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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Indicação de Livro: O Juízo Investigativo Pré-Advento

Bibliografia: Alves, João Antônio Rodrigues. O Juízo Investigativo Pré-Advento: Uma Avaliação de Seu Desenvolvimento Histórico nos Escritos de Uriah Smith, Edward Heppenstall e William H Shea. Cachoeira: CEPLIB, 2008.

Sinopse: “O conceito do juízo investigativo é um pilar da teologia adventista. Entretanto, ocasionalmente algumas vozes se levantaram dentro da IASD que negaram ou questionaram este conceito. Por sua vez, este conceito teológico tem sido defendido firmemente pelos intérpretes adventistas. Questionam-se vários elementos fundamentais relacionados com o juízo, como as datas de 457 a. C. e 1844 d. C. como uma explicação de Daniel 8:14, a relação entre os capítulos 8 e 9 de Daniel, o princípio de interpretação profética dia-ano, a relação entre Daniel 8 e Levítico 16, entre outros.

“As críticas, portanto, atacam os aspectos exegéticos, históricos e teológicos deste conceito, e suscitam as seguintes perguntas: É possível que as eventuais críticas hajam levado a uma reavaliação do conceito? Há mudanças essenciais na maneira em que o tema tem sido interpretado durante o transcurso dos anos, até nossos dias?

“Algumas perguntas são importantes ao se analisar o tema do juízo, dentre as quais se destacam: Mantém-se a interpretação tradicional defendida pelos pioneiros? Há continuidade ou descontinuidade interpretativa histórica-teológica sobre o tema do juízo na IASD? Tem surgido alguma idéia nova, uma nova visão, um refinamento teológico, agregados ao conceito inicial, que tornou a posição sobre o juízo mais significativa ou adequada ao momento teológico atual da igreja? Eventuais sugestões sinalizam uma possível mudança radical na compreensão do juízo com a passagem do tempo?

“No presente estudo apresenta-se uma exposição sistemática e cronológica da compreensão do conceito do juízo investigativo nos escritos de Uriah Smith, Edward Heppenstall e William H. Shea, os quais representam diferentes épocas na história da teologia adventista e as diferentes tendências na compreensão do juízo investigativo pré-advento na IASD. Assim, Smith representa a época formativa, Heppenstall a intermediária e Shea a contemporânea.

“Visto que estes autores oferecem uma oportunidade para a observação de variações, modificações, refinamento ou reformulações na exposição do conceito do juízo investigativo, o pensamento de cada um deles é comparado, com o objetivo de verificar em que aspectos coincidem e em quais diferem. Assim, as exposições de ditos autores servem para uma observação de como a IASD enfocou este tema no transcurso do tempo, e identificar se tais exposições responderam às críticas apresentadas contra sua compreensão sobre o tema do juízo” (Fonte: Contracapa).

Comentário: Excelente livro sobre o desenvolvimento histórico da doutrina do Juízo Investigativo dentro do adventismo. A proposta do autor, conforme delineada na contracapa, é analisar esse desenvolvimento através dos escritos de três teólogos adventistas que pensaram e escreveram sobre o assunto em três épocas distintas.

O primeiro capítulo do livro dá o ambiente histórico onde se iniciou o movimento milerita e estabelece o momento incipiente onde o conceito do juízo investigativo se desenvolveu dentro do milerismo. Atenção especial é dada a Josias Litch que, como se demonstra, foi o pioneiro milerita que fez os primeiros aportes ao conceito.

No segundo capítulo é analisado o conceito do juízo investigativo dentro dos escritos de Uriah Smith, principal erudito da teologia adventista por muitos anos, principalmente na era formativa. Como proposto, mostra os primeiros desenvolvimentos do conceito dentro do adventismo do sétimo dia, principalmente a iteração entre os conceitos do santuário, da purificação desse santuário, e do tempo de sua purificação, a profecia da 2300 tardes e manhãs (Daniel 8:14).

No terceiro capítulo os escritos de Edward Heppenstall são analisados e como ele desenvolveu o conceito do juízo investigativo. Como no capítulo anterior, se estuda como a doutrina foi estabelecida dentro da perspectiva do tempo, do lugar e da ação descritas em Daniel 8:14. Muito interessante a análise do cristocentrismo em toda a teologia de Heppenstall, não só com relação a doutrina do juízo investigativo, como outros ramos da teologia adventista.

No quarto capítulo a produção literária de William Shea sobre o assunto é analisada. Além de mostrar as mesmas categorias estudadas nos capítulos anteriores, o Dr. João Antônio mostra como Shea reforçou as bases exegéticas e teológicas da doutrina do juízo investigativo, principalmente com o estudo exegético de Daniel e o aprofundamento do princípio dia-ano.

No quinto e último capítulo, se faz um apanhado geral de todo o livro e o que pode ser aprendido do estudo. A principal conclusão é que o conceito do juízo investigativo se manteve essencialmente o mesmo, desde o início do adventismo do sétimo dia até nossos dias, o que mostra que nossos pioneiros estabeleceram a doutrinas sobre bases sólidas o suficiente para que o crivo do tempo mostrasse a importância de tais descobrimentos doutrinários.

É um excelente livro e de fácil leitura, apesar de se tratar de uma tese doutoral. Traz, além, é claro, do foco principal do estudo, informações importantes sobre o juízo investigativo e sua relevância para nossos dias. Altamente recomendado!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Indicação de Livro: Testemunhas Oculares

Bibliografia: Douglass, Herbert E. Testemunhas Oculares: Histórias de Pessoas que Conheceram Ellen White e Creram em Seu Dom. Traduzido por Karina Carnassale Deana. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2008.

Sinopse: “Eles estiveram lá. Eles viram Ellen White. Eles a ouviram falar. O que as suas histórias têm a nos dizer hoje?

“Um pregador com duas esposas.

“Uma evangelista com uma mancha em sua vida.

“Um homem cuja presença impossibilitou Ellen White de falar.

“Essas são apenas algumas das 24 histórias fascinantes que você encontrará neste livro. Os adventistas que ouviram Ellen White pregar ou que a viram em visão eram muito parecidos conosco. Assim como nós eles tinham dúvidas, problemas e preocupações ao tentarem manter a fé durante as atividades cotidianas do trabalho, do relacionamento familiar e da igreja. Mas, diferentemente de nós, muitos deles tiveram a oportunidade de ver de perto o dom profético em ação.

