e a facilidade de rir de si mesmo tornaram célebres seus debates com intelectuais da época, como George Bernard Shaw, H. G. Wells, Bertrand Russell e Clarence Darrow.

“Cem anos depois, Ortodoxia é um clássico da literatura que merece (e deve) ser revisitado” (Fonte: Orelhas internas).

Comentário: Não posso dizer que a leitura de Ortodoxia seja um empreendimento fácil. Mas, com certeza é compensador. Ao meu ver, Chesterton faz muitas digressões em seu pensamento, talvez, até para parodiar seus oponentes. Todavia, mesmo em seu emaranhado de idéias, muitas pérolas podem ser encontradas. Ao invés de falar sobre o livro, gostaria de destacar abaixo algumas das frases ou parágrafos que mais me chamaram a atenção durante a leitura.

“Tentei fundar uma heresia só minha; e quando lhe dei o último acabamento descobri que era a ortodoxia” (p. 22).

“Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de lunáticos” (p. 26).

“A única coisa criada para a qual não podemos olhar é a única coisa em cuja luz olhamos para tudo” (p. 49).

“A verdade é que há uma humildade real típica de nossa época; mas acontece que praticamente se trata de uma humildade mais venenosa do que as mais loucas prostrações do asceta. A antiga humildade era uma espora que não deixava o homem parar; não um prego na bota que o impedia de ir em frente. Pois a antiga humildade fazia o homem duvidar de seus esforços, o que possivelmente o levava a trabalhar com mais afinco. Mas a nova humildade faz o homem duvidar de seus objetivos, e isso o fará parar de trabalhar pura e simplesmente” (p. 54).

“A própria razão é uma questão de fé. É um ato de fé afirmar que nossos pensamentos têm alguma relação com a realidade por mínima que seja (p. 56).

“Encontramos todas as perguntas que se podem encontrar. Está na hora de abandonar a busca de perguntas e empreender a busca de respostas” (p. 63).

“O homem moderno em estado de revolta tornou-se praticamente inútil para qualquer propósito de revolta. Rebelando-se contra tudo, ele perdeu o direito de rebelar-se contra qualquer coisa específica” (pp. 70 e 71).

“Todos os homens que não passam por um amolecimento do coração devem no mínimo passar por um amolecimento do cérebro” (p. 71).

“A poligamia é a falta da realização do sexo” (p. 96).

“Os adultos não são fortes o suficiente para exultar na monotonia” (p. 100).

“Pode ser que ele [Deus] tenha um eterno apetite de criança; pois nós pecamos e ficamos velhos, e nosso Pai é mais jovem do que nós” (p. 100).

“Se o simples tamanho prova que o homem não é a imagem de Deus, então a baleia poderia ser a imagem divina; uma imagem um tanto disforme; o que se poderia chamar de um retrato impressionista. É totalmente inútil argumentar que o homem é pequeno se for comparado ao cosmos; pois o homem sempre foi pequeno comparado à árvore mais próxima” (p. 102).

“Na minha infância falava-se muito de limitados ou arruinados gênios: e era muito comum classificar alguém como um ‘Poderia-Ter-Sido’. Para mim há um fato mais concreto e assustador: qualquer transeunte que vai pela rua é um ‘Poderia-Não-Ter-Sido’” (p. 106).

“Um otimista é alguém que procura os seus olhos, e um pessimista é alguém que procura os seus pés” (pp. 109, 110).

“A história dos judeus é o único documento primitivo que a maioria dos ingleses conhece, e os fatos podem ser julgados a contento a partir dela. Os Dez Mandamentos que foram considerados substancialmente comuns a toda a humanidade, eram meras ordens militares; um código de regras regimentais expedidas para proteger uma determinada arca através de um determinado deserto. A anarquia era um mal porque punha a santidade em risco. E foi somente quando eles criaram um dia santo para Deus que eles descobriram que criaram um feriado para os homens” (p. 113).

“O coração deve estar preso à coisa certa; a partir do momento em que temos o coração preso temos liberdade para as mãos” (p. 118).

“O cristianismo veio ao mundo acima de tudo para afirmar com veemência que o homem não só não devia olhar para dentro, mas devia olhar para fora, contemplar com assombro e entusiasmo uma companhia divina e um capitão divino. O único prazer de ser cristão era que o homem não ficava sozinho com a Luz Interior, mas definitivamente reconhecia uma luz exterior, bela como o sol, clara como a lua, formidável como um exército com bandeiras” (p. 126).

