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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Indicação de Site: Só Português

Podem me chamar de obcecado: gosto de estudar as línguas, mas me preocupo muito com a famigerada análise sintática. Prova disso é o fato de que o meu primeiro post neste blog foi sobre esse assunto.

Neste último fim de semana, participei do VIII Simpósio Bíblico-Teológico Sul-Americano. Tive o privilégio de reencontrar o Prof. Milton Torres, que estava fazendo a tradução consecutiva de alguns dos palestrantes. Batemos um bom papo antes do início da abertura e “trocamos umas figurinhas” durante as primeiras palestras.

Numa dessas “trocas”, expressei-lhe minha preocupação em entender a análise sintática, primeiramente em português e depois para aplicá-la no estudo das línguas bíblicas. Inclusive, comentei com ele que estive estudando alguns livros de análise sintática aplicada ao estudo da Bíblia em inglês. Ao lê-los, deparei-me com os termos empregados para a explicação sintática cujos significados em português nem sempre eram nítidos para mim.

Bom, não tenho como transcrever toda a conversa (até, fiquei de mandar-lhe um email para que ele me mande algumas referências para estudo). Mesmo assim, ainda fiquei preocupado com a questão.

Hoje, fazendo minhas pesquisas na internet, encontrei este site: Só Português. Ele tem um excelente material introdutório, de fácil assimilação. É resumido, mas amplo o bastante para tocar no principal e nos detalhes importantes. Tem várias seções cobrindo não só análise sintática, mas morfologia, semântica, e outras áreas do estudo da língua. Destaque especial para a seção “Jogos” que exercitam vários aspectos do português, principalmente ortografia e morfologia.

É claro, de todas as seções, estou “devorando” a “Sintaxe”. Estou relembrando e aprendendo muito. Espero que seja útil para todos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Que Sei como Pastor

Sei que faz tempo (3 meses pra ser exato) que não posto nada por aqui. Acontece com as atividades de evangelismo, monografia e viagens. Mas, pela graça de Deus, espero escrever um pouco mais.

Recebi hoje, com alegria, um email do meu professor e amigo Milton L. Torres. No rodapé da mensagem, vi o endereço do que, ao que tudo indica, é o novo endereço do seu blog. Lá encontrei essa mensagem, escrita pelo pastor Miguel Ángel Nuñez sobre a vida do pastor. Penso que ela é muito própria e me fez refletir sobre o chamado que tive coragem de ouvir e o encargo que ousei carregar desde o dia em que fiz vestibular para o curso de Teologia.

Espero que os estudantes de teologia e pastores (conhecidos e desconhecidos meus) possam refletir nestas palavras.

O Que Sei como Pastor

por Miguel Ángel Nuñez

Universidad Adventista del Plata

Sei que falar de Deus é infinitamente mais simples do que dialogar com Deus.

Sei que a idéia de status, implícita na investidura pastoral pode facilmente macular os mais fracos... e os fortes também.

Sei que é mais fácil lutar contra o pecado de outra pessoa do que batalhar contra o meu.

Sei que o púlpito é um lugar sagrado, enquanto não é contaminado pelo orgulho e pela arrogância.

Sei que é mais cômodo liderar, dando a impressão de possuir todas as respostas, do que buscar, dia a dia, e com insistência, a verdade.

Sei que, um dia, deverei prestar contas do que disse, do que não disse e do que sabia que deveria dizer; porém, por medo, conveniência ou política, optei por calar, acreditando que ninguém iria ser afetado por meu silêncio.

Sei que meu silêncio é tão eloqüente como minhas palavras.

Sei que falar é mais simples do que ouvir.

Sei que, entre todos os que me ouvem, existem aqueles que nunca verão o homem que existe em meu interior, travando batalhas tão árduas e desgastantes que nem durante toda a minha vida eu conseguiria descrevê-las.

Sei que, como pastor, às vezes é mais cômodo me acomodar à idéias de que já sei tudo e nada mais preciso aprender.

Sei que devo lutar todos os dias e a cada instante, no silêncio da consciência, não apenas para crer, mas para me conservar nas mãos dAquele a quem tenho a pretensão de guiar outras pessoas.

Sei que devo estar atento aos lobos vestidos de pastores, a fim de proteger minhas ovelhas.

Sei que amar é melhor do que odiar. Porém, é o caminho mais difícil.

Sei que o reduto onde acabam o pensamento e a capacidade de raciocinar é o canto do dogma e da resposta rápida de quem apenas memoriza sem pensar.

Sei que fui chamado a pastorear não apenas os que me agradam. Isso faz com que minha tarefa seja um fardo difícil de levar.

Sei que me levantar em defesa do fraco e do perseguido é infinitamente mais difícil do que a cumplicidade do silêncio.

Sei que é mais simples nos deixar enganar pelo aplauso, do que dar crédito à crítica honesta do amigo que entende que não somos mais do que humanos.

Sei que a repetição constante dos mesmos conceitos, sem pergunta, diálogo e análise, leva inevitavelmente à apatia e à sensação de não ter nada mais a aprender.

Sei que deverei estar resignado de que nem todos me entenderão, às vezes, até mesmo quando acreditam que já entenderam.

Sei que a vida é enormemente mais difícil do que às vezes fazemos parecer em um sermão.Sei que pregar é mais fácil do que viver.

Sei que, mesmo que dirigir um funeral se torne rotina, não posso evitar o estremecimento de entender que a vida tem fim, e existe a possibilidade de que, em algum momento, outro pastor esteja dizendo as mesmas palavra a meu respeito.

Sei que a teoria é diferente da prática, mas, sem teoria, não há prática que resista.

Sei que carrego sobre meus ombros mais segredos do que gostaria e mais do que desejaria enfrentar conscientemente. Talvez, por isso, me recolho freqüentemente à solidão silenciosa das letras.

Sei que estou ligado a uma forma de vida que inevitavelmente me obriga a ser ponto de referência.

Sei quão difícil é me saber imperfeito, ainda que, em mais de uma ocasião, seja obrigado a crer que devo viver como se não o fosse.

Sei que o pastorado não é carreira, nem profissão, nem trabalho, mas um chamado constante a escutar a voz silenciosa de Deus e fazê-la ecoar, a fim de que outros também possam ouvi-la.

Sei que quando a dor e o erro me arrastarem, necessitarei de outro pastor para me dizer o que digo hoje.

Sei que, um dia, verei a face de Jesus, e terei de reconhecer que muitas das minhas convicções simplesmente foram apenas vislumbres da verdade.

Revista Ministério, set./out. 2006, p. 23.

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