“Cada um dos envolvidos nessas histórias foi diretamente influenciado por Ellen White e suas visões. Eles viram por si mesmos o poder de Deus que acompanhava o trabalho dela. Alguns continuaram a rejeitar suas mensagens. Para muitos, porém, o resultado foi uma confirmação poderosa de sua confiança no ministério da serva do Senhor.

“Você apreciará este livro como fonte de histórias fascinantes sobre Ellen White, mas também como ótima leitura (Fonte: contracapa).”

“Cada um dos envolvidos nessas histórias foi diretamente influenciado por Ellen White e suas visões. Eles viram por si mesmos o poder de Deus que acompanhava o trabalho dela. Alguns continuaram a rejeitar suas mensagens. Para muitos, porém, o resultado foi uma confirmação poderosa de sua confiança no ministério da serva do Senhor (Fonte: Casa Publicadora Brasileira).”

Comentário: Muitos ficam intimidados ao ver a quantidade de páginas do outro livro de Hebert Douglass publicado em português, Mensageira do Senhor. Contudo, um vislumbre de algumas das principais histórias contadas neste livro está em Testemunhas Oculares.

Como o próprio título já diz, o autor coletou as histórias que envolveram o ministério profético de Ellen White e as contou do ponto de vista de quem com ela conviveu. É claro que, para esclarecimento, algumas citações dos livros dela são feitas. Contudo, primariamente, o material é da pena das pessoas que testemunharam as visões, conselhos e lições de Ellen White.

É um livro fácil de ler, de linguagem agradável, e muito envolvente. Muitas vezes, você se sentirá como um dos ouvintes numa grande campal, ou como um membro de uma mesa diretiva, e poderá vislumbrar um pouco de como teria sido estar naqueles lugares, naquele tempo, tendo o privilégio de ouvir a mensagem de Deus diretamente de Seu apontado instrumento.

Além de tudo isso, esse livro o ajudará a ter uma compreensão inicial do impacto do ministério de Ellen White dentro do seio da Igreja Adventista. Contudo, o mais importante é como esse livro pode ajudá-lo a fortalecer a confiança no dom profético dado à igreja de Deus nessa Terra. Mais do que isso, poderá ajudá-lo a, ainda hoje, no século XXI, confiar no conselho divino dado através da mensageira do Senhor, Ellen G. White.

Indicação de Livro: Arco-Íris sobre o Inferno

Bibliografia: Mohri, Tsuneyuki. Arco-Íris sobre o Inferno: O Milagre na Vida de um Combatente Japonês da Segunda Guerra Mundial. Traduzido por Delmar F. Freire. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2008.

Sinopse: “Este livro relata os horrores da Segunda Guerra Mundial através dos olhos de um jovem japonês que se uniu à resistência contra os americanos e tornou-se um assassino. A prisão de Saburo e sua condenação à morte formaram o pano de fundo para um encontro capaz de transformar a vida, o encontro com outro Homem condenado que morreu muito tempo atrás para garantir sua liberdade. Ao ler esta história, você também vai encontrar o Homem que libertou Saburo - Aquele que dá vida aos que foram condenados à morte (Fonte: Casa Publicadora Brasileira).

Comentário: Excelente livro ambientado na Segunda Guerra Mundial. Uma experiência linda e cativante sobre a conversão de Saburo Arakaki. O cuidado de Deus, Sua proteção, Sua insistência em salvar Seus filhos, Seu poder imputado àqueles que o querem obedecer não importa o que aconteça, a transformação que Sua graça produz: esses são alguns dos temas que esta biografia traz. Leitura altamente recomendada.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Indicação de Livro: Do Sábado para o Domingo


Bibliografia: Haynes, Carlyle B. Do Sábado para o Domingo. Traduzido por Almir A. Fonseca. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2006.
Sinopse: “Este livro mostra, através de fatos bem documentados, que o ciclo semanal permanece inalterado desde a Criação. E que o sábado do sétimo dia, portanto, não se perdeu ao longo da história humana. Nem mesmo com a mudança no calendário, em 1582. Sua observância, entretanto, foi mudada para o primeiro dia da semana. Veja aqui quando, como, por que e por quem foi efetuada essa mudança” (Fonte: contracapa).
“Exame dos aspectos históricos da questão do sábado mostrando como, quando, por que e por quem foi feita a mudança do sétimo para o primeiro dia da semana. Este livro mostra, através de fatos bem documentados, que o ciclo semanal permanece inalterado desde a Criação. E que o Sábado do sétimo dia, portanto, não se perdeu ao longo da história humana” (Fonte: Casa Publicadora Brasileira).
Comentário: Pequeno, mas robusto. Esse livreto traz informações preciosas sobre a questão da mudança da adoração do sábado para o domingo. Além de mostrar as bases bíblicas para a observância do sábado do sétimo dia, mostra também como a igreja cristã adotou o primeiro dia da semana, o domingo, como dia de culto e adoração, a questão da mudança do calendário juliano para o gregoriano, o que os credos protestantes dizem a respeito da vigência da Lei de Deus e como a mensagem do sábado é importante para os nossos dias.
A linguagem do livro é fácil mesmo contendo muitas informações e citações. Pra quem está começando a descobrir a verdade do sábado ou pra quem quer revitalizar sua crença nesta maravilhosa doutrina, este livro é um prato cheio.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Em Casa ou numa Hospedaria: Onde, Afinal, Nasceu Jesus?

Antes de ler as próximas linhas e sem ler qualquer parte da Bíblia, pare e pense: quando você imagina o nascimento de Jesus, qual é o ambiente? Agora, lei Lucas 2:1-7 (abaixo). Será que, como eu, você não completou com a imaginação (ou com a tradição) vários detalhes que não estão no texto?

1 Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se.
2 Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria.
3 Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
4 José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi,
5 a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.
6 Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias,
7 e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.[1]

Recentemente, através do blog da Logos, li um artigo muito interessante da Bible Study Magazine, revista que aborda tópicos e ferramentas sobre o estudo da Bíblia, principalmente o Logos Bible Software. A revista é bimestral e na última edição (nov-dez) apareceu o artigo “Away in a Manger, but Not in a Barn”, de Gary A. Byers (leia o artigo na íntegra).[2] Não concordo com tudo o que o artigo diz, principalmente algumas conclusões sobre o significado do ambiente no qual Jesus nasceu. Gostaria, porém, de compartilhar algumas coisas que descobri com o artigo e outros materiais que li (motivados pelas discussões sugeridas no texto) para que nós possamos repensar o ambiente do nascimento de Jesus.