“A mera busca da saúde sempre conduz a algo doentio” (p. 127).

“Como seria essa coisa assombrosa que as pessoas queriam tanto contradizer, a ponto de fazê-lo sem importar-se em contradizer a si mesmas?” (p. 148).

“A doutrina cristã detectou as esquisitices da vida. Ela não apenas descobriu as leis, mas previu as exceções” (p. 164).

“As pessoas adquiriram o tolo costume de falar da ortodoxia como algo pesado, enfadonho e seguro. Nunca houve nada tão perigoso ou tão estimulante como a ortodoxia. Ela foi a sensatez, e ser sensato é mais dramático que ser louco” (p. 167).

“Enquanto as monótonas heresias estão esparramadas e prostradas, a furiosa verdade cambaleia, mas segue de pé” (p. 168).

“Enquanto a visão do céu estiver sempre mudando, a visão da terra será exatamente a mesma” (p. 178).

“A essência de todo panteísmo, evolucionismo e religião cósmica moderna está realmente nesta proposição: que a natureza é a nossa mãe. Infelizmente, se você considerar a natureza como mãe, vai descobrir que ela é madrasta. O ponto principal do cristianismo era este: que a natureza não é a nossa mãe: a natureza é nossa irmã. Podemos sentir orgulho de sua beleza, uma vez que temos o mesmo pai; mas ela não tem autoridade sobre nós; temos de admirá-la, não de imitá-la” (p. 185).

“Não devemos coroar o homem excepcional que sabe que pode governar. Devemos antes coroar o home muito mais excepcional que sabe que não pode” (p. 197).

“Um homem pode ficar deitado inerte e curar-se de uma enfermidade. Mas ele não pode ficar deitado inerte se quiser curar-se de um pecado. Pelo contrário, ele precisa levantar-se e correr por aí feito louco” (p. 226).

“A questão toda de fato está expressa à perfeição na própria palavra usada para quem está hospitalizado: ‘paciente’ tem um sentido passivo; ‘pecador’ tem um sentido ativo. Se um homem quiser se salvar de uma gripe, ele pode ser paciente. Mas se quiser se salvar de uma falcatrua, ele não pode ser paciente, tem de ser impaciente. Ele deve sentir-se impaciente com a falcatrua. Toda reforma moral começa na vontade ativa, não na passiva” (p. 226).

“Homens que começam a combater a Igreja em benefício da liberdade e da humanidade terminam jogando fora a liberdade e a humanidade só para poderem com isso combater a Igreja” (p. 229).

“A compaixão dele [Jesus] era natural, quase casual. Os estóicos, antigos e modernos, orgulhavam-se de ocultar as próprias lágrimas. Ele nunca ocultou as suas; mostrou-as claramente no rosto aberto ante qualquer visão do dia-a-dia, com a visão distante de sua cidade natal. No entanto, alguma coisa ele ocultou. Solenes super-homens e diplomatas imperiais orgulham-se de conter a própria ira. Ele nunca a conteve. Arremessou moveis pela escadaria frontal do Templo e perguntou aos homens como eles esperavam escapar da danação do inferno. No entanto, alguma coisa ele ocultou. Digo-o com reverência; havia naquela chocante personalidade um fio que deve ser chamado de timidez. Havia algo que ele encobria constantemente por meio de um abrupto silêncio ou súbito isolamento. Havia uma certa coisa que era demasiado grande pra Deus nos mostrar quando ele pisou sobre esta nossa terra. Às vezes imagino que era a sua alegria” (p. 263).

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Comentando o Comentário

No dia 07/01/2010, após publicar a postagem “Perguntas e Respostas: Os Irmãos de Jesus”, recebi do Pe. Mateus, que mantém o site Igreja Ortodoxa no Brasil, o seguinte comentário:

“A tradição que ensina ser os irmãos de Jesus filhos do primeiro casamento de José (o qual ficara viúvo), tem sua fonte no Proto-Evangelho de Tiago, que gozou e goza de muita autoridade no Oriente Cristão, posto que serviu de base para as narrativas de Mateus e Lucas sobre a infância de Jesus. Não entrou para o Cânon Sagrado porque a este Evangelho faltam as narrativas dos ensinamentos de Cristo, principalmente as dos eventos Eucarísticos (pascoais).