Uma Falsa Acusação

Muitas vezes, nos programas de Natal nas igrejas, se encena a história do nascimento de Jesus. Lembro-me de ter, eu mesmo, participado de uma peça assim. O enredo da encenação era de que o dono de uma hospedaria não quis dar lugar para Jesus em seus aposentos e mandou-os para o estábulo para dormir com os animais. Enquanto isso, seu filho, que era pastor de ovelhas, recebe a mensagem dos anjos e corre para contar a sua família sobre o nascimento do Messias. E qual não é a surpresa daquele hospedeiro ao descobrir que a tão esperada Criança nascera no estábulo de sua hospedaria.

Contudo, se atentarmos para o relato de Lucas (que é o único que conta esta parte da história) vemos que não existe tal personagem, o dono da hospedaria. Não há, inclusive, nenhum registro de uma suposta conversa entre eles. A única coisa que é dita é que “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2:7).

Portanto, a primeira coisa que precisamos fazer é nos desculparmos com os hospedeiros da Palestina. Por anos nós os acusamos de serem mesquinhos e darem o pior lugar para que Maria e José se acomodassem. Inclusive, o Comentário Bíblico Adventista diz que não havia lugar “simplesmente porque a hospedaria já estava cheia de convidados. Nenhum pensamento de não-hospitalidade da parte do hospedeiro é implicado.”[3]

Um Lugar Diferente

No começo dessa postagem, quando pedi que você imaginasse a cena do nascimento de Jesus, veio à sua mente a imagem de um estábulo, cheio de bois, jumentos e ovelhas, entre os quais Maria deu a luz? A maioria das pessoas tem essa imagem. Fomos acostumados a ver nos presépios e figuras a representação de um estábulo. E, juntamente com a figura do malvado hospedeiro, vemos este estábulo longe da hospedaria, José e Maria cercados de animais e completamente sozinhos no mundo.

Por que é essa a imagem que nos vem a mente? Não é por causa de alguma menção do texto, mas pela proeminência de uma palavra: manjedoura. E, como diz Byers em seu artigo, pra nossa mente ocidental, o lugar da manjedoura é no estábulo.[4] Mas não era necessariamente assim no 1 séc. a. C. Segundo o TDNT, a maior parte das manjedouras (e dos animais) ficava dentro de casa, principalmente a noite. As manjedouras, muitas vezes, eram escavadas na rocha, mas estavam dentro do espaço onde a família vivia.[5] Normalmente, as casas possuíam dois pavimentos. O térreo era utilizado durante o dia para várias atividades; os quartos, porém, ficavam no andar superior. Durante a noite, animais feridos e/ou animais de maior valor eram alojados nesse pavimento inferior. Até mesmo, em algumas noites frias, era possível dormir com os animais para poder se aquecer.

Além disso, por que insistimos que Jesus estava numa hospedaria? Em Lucas 2:7, a palavra traduzida por hospedaria é κατάλυμα (katalyma). Esta palavra ocorre em apenas outros dois lugares no Novo Testamento (Marcos 14:14; Lucas 21:11), mas traduzida por aposento. E, notem: esta é a palavra para o que nós chamamos de cenáculo, o lugar da Última Ceia. Assim, κατάλυμα se refere ao andar superior de uma casa, onde se toma uma refeição ou onde se dorme.

Se Lucas estivesse se referindo a uma hospedaria, ele saberia como chamá-la devidamente, como ele realmente o fez ao contar a parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37). Lucas teria empregado a palavra πανδοχεῖον (pandocheion) como em Lucas 10:34. Inclusive, ao falar desse lugar, ele cita o πανδοχεύς (pandocheus), o hospedeiro (Lucas 10:35).

Um Fato Notável

O que toda essa discussão pode acrescentar à nossa compreensão do nascimento de Jesus? Em primeiro lugar, deveria nos alertar quanto a não impor sobre as Escrituras imagens preconcebidas ou impostas pela tradição. A verdade sempre é melhor e sempre acrescenta mais à nossa vida espiritual do que algo deturpado ao longo dos anos.

Byers, pelas considerações acima, sugere que Jesus, ao invés de ter nascido numa hospedaria, tenha nascido numa casa, muito provavelmente entre sua família que morava em Belém. Assim, o fato de não haver lugar para Maria e José junto com os seus familiares no andar superior da casa reforça o pensamento de que nem mesmo sua própria família reconheceu o extraordinário acontecimento que ocorria.

Normalmente, citamos a falta de discernimento espiritual dos líderes de Israel que não puderam se aperceber do tempo em que viviam. Com a abordagem de Byers também podemos ver que nem a família próxima de Jesus teve tal discernimento, a começar por seu nascimento.

Que, ao contrário da família de Jesus, nossa família possa estar atenta à presença de Jesus, não apenas no Natal, mas em todos os momentos da vida. Apesar de batido, vale a pena lembrar o antigo refrão: “que Jesus nasça, mais uma vez, em seu coração.” Feliz Natal!

[1] Sociedade Bíblica do Brasil, Almeida Revista e Atualizada (Sociedade Bíblica do Brasil, 1993; 2005), Lc 2:1-7.

[2] Byers, Gary A. "Away in a Manger, but Not in a Barn: The Nativity Like You`ve Never Seen It Before." Bible Study Magazine 1, no. 4 (2009): 44-46.

[3] The Seventh-day Adventist Bible Commentary. Editado por Nichol, Francis D. Hagerstown: Review and Herald Publishing Association, 1978, 5:698.

[4] Byers, “Away in a Manger,” 45.

[5] Theological Dictionary of the New Testament. Editado por Kittel, Gerhard e Gerhard Friedrich. Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1976, 9:52.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Indicação de Livro: Sobre a Preparação e Entrega de Sermões

Bibliografia: Broadus, John A. Sobre a Preparação e Entrega de Sermões: O Mais Completo Manual de Homilética da Atualidade. Traduzido por Cláudio Rodrigues. São Paulo: Hagnos, 2009.

Sinopse: “Entendemos que um clássico, por representar um primitivo esforço de exploração humana, goza de status privilegiado em face da exploração contemporânea no mesmo campo, o que condiz com o fato deste seu status privilegiado fazer com que os modernos cultores da disciplina em questão acreditem poder aprender tanto com o conteúdo desta obra quanto com o estudo das obras de seus contemporâneos.

“Um clássico tem grande valor porque estabelece critérios básicos em seu campo de especialidade, critérios estes que servirão, para as gerações que se seguirão, como nortes. Aqui fica claro que se pressupõe que haja, no âmbito da humanidade, problemas comuns e universais que se sobressaem ao tempo e ao espaço, problemas humanos.

“No âmbito de uma determinada disciplina, o novo só deve ser respeitado à medida que ele, tendo trilhado o árduo caminho de retorno e de escuta ao que os mais velhos disseram, o que já significa uma atitude de respeito ao quinto mandamento, honrar pai e mãe, ao mesmo tempo em que, guiado pela experiência dos antigos, possa nos esclarecer sobre os novos rumos a serem tomados; e isto com o merecido respeito às autênticas contrapondo-se às ideológicas reivindicações da modernidade.

“Bem, o clássico Sobre a Preparação e a Entrega de Sermões do Dr. Broadus tem permanecido, no campo da homilética como tal porque preenche os requisitos expostos acima e, por isso, continua e continuará sendo de leitura indispensável para todos que acreditam que a pregação ou, a genuinamente cristã, homilia deve ser estudada com todo o respeito que merece, afinal de contas, trata-se, nada mais nada menos, do evento da Palavra de Deus que é a pregação pelo próprio Deus, mas, no que diz respeito a nós, façamos a nossa parte” (Fonte: Erdos).

Comentário: Este é um excelente livro sobre homilética, a arte de pregar. Apesar de ser um livro antigo (sua primeira edição data de 1870), seu conteúdo permanece um tesouro. Mesmo porque, para essa nova edição em português, seu conteúdo foi revisto, aprimorado e atualizado, sem perder, contudo, sua essência.

Apesar de seu conteúdo excepcional, não recomendo que esse seja o primeiro livro de homilética de alguém. Apesar de cobrir todos os principais tópicos sobre a preparação de um sermão, ele não faz de maneira técnica. Ele é mais uma dissertação, uma explicação dos princípios gerais, não um livro instrumental que ensina as técnicas básicas para a elaboração de um sermão. Antes de lê-lo, alguém que quisesse aprimorar sua técnica homilética deveria ler as obras Pregação Bíblica, de Haddon W. Robinson,[1] que ensina, de maneira prática, os passos para se produzir um bom sermão, e Como Preparar e Apresentar Sermões, de Emilson dos Reis,[2] que, além de tratar (apesar de mais brevemente que Robinson) da elaboração do sermão, também traz técnicas para a melhoria da dicção e figuras ilustrativas dos principais gestos usados na apresentação do sermão.

Alguns capítulos da obra de Broadus merecem especial menção. O capítulo 19, “Argumentação”, trata dos princípios da argumentação e como utilizá-los para a elaboração do sermão. O capítulo 30, “Os Métodos de Elocução”, discorre sobre as várias maneiras pelas quais um sermão pode ser apresentado, seus pontos fortes e fracos, e a técnica que, segundo o autor, é a mais eficaz de todas elas. O capítulo 33, “Abordagens Contemporâneas à Elocução do Sermão”, traz algumas idéias novas de como o sermão pode ser apresentado. Além disso tudo, fiquei feliz em encontrar, mesmo num tratado homilético não-adventista, um espaço especial dedicado a cultura da voz (capítulo 31, “A Voz na Elocução") e aos elementos do culto ( seção VIII, “A Direção do Culto Público”).

O livro em si é de capa dura, folhas com gramatura um pouco mais grossas e papel levemente amarelado, o que torna sua leitura muito aprazível. Recomendo-o, pois além de sua linguagem fácil, traz à tona novos lampejos sobre a arte de preparar e apresentar sermões.

[1] Robinson, Haddon W. Pregação Bíblica: O Desenvolvimento e Entrega de Sermões Expositivos. Traduzido por Hope Gordon Silva. São Paulo: Shedd Publicações, 2002.

[2] Reis, Emilson dos. Como Preparar e Apresentar Sermões. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2007.

sábado, 28 de novembro de 2009

Indicação de Livro: A Luz de Hebreus

Bibliografia: A Luz de Hebreus: Intercessão, Expiação e Juízo no Santuário Celestial. 2 ed. Editado por Holbrook, Frank B. Engenheiro Coelho: Unaspress, 2009.

Sinopse: “Embora não seja um livro profético, Hebreus teve uma função vital para os pioneiros do adventismo no contexto do Desapontamento em 1844, pois forneceu os passos iniciais para a compreensão e solução daquele acontecimento. Seu estudo foi um fator decisivo nos anos de formação doutrinária do adventismo, especialmente ao definir a crença bíblica do ministério sacerdotal expiatório de Jesus no santuário celestial, em duas fases, com forte ênfase na segunda vinda. A carta aos Hebreus apresenta de forma específica e sistematizada temas essenciais apenas esboçados em outros livros. A Luz de Hebreus, quarto volume da série Santuário e Profecias Apocalípticas, traz uma seleção dos melhores artigos produzidos com base no estudo dessa carta singular. Aborda a correspondência tipológica entre os santuários celestial e terrestre e as referências ao dia da expiação, além de analisar todas as passagens-chave e discutir a tradução mais correta para certos termos originais” (Fonte: Unaspress).

Comentário: Excelente livro sobre Hebreus e sua importância para a teologia adventista. Talvez alguns, ao lerem suas páginas, ficarão um pouco atordoados por verem que muitos dos nossos argumentos leigos sobre a conexão entre o Hebreus e Levítico não são totalmente verdadeiros. Mas terão, como recompensa, a segurança de entender melhor a contribuição singular da epístola para nosso entendimento da doutrina do santuário e do ministério bifásico de Jesus no céu.

Destaque especial para o capítulo 2, “Panorama Geral de Hebreus”, cujo autor é William G. Johnsson. Ele trás uma introdução sucinta, mas muito equilibrada, sobre a estrutura, propósito e contexto histórico da epístola. Além disso, o capítulo 7, “Tipologia no Livro de Hebreus”, de autoria de Richard M. Davidson, é uma aula sobre tipologia bíblica.