“A Virgindade Perpétua da Santíssima Theotokos (Mãe de Deus) não é um dogma, mas uma crença (teologumena) profundamente arraigada tanto no Oriente quanto no Ocidente, crença esta partilhada pelos pais do Reforma Protestante (Lutero, Zuwinglio, Calvino e etc.).

“De fato, uma vida sem relações sexuais entre casados, não só contraria toda a cultura da época, mas a ordem natural da condição humana, mas está em perfeita harmonia com a natureza da Revelação. Note que também é incomum uma Virgem conceber sem intercurso sexual (isto faz do caso de Maria incomum). Sua virgindade perpétua é deduzida do fato de que o seu ventre tornou-se o Santo dos Santos (pois nele habitava Aquele que nem os céus podem conter); tal como a Arca da Aliança que não podia ser tocada, Maria em seu ventre abrigara O Verbo (maior que as tábuas da Lei), o Sacerdote segundo Melquisedeque, que (maior que o sacerdócio Aarônico) e o Pão da Vida (alimento superior ao maná do deserto). Ora, se uma porta de madeira não podia ser violada pelo fato de por ela ter passado o Senhor da glória (Ez. 44:2), quanto mais o útero que se tornou simbiótico ao EU SOU (IHVH)?

“De fato, a Igreja não se depara com um evento comum à biologia humana, mas sim, diante de um mistério Cristológico (que encerra o Divino ao humano e eleva o humano ao Divino); por isto a razão natural não o entende e se lhe parece loucura (1 Cor. 2:14); mas àqueles aos quais fora concedido conhecer os mistérios do Reino de Deus, ou seja, à Igreja (1 Tim. 3:15), tudo o quede [sic] Deus pode ser conhecido, nela se discerne (Ef 3:10,11).

“Atenciosamente,
“Pe. Mateus (Antonio Eça)
“Pe.mateus@igrejaortodoxa.org”

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer o comentário feito, pois fez-me aprofundar-me um pouco mais minha pesquisa sobre o assunto; fez-me ler mais e aprender mais. Também aproveito para pedir desculpas ao Pe. Mateus pela demora em moderar o comentário. Tal demora não teve nenhuma má intenção; apenas foi devida pelo tempo que gastei em uma nova pesquisa do assunto.

Em segundo lugar, apesar do tom, não quero ser apologético no estrito sentido da palavra. Quero apenas, em vista do comentário feito, deixar claro sobre que bases sustentei e defendo minha resposta desenvolvida na postagem citada.

Minha resposta se baseou primariamente sobre o que a Bíblia ensina sobre o assunto, não sobre o que a tradição diz. Seguindo o exemplo de Jesus e dos apóstolos, é nas Sagradas Escrituras que se busca a verdade, não fora dela. As Escrituras são superiores à tradição e não devem obscurecer o claro ensinamento dado por Deus, segundo Jesus (Mateus 15:6).

Além disso, ao contrário do que foi alegado, segundo Barbara E. Reid, “[a]mbos [o evangelho de Tomé e o Proto-Evangelho de Tiago] datam aproximadamente da metade do Segundo século. Ambos são claramente mais tardios que os evangelhos canônicos, pois incluem muitas citações deles, expandindo-as e elaborando-as.”[1]

Outrossim, entre os motivos citados para sua (do Proto-Evangelho de Tiago) não inclusão no cânon, razões muito mais profundas do que a não inclusão dos ensinos de Jesus ou dos eventos relativos à Santa Ceia. Falta-lhe também apostolicidade (ter se originado de um apóstolo ou de alguém diretamente ligado a um apóstolo), originalidade (sua autoria é autêntica, não atribuída) e concordância com os demais escritos inspirados.

Poucos eruditos hoje aceitam que Tiago, o irmão do Senhor, seja o verdadeiro autor. Há forte evidência de que esse Tiago em particular tenha morrido como mártir no ano 62 d. C. provavelmente alguém ou algum grupo escreveu o documento em seu nome algum tempo depois. Se o Evangelho de Tiago foi escrito em meados do segundo século depois de Cristo, como geralmente se acredita, não seria possível que Tiago fosse o autor. […] o Evangelho de Tiago carece de status canônico e não pode de maneira alguma ser considerado livre de erros [...].[2]

De acordo com Geisler e Nix, não só este, como outros escritos surgidos na mesma época e em épocas posteriores “evidenciavam uma curiosidade incurável para descobrir mistérios não-revelados nos livros canônicos (e.g., acerca da infância de Jesus).”[3] Ainda, segundo Derivan, o Evangelho de Tiago “dificilmente merece ser chamado de evangelho. É uma antiga narrativa primariamente falando-nos sobre Maria.” [4] Ou seja, o centro desse suposto evangelho não é a magnífica pessoa de Cristo, e sim Maria, fazendo com que o leitor desvie, assim, seus olhos dAquele que merece realmente atenção.