Apesar de alguns erros de digitação e a aparente confusão nas subdivisões do capítulo 7, o livro é excelente. Não apenas dá ao leitor informações como também lampejos dAquele que, em todas as coisas, é Superior: Jesus.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Indicação de Livro: Vivendo na Palavra

Bibliografia: Hendricks, Howard e William Hendricks. Vivendo na Palavra. Traduzido por Talita Rose Bauler. São Paulo, SP: Batista Regular, 1998.

Sinopse: “Uma ferramenta ideal para o ensino do estudo da Bíblia na igreja ou para o aprendizado individual.

“Bíblias empoeiradas levam a vida sujas. Na verdade, ou você está na Palavra e a Palavra o está conformando à imagem de Jesus Cristo, ou você está no mundo e o mundo o está pressionando a seus moldes.

“Muito embora a Bíblia continue sendo o livro mais vendido no mundo, é também um dos mais negligenciados. O estudo da Bíblia é obrigatório para o cristão. Mais do que uma obrigação, ela provê proteção para a batalha diária, conforto nas esperanças frustradas, e educação contínua para uma vida que vale a pena ser vivida.

“O que se pode esperar deste livro?

“Você encontrará um processo simples e provado;

“Você ganhará um valioso senso de autoconfiança;

“Você experimentará a alegria da descoberta pessoal;

“Você irá aprofundar seu relacionamento com Deus.

“Você aprenderá a estudar a sua Bíblia.” (Fonte: Erdos)

Comentário: Gostaria de ter lido esse livro antes mesmo de vir para o seminário. Com uma linguagem acessível e descomplicada, os autores demonstram um método muito interessante de estudo pessoal da Bíblia. Até onde pude perceber, a metodologia é solidamente baseada em princípios hermenêuticos sadios. Seu grande mérito é traduzir todas as ferramentas das quais os teólogos se utilizam de uma maneira que qualquer pessoa que se interesse genuinamente pelo estudo da Bíblia não encontrará dificuldades muito grandes para fazê-lo.

Além disso, aqueles que já tem certa familiaridade com o processo hermenêutico encontrarão várias dicas importantes e, até mesmo, lampejos devocionais durante todo o livro. Apreciei muito a sua leitura. Pretendo relê-lo para anotar algumas dicas que julguei de especial valor e algumas frases e histórias também muito úteis até mesmo para a pregação.

Apesar de sua ênfase inicial no conceito da inerrância (com o qual não concordo plenamente, apesar de admirar o esforço em defender a confiança na Bíblia), recomendo este livro a todos os que querem se engajar num estudo profundo das Sagradas Escrituras aprendendo por si só as grandes verdades da inefável Palavra de Deus.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Cantando o Pai Nosso

Quando cursei a disciplina Grego I com o Prof. Milton, aqueles que precisassem de uma “forcinha” na média poderiam recitar a Oração do Senhor, o Pai Nosso, em grego. Naquela época, não precisei decorar os versos, mas sempre quis saber essa passagem de cor na língua original.

Marlon Miranda foi muito criativo ao compor esta música cuja letra é o Pai Nosso em grego. Coloco abaixo o vídeo e a letra (interlinear) pra que você possa acompanhar. Na primeira linha, a letra em caracteres gregos. Na segunda linha, a transliteração. Na terceira linha, a tradução, conforme a Almeida Revista e Atualizada. Enjoy!




Πάτερ ἡμῶν ὁ ἐν τοῖς οὐρανοῖς
Pater hēmōn ho en tois ouranois
Pai nosso que estás no céus

ἁγιασθήτω τὸ ὄνομά σου
hagiasthētō to onoma sou
santificado seja o teu nome

ἐλθέτω ἡ βασιλεία σου
elthetō hē basileia sou
venha o teu reino

γενηθήτω τὸ θέλημά σου
genēthētō to thema sou
faça-se a tua vontade

ὡς ἐν οὐρανῷ καὶ ἐπὶ γῆς
hōs en ouranō kai epi gēs
assim na terra como no céu

τὸν ἄρτον ἡμῶν τὸν ἐπιούσιον δὸς ἡμῖν σήμερον
ton arton hēmōn ton epiousion dos hēmin meron
o pão nosso de cada dia dá-nos hoje

καὶ ἄφες ἡμῖν τὰ ὀφειλήματα ἡμῶν
kai afes hēmin ta ofeimata hēmōn
e perdoa-nos as nossas dívidas

ὡς καὶ ἡμεῖς ἀφήκαμεν τοῖς ὀφειλέταις ἡμῶν
hōs kai hēmeis akamen tois ofeiletais hēmōn
assim como nós temos perdoado aos nosso devedores

καὶ μὴ εἰσενέγκῃς ἡμᾶς εἰς πειρασμόν
kai mē eisenenkēs hēmas eis peirasmon
e não nos deixes cair em tentação

ἀλλὰ ῥῦσαι ἡμᾶς ἀπὸ τοῦ πονηροῦ
alla rhysai hēmas apo tou ponērou
mas livra-nos do mal

ὅτι σοῦ ἐστιν ἡ βασιλεία καὶ ἡ δύναμις καὶ ἡ δόξα εἰς τοὺς αἰῶνας
hoti sou estin hē basileia kai hē dynamis kai hē doxa eis tous aiōnas
pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre

ἀμήν
amēn
amém

"Contando" o Alfabeto Grego

Gostei desse vídeo que encontrei no YouTube. É um método alternativo pra quem quer aprender o alfabeto grego através de recursos mnemônicos. Bem interessante e instrutivo.

É Hora de Viver

Depois de quatro meses, é bom poder ter tempo para publicar algo no blog. Como vocês viram, ele está com um layout novo (dica da minha esposa) e espero agora entrar num ritmo melhor do que “de três em três meses” para sua atualização.

Minha ausência se deveu ao meu estágio de Evangelismo. Durante o curso de Teologia, no segundo semestre do terceiro ano, os alunos são enviados para os mais diversos lugares do país para dirigir uma série de conferências públicas. Ao invés de serem apenas obreiros, cada aluno é, virtualmente, o “pastor-evangelista” de seu ponto. Ele organiza a igreja, o trabalho, os materiais, o local das reuniões; faz contatos com autoridades locais, prega, dá estudos bíblicos; enfim, todas as responsabilidades de uma campanha evangelística estão sobre seus ombros. Essa experiência é muito gratificante e educativa. O envolvimento no trabalho missionário de maneira tão imersiva coloca sob nova perspectiva nosso chamado para o ministério.

Meu estágio foi realizado na cidade de Alagoinhas – BA, a 100 quilômetros daqui do SALT. O bairro onde realizamos o evangelismo foi o Mangalô, bairro de periferia, já na saída da cidade em direção a Feira de Santana. Duas igrejas deram seu apoio para o desenvolvimento do projeto: a igreja do Petrolar e do 15 de Novembro, ambas do distrito do 21 de Setembro, pasteoreado pelo Pr. Pedro Evilázio.

Se você quiser saber um pouco mais sobre como foi esta experiência, não só pra mim, mas para muitos de meus colegas, abaixo estão os links das três notícias que coloquei no blog do Evangelismo, especialmente produzido para que pudéssemos contar e receber as notícias de todos os evangelistas.

Por fim, agradeço muito a Deus pela oportunidade de me engajar neste ramo de Seu trabalho. Com certeza, será inesquecível esse período que passei submerso no trabalho evangelístico. Agradeço também, de maneira muito especial, à minha esposa, que foi, em todos os momentos, meu porto seguro, meu esteio, meu consolo, e minha fiel conselheira. Agradeço também a todos os que oraram e contribuíram financeiramente para esse projeto. Deus lhes dará justa recompensa no dia de Sua vinda. Obrigado a todos.

Clacir Virmes Junior - É Hora de Viver no Mangalô (Alagoinhas – BA)

Clacir Virmes Junior - É Hora de Viver Milagres no Mangalô (Alagoinhas – BA)

Clacir Virmes Junior - É Hora de Viver os Primeiros Batismos no Mangalô (Alagoinhas – BA)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Indicação de Site: Só Português

Podem me chamar de obcecado: gosto de estudar as línguas, mas me preocupo muito com a famigerada análise sintática. Prova disso é o fato de que o meu primeiro post neste blog foi sobre esse assunto.

Neste último fim de semana, participei do VIII Simpósio Bíblico-Teológico Sul-Americano. Tive o privilégio de reencontrar o Prof. Milton Torres, que estava fazendo a tradução consecutiva de alguns dos palestrantes. Batemos um bom papo antes do início da abertura e “trocamos umas figurinhas” durante as primeiras palestras.

Numa dessas “trocas”, expressei-lhe minha preocupação em entender a análise sintática, primeiramente em português e depois para aplicá-la no estudo das línguas bíblicas. Inclusive, comentei com ele que estive estudando alguns livros de análise sintática aplicada ao estudo da Bíblia em inglês. Ao lê-los, deparei-me com os termos empregados para a explicação sintática cujos significados em português nem sempre eram nítidos para mim.

Bom, não tenho como transcrever toda a conversa (até, fiquei de mandar-lhe um email para que ele me mande algumas referências para estudo). Mesmo assim, ainda fiquei preocupado com a questão.

Hoje, fazendo minhas pesquisas na internet, encontrei este site: Só Português. Ele tem um excelente material introdutório, de fácil assimilação. É resumido, mas amplo o bastante para tocar no principal e nos detalhes importantes. Tem várias seções cobrindo não só análise sintática, mas morfologia, semântica, e outras áreas do estudo da língua. Destaque especial para a seção “Jogos” que exercitam vários aspectos do português, principalmente ortografia e morfologia.

É claro, de todas as seções, estou “devorando” a “Sintaxe”. Estou relembrando e aprendendo muito. Espero que seja útil para todos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Que Sei como Pastor

Sei que faz tempo (3 meses pra ser exato) que não posto nada por aqui. Acontece com as atividades de evangelismo, monografia e viagens. Mas, pela graça de Deus, espero escrever um pouco mais.

Recebi hoje, com alegria, um email do meu professor e amigo Milton L. Torres. No rodapé da mensagem, vi o endereço do que, ao que tudo indica, é o novo endereço do seu blog. Lá encontrei essa mensagem, escrita pelo pastor Miguel Ángel Nuñez sobre a vida do pastor. Penso que ela é muito própria e me fez refletir sobre o chamado que tive coragem de ouvir e o encargo que ousei carregar desde o dia em que fiz vestibular para o curso de Teologia.

Espero que os estudantes de teologia e pastores (conhecidos e desconhecidos meus) possam refletir nestas palavras.

O Que Sei como Pastor

por Miguel Ángel Nuñez

Universidad Adventista del Plata

Sei que falar de Deus é infinitamente mais simples do que dialogar com Deus.

Sei que a idéia de status, implícita na investidura pastoral pode facilmente macular os mais fracos... e os fortes também.

Sei que é mais fácil lutar contra o pecado de outra pessoa do que batalhar contra o meu.

Sei que o púlpito é um lugar sagrado, enquanto não é contaminado pelo orgulho e pela arrogância.

Sei que é mais cômodo liderar, dando a impressão de possuir todas as respostas, do que buscar, dia a dia, e com insistência, a verdade.

Sei que, um dia, deverei prestar contas do que disse, do que não disse e do que sabia que deveria dizer; porém, por medo, conveniência ou política, optei por calar, acreditando que ninguém iria ser afetado por meu silêncio.

Sei que meu silêncio é tão eloqüente como minhas palavras.

Sei que falar é mais simples do que ouvir.

Sei que, entre todos os que me ouvem, existem aqueles que nunca verão o homem que existe em meu interior, travando batalhas tão árduas e desgastantes que nem durante toda a minha vida eu conseguiria descrevê-las.

Sei que, como pastor, às vezes é mais cômodo me acomodar à idéias de que já sei tudo e nada mais preciso aprender.

Sei que devo lutar todos os dias e a cada instante, no silêncio da consciência, não apenas para crer, mas para me conservar nas mãos dAquele a quem tenho a pretensão de guiar outras pessoas.

Sei que devo estar atento aos lobos vestidos de pastores, a fim de proteger minhas ovelhas.

Sei que amar é melhor do que odiar. Porém, é o caminho mais difícil.

Sei que o reduto onde acabam o pensamento e a capacidade de raciocinar é o canto do dogma e da resposta rápida de quem apenas memoriza sem pensar.