O fato de ter sido usada a palavra dogma se deve a vários sites na internet, inclusive a maior parte deles católicos, se referirem a este ensino por tal palavra. E o fato de os reformadores citados sustentarem tal ensino não é indicativo de que se deva fazer o mesmo. É claro que os desenvolvimentos teológicos providos por tais teólogos devem ser levados em consideração, mas eles o são sob o prisma da Bíblia. É ela que tem a palavra final. Só ela e Deus são infalíveis. Tudo deve ser avaliado sob seu prisma, e não acima dele (João 5:29).

A Bíblia claramente atesta a virgindade de Maria até a concepção de Jesus (Lucas 1:27). Daí em diante, não temos nenhuma base bíblica para atestar que seu corpo não mudou durante a gestação de Jesus, durante o parto e que ela não tenha vivido um relacionamento marital saudável com seu, agora, esposo José (Mateus 1:16). Segundo Mateus, José não a conheceu até que Jesus nascesse (Mateus 1:25). Claramente, o evangelista coloca um limite para a atitude de José. Nada mais é dito sobre o assunto, fazendo com que a conclusão lógica do verso seja a de que, após o nascimento de Jesus, José e Maria foram um casal como qualquer outro. [5]

As deduções feitas na postagem sobre o estado de Maria após o nascimento de Jesus se baseiam no valor explícito das palavras usadas no texto bíblico que se referem ao assunto. Nenhuma tentativa foi feita no sentido de usar algum tipo de silogismo ou lógica para negar a perpétua virgindade de Maria, como, aparentemente, é o caso do comentário feito. Não é necessário supor que assim como as coisas ocorreram com a arca da aliança ou com o portão do santuário tal se deu com o corpo de Maria. Se todos os lugares por onde Jesus passou ou onde habitou fossem lacrados para sempre, Ele teria ido apenas uma vez para Jerusalém ou para o santuário, e após isso, ninguém mais poderia acessar tais lugares. A lógica da suposição exige que tal conclusão seja também levada em conta, e mostra que a suposição, portanto, não é tão lógica assim.

Além disso, o fato de José manter seu relacionamento marital com Maria em todos os níveis não tira de Maria sua pureza. O Apóstolo declara que o leito sem mácula deve ser honrado (Hebreus 13:4). O casamento, e por conseqüência, o sexo, é visto como uma bênção em toda a Bíblia, não como uma maldição ou algo que macule o ser humano. A virgindade, por si só, não é uma virtude, mas um estado. É claro que a Bíblia provê ampla base escriturística para a abstenção sexual antes do casamento. Mas é possível uma pessoa ser fisicamente casta e ao mesmo tempo ter a mente completamente depravada. Pessoas casadas, que se mantém uma para outra, são tão puras e imaculadas quanto os jovens solteiros que se protegem até o altar.

Por fim, apesar de a igreja ser a depositária dos oráculos de Deus, ela não é o prisma através do qual as Escrituras devem ser lidas. Ela é a defensora, a despenseira, não a intérprete infalível da Bíblia. A Bíblia sempre estará acima da igreja e não o contrário. É a Bíblia que mantém a pureza doutrinária e a piedade prática da igreja, não o contrário. A igreja surgiu para perpetuar os ensinos bíblicos, não para alterá-los ou impor-lhes idéias estranhas.

[1] Reid, Barbara E. "The Rest of the Story: The Apocryphal Infancy Narratives." Bible Today 47, no. 3 (2009): 161.

[2] Derivan, Albert T. "The Gospel of James: Heresy or Honored Tradition?" Bible Today 46, no. 3 (2008): 174, 176.

[3] Geisler, Norman e William Nix. Introdução Bíblica: Como a Bíblia Chegou Até Nós. Traduzido por Oswaldo Ramos. São Paulo: Editora Vida, 2006, 112.

[4] Derivan, Albert T, “The Gospel of James,” 171.

[5] Para uma discussão ampla sobre a visão bíblica concernente à “teoria” (assim chamada pelo autor do artigo) da perpétua virgindade de Maria, leia-se Benko, Stephen. "The Perpetual Virginity of the Mother of Jesus." Lutheran Quarterly 16, no. 2 (1964): 147-63.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Indicação de Livro: Uma Igreja Positiva em um Mundo Negativo

Bibliografia: Arrais, Jonas. Uma Igreja Positiva em um Mundo Negativo: Como Desenvolver e Aperfeiçoar a Liderança em Cada Experiência de Sua Igreja. Traduzido por Davidson Deana. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2008.

Sinopse: “Neste livro, falo de coração, porque...

“Sonho com uma igreja em que cada participante sinta-se amado e aceito.

“Sonho com um lugar em que pastores e líderes da igreja desenvolvam um ministério conjunto com inteligência e sabedoria.

“Sonho com uma igreja em que os líderes estejam constantemente aprimorando suas habilidades, suas técnicas e seu relacionamento interpessoal para a edificação do reino de Cristo.

“Creio em uma igreja positiva mesmo quando o mundo se torna cada vez mais negativo.

“Creio no poder do Espírito Santo para ajudá-lo a se tornar mais criativo ao liderar a sua igreja com base em princípios bíblicos e éticos.

“Creio que a igreja de Deus pode fazer a diferença neste mundo para melhor” (Fonte: Contracapa).

Comentário: Este livro me foi recomendado por meu irmão, Thiago Roberto Virmes, que está se preparando para o ministério e prestes a entrar para o seminário. Ganhei um exemplar do meu pai na última viagem que fizemos à minha cidade.

Os oito primeiros capítulos giram em torno da decisão do autor, o Pr. Jonas Arrais, em uma de suas congregações, de implementar um modelo ético que atingisse a todos os membros e líderes baseado em um princípio simples: “é proibido falar mal de um irmão.” A cada capítulo, o Pr. Arrais demonstra como colocou esse modelo em ação, suas implicações e como ele resultou numa grata experiência espiritual e eclesiástica.

Os cinco últimos capítulos tratam da administração da disciplina eclesiástica, tema de tirar o sono para muitos pastores, líderes e membros. Aplicando o mesmo princípio, o autor mostra como usar as instruções de Jesus para tornar o processo de disciplina menos doloroso e mais salvífico, mais centrado no amor às pessoas do que no amor às regras.

Um livro de fácil leitura e recheado de conselhos úteis para o trato dessas questões essenciais ao dia-a-dia do ministério. Valeu pela dica, mano!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Indicação de Livro: Só Jesus

Bibliografia: Paroschi, Wilson. Só Jesus. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1997.

Sinopse: “O ser humano tem a tendência natural de achar que suas obras são de alguma forma meritórias diante de Deus, e que nossa salvação final depende, pelo menos em parte, de nós mesmos e daquilo que somos capazes de realizar.

“Existe algum fundo de verdade nesse pensamento? As obras podem nos recomendar a Deus? Até podemos ser tentados a pensar que sim, e olharmos com simpatia para nós mesmos e nossas realizações, mas só há um meio de salvação.

“E esse é o tema deste livro, no qual Wilson Paroschi, Professor de Teologia, se vale de episódios da vida de Jesus para ilustrar necessidades práticas no tocante à experiência da salvação.

“Comprove e descubra por você mesmo a utilidade deste livro!” (Fonte: Contracapa).

Comentário: Infelizmente, até onde eu sei, poucas pessoas tem conhecimento deste precioso livro no meio adventista e fora dele. O Prof. Paroschi, que tive o privilégio de conhecer pessoalmente na última Semana Teológica ocorrida no SALT-IAENE, expõe de maneira clara, embasada, e devocional não só a justificação pela fé, mas também a santificação pela fé e a glorificação pela fé.

Cada capítulo é introduzido por uma experiência extraída da vida de Jesus e é usada como ilustração para a discussão dos temas da salvação conforme expostos nas epístolas de Paulo. Os primeiros quatro capítulos se concentram especialmente no aspecto da justificação pela fé e como, infelizmente, apesar de tantos anos na igreja, ainda nos confundimos com o tema e impomos a ele conceitos completamente errôneos. Magistralmente, o autor toca nestes assuntos, demonstrando biblicamente suas falácias e os reais benefícios do que Jesus alcançou na cruz.