Sei que fui chamado a pastorear não apenas os que me agradam. Isso faz com que minha tarefa seja um fardo difícil de levar.

Sei que me levantar em defesa do fraco e do perseguido é infinitamente mais difícil do que a cumplicidade do silêncio.

Sei que é mais simples nos deixar enganar pelo aplauso, do que dar crédito à crítica honesta do amigo que entende que não somos mais do que humanos.

Sei que a repetição constante dos mesmos conceitos, sem pergunta, diálogo e análise, leva inevitavelmente à apatia e à sensação de não ter nada mais a aprender.

Sei que deverei estar resignado de que nem todos me entenderão, às vezes, até mesmo quando acreditam que já entenderam.

Sei que a vida é enormemente mais difícil do que às vezes fazemos parecer em um sermão.Sei que pregar é mais fácil do que viver.

Sei que, mesmo que dirigir um funeral se torne rotina, não posso evitar o estremecimento de entender que a vida tem fim, e existe a possibilidade de que, em algum momento, outro pastor esteja dizendo as mesmas palavra a meu respeito.

Sei que a teoria é diferente da prática, mas, sem teoria, não há prática que resista.

Sei que carrego sobre meus ombros mais segredos do que gostaria e mais do que desejaria enfrentar conscientemente. Talvez, por isso, me recolho freqüentemente à solidão silenciosa das letras.

Sei que estou ligado a uma forma de vida que inevitavelmente me obriga a ser ponto de referência.

Sei quão difícil é me saber imperfeito, ainda que, em mais de uma ocasião, seja obrigado a crer que devo viver como se não o fosse.

Sei que o pastorado não é carreira, nem profissão, nem trabalho, mas um chamado constante a escutar a voz silenciosa de Deus e fazê-la ecoar, a fim de que outros também possam ouvi-la.

Sei que quando a dor e o erro me arrastarem, necessitarei de outro pastor para me dizer o que digo hoje.

Sei que, um dia, verei a face de Jesus, e terei de reconhecer que muitas das minhas convicções simplesmente foram apenas vislumbres da verdade.

Revista Ministério, set./out. 2006, p. 23.

terça-feira, 31 de março de 2009

Reflexões sobre Mateus 5:3

A palavra de Deus é um tesouro infindável de verdades e refrigérios vindos diretamente do trono celestial. Mesmo “sem querer,” você acaba descobrindo gemas de valor inestimável.

Preparando minhas aulas de monitoria para a disciplina de Grego I, me deparei com o estudo de uma das bem aventuranças, conforme o registro de Mateus, em especial a primeira (Mateus 5:3): “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Almeida Revista e Atualizada - ARA). Com pouca variação, a Almeida Revista e Corrigida (ARC) diz: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus.” Em grego, o texto assim versa: “Μακάριοι οἱ πτωχοί τῷ πνεύματι, ὅτι αὐτῶν ἐστιν ἡ βασιλέια τῶν ουρανῶν” (Makarioi hoi ptōchoipneumati, hoti autōn estin hē basiléia tōn ouranōn). Para entendermos melhor este verso, vamos analisar cada palavra e/ou expressão, com o objetivo de entender melhor o quadro completo dessa única bem-aventurança e ver o quanto podemos extrair de um único “dito” (λόγιον) do Senhor.

Felizes

A palavra traduzida por bem-aventurados é μακάριοι que significa, literalmente, felizes ou alegres.[1] Muitos comentaristas chamam o Sermão da Montanha como o Discurso da Ética do Reino, ou seja, como os súditos do reino que Cristo estava instaurando na terra deveriam se comportar. Outros, de que esse discurso postula os direitos e deveres do reino celestial.[2] Seja como for, interessante é notar que o objetivo das máximas no discurso ético/proclamação legal de Jesus na montanha é a felicidade do homem. Quase poderíamos entender cada bem-aventurança com a frase: “se você quer ser feliz, então...” Esse é o supremo objetivo das ações de Deus. Seu supremo desejo é trazer felicidade duradoura às suas criaturas.

Pobres

Apesar da ARA traduzir οἱ πτωχοί como “humildes,” o estrito sentido da palavra é “pobre.” Πτοχός é a palavra clássica no Novo Testamento para pobre, destituído de bens, pedinte, miserável.[3] Para termos noção de quão profunda é essa palavra, lembremos a condição de Lázaro na parábola contada por Jesus e registrada em Lucas 16:19-31. Lemos nos versos 20 e 21: “Havia também certo mendigo (πτοχός), chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras.”[4] Talvez, suas chagas se devessem à sua precária condição de vida. Tão miserável era ela, que até as migalhas serviam como alimento se as pudesse conseguir. Esse é o pobre de Mateus 5:3 – o completamente destituído de qualquer coisa material.

No Espírito

Contudo, πτοχός está ligado a outra expressão: τῷ πνεύματι. Tanto a ARA como a ARC traduzem a expressão como “de espírito.” Infelizmente, essa tradução não expressa o real sentido do original. Τῷ πνεύματι se encontra no dativo singular. Segundo Rega e Bergmann, a forma do caso dativo pode expressar o caso instrumental e o caso locativo.[5] Em outras palavras, a expressão pode ser traduzida como “para o espírito” (dativo), “com o espírito” (instrumental), ou “no espírito,” mas não como “de espírito,” o que configuraria o caso genitivo. Dentre estas três opções, a que melhor se encaixa é o dativo locativo (“no espírito”).[6] Para ser mais exato, este é um dativo de referência onde a expressão no dativo “é usad[a] para modificar um substantivo por relacioná-lo a algum outro.”[7]

A primeira lição no estudo da expressão “felizes os pobres no espírito” é que não são felizes “os pobres de espírito.” Quando falamos de uma pessoa “pobre de espírito,” falamos de uma pessoa sem ideais, sem nobreza, sem conteúdo, que se contenta com pouco, que se faz de vítima. Esse não é o tipo de pessoa que é feliz. Felizes são os pobres “no espírito.” Mas, que espírito?

Existem 19 ocorrências da palavra espírito (πνεύμα, -ατος, τό) no livro de Mateus. Normalmente, quando o evangelista fala sobre o Espírito Santo, ele qualifica espírito com o adjetivo ἄγιος (hagios), “santo” (1:18; 1:20; 3:11;12:32). Se não o faz, ou usa a expressão θεοῦ (theou), “de deus” (3:16; 12:28; 28:19) ou πατρός (patros), “do pai” (10:20). Noutras vezes, a referência ao Espírito Santo é feita apenas pela palavra espírito, mas ou contexto indica que é dele que se fala (4:1; 12:31) ou Mateus faz uma citação do Antigo Testamento, onde a referência ao Espírito Santo é clara (12:18).