Os próximos três capítulos discorrem sobre a relação entre a justificação e a santificação, que, como Wilson Paroschi demonstra, é igualmente pela fé. O último capítulo trata da glorificação, assunto que, de acordo com o autor, é pouco discutido e falado ao se tratar do plano da salvação.

Pra mim, esse foi o melhor livro sobre o assunto que eu já li. Ele é profundo sem ser chato; devocional sem ser superficial; libertador, sem ser libertino. Sei que muitos amam o clássico “Conhecer Jesus É Tudo”, de Alejandro Bullón. Eu também gosto muito do livro e de suas experiências reais. Mas em termos de explicação bíblica sobre os assuntos da justificação, santificação e glorificação pela fé, creio que, por enquanto, este é o melhor. E se um dia deixar de ser, será um clássico em língua portuguesa sobre o assunto. Recomendo veementemente.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O Mais Antigo Escrito Hebraico Encontrado e Decifrado

“Arqueologistas israelenses divulgaram nesta quinta-feira (07/01/2010) que decifraram o que eles acreditam ser o mais antigo escrito hebraico – uma inscrição de 3.000 anos de idade encontrada 18 meses atrás na mesma localidade onde a Bíblia diz que Davi matou Golias.

“O caco de cerâmica contém cinco linhas de texto na escrita proto-cananita usada pelos hebreus, filisteus e outros povos da região na mesma época.

“Gershon Galil da Universidade de Haifa decifrou o escrito.

“Galil ‘mostrou que se trata de uma inscrição hebraica,’ disse a universidade numa declaração.

“‘A descoberta faz dela o mais antigo escrito hebraico conhecido,’ diz a declaração da universidade.

Os arqueologistas usaram a datação por carbono para mostrar que a inscrição data do 10 século antes de Cristo, ou seja quase um milênio mais velho que os Manuscritos do Mar Morto.

“‘Este texto é uma declaração social, relativa a escravos, viúvas e órfãos,’ Galil declarou para a agência de notícias AFP.

“A cerâmica foi descoberta à cerca de 18 milhas de Jerusalém perto do portão de um sítio conhecido como Fortaleza de Elah, no vale onde é dito que a batalha de Davi e Golias ocorreu.

“De acordo com a declaração da universidade, tais inscrições hebraicas antigas tornam possível a ideia de que a Bíblia pode ter sido escrita centenas de anos antes das atuais estimativas.

“‘A inscrição é similar em seu conteúdo às sagradas escrituras, mas está claro que não foi copiada de nenhum texto bíblico.’”

Fonte: ReOrbit


Texto decifrado

1' não farás [isso], mas adorarás o [Senhor].

2' Julgue o escra[vo] e a viú[va] / Julgue o orf[ão]

3' [e] o estrangeiro. [Pl]eiteie pela criança / pleiteie pelo po[bre e]

4' pela viúva. Reabilite [o pobre] nas mãos do rei.

5' Proteja o po[bre e] o escravo / [ap]oie o estrangeiro.

Fonte: The Jerusalem Post

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Perguntas e Respostas: Os Irmãos de Jesus

Nota: De vez em quando, algum dos meus amigos, de perto ou de longe, me faz perguntas relativas a assuntos bíblicos. Pensando que, talvez, a resposta que lhes dê sirva também para sanar a dúvida de outros, tomei a liberdade de iniciar essa seção aqui no blog. Espero que gostem!

Pergunta: Maria teve outros filhos além de Jesus?

Resposta: Os quatro evangelistas e o apóstolo Paulo afirmam que Jesus possuía irmãos e irmãs terrestres (Mateus 12:46, 47; 13:55, 56; Marcos 3:31, 32; 6:3; Lucas 8:19, 20; João 2:12; 7:3, 5; Atos 1:14; Gálatas 1:19; 1 Coríntios 9:5). Mesmo que alguns tenham tentando confundir os grupos, os irmãos de Jesus e seus discípulos são sempre mencionados como grupos distintos (Atos 1:13, 14; 1 Coríntios 9:5)[1]. Muitos, então, ao ler estes textos, se questionam: de quem eram filhos estes irmãos de Jesus? De Maria? De outra mulher? Dos dados bíblicos, três principais interpretações têm surgido[2]:

(1) Os irmãos e irmãs de Jesus eram filhos mais novos de José e Maria: esta interpretação iniciou-se com Helvídio no quarto século e por muito tempo foi tida como herética em vista do dogma da perpétua virgindade de Maria.[3] Em vista de seu forte apoio bíblico, é a interpretação mantida mais comumente pelas igrejas protestantes. Além dos textos que mencionam os irmãos de Jesus, baseia-se também nos textos de Mateus 1:25 e Lucas 2:7. Neles, é dito que Jesus é o primogênito de Maria, implicando que ela teve outros filhos depois disso, e que José não a conheceu (ou seja, não manteve com ela relações sexuais) até que Jesus nascesse, implicando que o fez após este momento. Assim, segundo esta posição, os irmãos de Jesus eram mais novos do que Ele e filhos de Maria e José.

(2) Os irmãos e irmãs de Jesus eram filhos mais velhos de uma primeira esposa de José: segundo o New Bible Dictionary, esta interpretação não possui apelo bíblico direto[4] e essa é a posição adotada pela Igreja Ortodoxa Grega. Contudo, o Comentário Bíblico Adventista, baseado em textos como Marcos 3:21, 31 e João 7:3-5, que a atitude dos irmãos de Jesus implicam em que eles fossem mais velhos: “apenas irmãos que fossem mais velhos ousariam fazer [as coisas descritas nos versos mencionados] naqueles dias.”[5] Além disso, a atitude de Jesus na cruz, ao encomendar Sua mãe aos cuidados de João implicaria em que ela não tivesse outros filhos que dela pudessem cuidar depois de Sua morte.[6] Portanto, segundo esta posição, ao menos os irmãos do sexo masculino de Jesus (uma vez que as mulheres não tinham voz ativa na sociedade e, nos textos citados, os irmão de Jesus aparecem interferindo em assuntos que, de certa forma, eram públicos) eram mais velhos do que Ele, e assim, filhos de um primeiro casamento de José.

(3) Os irmãos e irmãs de Jesus, na verdade, eram Seus primos: esta interpretação surgiu com Jerônimo, com vistas a defender o dogma da perpétua virgindade de Maria. De acordo com o New Bible Dictionary, tal interpretação está baseada em uma série de pressuposições arbitrárias (as quais não mencionaremos nesta ocasião). Uma das suas bases é a pressuposição de que toda vez que o Novo Testamento usa a palavra δελφός (adelphós), irmão (pelo menos em conexão com Jesus) ela deva ser traduzida por primo, o que parece muito inconsistente, desmerecendo o significado semântico básico da palavra. Apesar das tentativas, não há qualquer base bíblica para essa interpretação.

Portanto, a resposta à nossa pergunta inicial está entre a interpretação (1) e (2). Todavia, não podemos ter, biblicamente, certeza se os irmãos de Jesus eram filhos de Maria ou de outro casamento de José. Uma posição intermediária seria considerar os irmãos do sexo masculino como sendo enteados de Maria e as irmãs como sendo suas próprias filhas. Mas não temos como fazer uma afirmação contundente sobre isso. O que veementemente podemos negar, alicerçados na Bíblia, é que o dogma da perpétua virgindade de Maria não tem qualquer base escriturística. É possível que Maria, mesmo casada com José, não tenha concebido outros filhos. Negar, entretanto, sua posição de esposa, com todas as prerrogativas a ela associadas, é ir contra todo o contexto cultural judaico do primeiro século.

[1] Elwell, Walter A. e Barry J. Beitzel. Baker Encyclopedia of the Bible. Grand Rapids, Mich.: Baker Books House, 1988, 384.

[2] Wood, D. R. W. e I. Howard Marshall. New Bible Dictionary. Leicester: InterVarsity Press, 1996, 146.

[3] Idem, 146, 147.

[4] Idem, 147.

[5] The Seventh-day Adventist Bible Commentary. Editado por Nichol, Francis D. Hagerstown: Review and Herald Publishing Association, 1978, 5:399, 400. Este ponto de vista também é sancionado por Ellen G. White em O Desejado de Todas as Nações, 86-87, 90, 321 e 326.

[6] The Seventh-day Adventist Bible Commentary, 5:286.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Por Que Sou Barriga-Verde

Nestas férias, tive a oportunidade de viajar para vários lugares da Região Sul de nosso país. Estivemos no Paraná (em Curitiba, Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu e Matelândia) e em Santa Catarina (Itajaí, Balneário Camboriú, Florianópolis, Joaçaba e São Miguel do Oeste). Foi muito legal. Na maior parte dessas cidades, pudemos passar por lugares históricos sobre os quais, infelizmente, não sabíamos muito. Assim, em alguns momentos, entre uma viagem e outra, entre um passeio e outro, pesquisávamos na internet para entender a história por detrás de cada lugar.

Um dos momentos mais legais foi no Natal, quando fui presenteado por meus sogros com uma camiseta com a forma da bandeira da Paraíba (aliás, eu já namorava uma dessas há muito tempo). E não somente eu, mas meu pai e meu irmão também ganharam uma. Mas surgiu um problema: como explicar o que ela significa? Corremos pra frente do computador para carregar a memória com a informação necessária e descobrimos coisas muito interessantes que renderam muita conversa boa.

Depois que chegamos, fiquei pensando no quanto eu gostaria de saber mais sobre minhas cidades (a de nascimento e a de criação), meu estado, o estado e a cidade de minha esposa (os quais aprendi a amar), e até mesmo, a história do meu país. Hoje à tarde, pesquisei sites, procurei por livros, e fiquei com aquela sensação de que preciso colocar na minha lista de resoluções de ano novo: “estudar mais a história da sua cidade, seu estado e seu país.”

Então, para começar a redimir-me, gostaria de contar pra vocês porque eu sou barriga-verde. Afora o fato de, obviamente, ser porque nasci em Santa Catarina, gostaria de contar pra vocês como surgiu a expressão. Li várias fontes e existe consenso em dois pontos: que não há consenso sobre a origem da expressão e que a mais provável é a que se segue.

Em 1739, o Brigadeiro José da Silva Paes, encarregado de erigir uma fortificação na Ilha de Santa Catarina (Florianópolis), passou a organizar a vila que existia no lugar e as repartições militares. Daí surgiu o Regimento de Infantaria de Linha da Ilha de Santa Catarina. Tal batalhão tornou-se lendário por sua coragem e senso de dever, mesmo em face a dificuldades com salários e fardamento apropriados. Seu uniforme possuía, por debaixo do dolmã, espécie de casaco militar, uma faixa verde. Por causa de sua intrepidez e sucesso em várias campanhas militares, o povo de Santa Catarina começou a identificar-se com o pelotão (algo parecido com o que acontece hoje entre as torcidas e os times de futebol). Então, as pessoas começaram a se identificar como “barrigas-verde”, remetendo o interlocutor ao bravo regimento.

Com o tempo, várias instituições, desde casas de comércio até repartições públicas, passaram a usar o título. Hoje, o palácio do governo estadual catarinense chama-se Palácio Barriga Verde. E a empresa de produtos de limpeza do meu amigo e irmão (a quem carinhosamente chamo de “tio”) Jorge chama-se “Barriga Verde”.

Depois disso, passei a ter mais orgulho do meu gentílico. O termo remete, mesmo que de maneira romântica, a um bravo grupo, guerreiro, disposto a lutar as batalhas às quais era chamado, e que realizou proezas tão inimagináveis que passou a memória de um povo. Quem dera alguns desses ideais, dessas qualidades, pudessem ser incorporadas à minha própria vida, não só por causa da minha origem, mas também por causa da minha contribuição para as pessoas em qualquer lugar que eu esteja.

Essa pesquisa e seus resultados me fizeram pensar em quando os primeiros seguidores de Jesus foram chamados de “cristãos” no Areópago (Atos 11:26). Ao contrário dos catarinenses, eles não se auto-atribuíram os título, mas buscavam tão veementemente ser como Cristo que a única palavra para defini-los era cristão. Inclusive, alguns relatos mostram que, em algum momento, o termo “barriga-verde” era usado pejorativamente por alguns descendentes europeus para designar os nativos do novo continente. Da mesma maneira, alguns estudiosos afirmam que ao chamarem os primeiros discípulos de “cristãos”, as pessoas queriam zombar deles, e não elogiálos.

Seja como for, os catarinenses, ao tomarem a alcunha de “barriga-verde”, deveriam pensar no que ela significa e viver de acordo com isso; tanto quanto os “cristãos” deveriam pensar em viver à altura deste tão solene nome.

Enfim, é por isso que sou (e tento ser um) “barriga-verde” e busco ser digno do nome “cristão”.

PS: Para maiores informações sobre o tema do gentílico “barriga-verde”, veja os artigos de Wanderlei Salvador e de Doracélio Soares.

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