Mateus também faz referência aos “espíritos” de demônios. Para qualificar tal espírito, ele usa o adjetivo ακάθαρτός (akarthatos), “imundos” (10:1; 12:43). A palavra “espírito” sozinha para indicar os demônios aparece em Mateus 8:16 e 12:45, onde a indicação é clara pelo contexto.

Sobraram três referências com a palavra “espírito”. Em Mateus 26:41 diz: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (ARA). Aqui, em sua exortação para que os discípulos permaneçam com Ele em oração durante a agonia do Getsêmani, Jesus fala sobre os discípulos em termos de “espírito” e “carne,” expressões tais que ecoam a discussão de Paulo em Romanos 7:15-8:6. Assim, “espírito” nessa passagem significa a mente, o homem interior.

Em Mateus 27:50, é-nos dito que Jesus entregou o “espírito,” falando sobre sua morte vicária em nosso favor. “Entregar o espírito” pode significar tanto “expirou,” lembrando o conceito hebraico com relação ao estado dos mortos (cf. Salmo 146:4) como “entregou a vida.” Assim, “espírito” aqui se refere a pessoa de Jesus, assim como Mateus 26:41 se refere às “pessoas” dos discípulos.

A última referência à palavra “espírito” é a bem-aventurança de Mateus 5:3. Levando em conta o estudo que até aqui fizemos, vemos que Mateus usa a palavra “espírito” de três maneiras: a) para se referir ao Espírito Santo; b) para se referir aos demônios; e c) para se referir às pessoas. Em Mateus 5:3, a expressão οἱ πτωχοί τῷ πνεύματι significa, portanto, aqueles que são pobres em si mesmos, que não vêem a própria pessoa como rica, mas sim como miserável. Em outras palavras, uma pessoa humilde,[8] vazia de si mesma, disposta a ouvir e aprender. Esse tipo de pessoa, não os medíocres (“pobres de espírito”), é que são felizes.

Reino dos Céus

O conceito de “reino dos céus” ou “reino de Deus” é recorrente dentro do evangelho de Mateus. Devido ao espaço e ao escopo desse post, não discutirei toda a teologia mateana sobre esse tema. Contudo, gostaria de fazer uma ou outra consideração sobre a expressão em si.

“Reino dos céus” é a tradução de ἡ βασιλέια τῶν ουρανῶν, que aparece na última parte de Mateus 5:3. O reino (ἡ βασιλέια) está no nominativo. Mas em seguida, temos uma expressão no genitivo plural (τῶν ουρανῶν), “dos céus.” Os casos genitivo e o ablativo têm a mesma forma, contudo funções distintas. O genitivo, primariamente, descreve o substantivo no nominativo. Já o ablativo indica a origem, a procedência. Assim, a expressão “reino dos céus” significa: a) o reino celeste, cuja a qualidade é celeste, ou seja, superior, não terrena; e b) o reino que vem dos céus, que procede dele.

Conclusão

Juntando tudo o que vimos em nosso estudo temos: felizes são os humildes, os vazios de si mesmos, pois destes é o reino superior que Jesus instaurou durante seu ministério terrestre e um dia, em Sua vinda, o reino celeste que Ele trará quando puser fim ao pecado. Àqueles que sentem sua própria necessidade, sua própria indignidade, sua pobreza espiritual, esses são felizes, pois entram no reino da graça, onde Cristo é rei em seus corações, e se preparam dia a dia para em breve se tornarem súditos (em todos os sentidos da palavra) naquele reino que nos está preparado “desde a fundação do mundo” (Mateus 35:34).

“Este reino não é, como esperavam os ouvintes de Cristo, um domínio temporal e terreno. Cristo estava a abrir aos homens o reino espiritual de Seu amor, Sua graça, Sua justiça. A insígnia do reino do Messias distingue-se pela imagem do Filho do homem. Seus súditos são os humildes de espírito, os mansos, os perseguidos por causa da justiça. Deles é o reino dos Céus. [...] Todos os que têm a intuição de sua profunda pobreza de alma e vêem que em si mesmos nada possuem de bom, encontrarão justiça e força olhando a Jesus.”[9]

[1] James Strong, Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005), H8679; Johannes P. Louw e Eugene Albert Nida, Greek-English Lexicon of the New Testament: Based on Semantic Domains, 2nd ed. (New York: United Bible Societies, 1996), 2:155.

[2] The Seventh-day Adventist Bible Commentary, ed. Francis D. Nichol (Hagerstown: Review and Herald Publishing Association, 1978), 5:324.

[3] Spiros Zodhiates, The Complete Word Study Dictionary: New Testament (Chattanooga, TN: AMG Publishers, 1993), G4434.

[4] Grifo acrescentado.

[5] Lourenço Stelio Rega e Johannes Bergmann, Noções do Grego Bíblico: Gramática Fundamental (São Paulo: Vida Nova, 2004), 67-70.

[6] William Sanford Lasor, Gramática Sintática do Grego do Novo Testamento, trad. Rubens Paes, 2 ed. (São Paulo: Vida Nova, 2002), 97.

[7] Ibid., 97 e 98.

[8] Apesar de a ARA traduzir o verso como “humildes de espírito,” isso não reflete o termo original. A expressão toda (“pobres no espírito”) é que pode ter a equivalência de “humildes,” não a palavra isolada.

[9] Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, trad. Isolina A. Waldvogel, 15 ed. (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2008), 8.

domingo, 22 de março de 2009

Excerto sobre Jóias

De vez em quando, como cristãos, nos deparamos com o assunto do uso de jóias e adornos. Nos últimos dias, tenho visto algumas discussões na internet, mesmo em meio aos cristãos adventistas. Posto aqui uma tradução livre de alguns parágrafos do Handbook of Seventh-Day Adventist Theology [Manual de Teologia Adventista do Sétimo Dia] sobre a questão do uso de jóias por parte dos cristãos. Esse excerto faz parte do capítulo intitulado Christian Lifestyle and Behavior [Estilo de Vida e Comportamento Cristãos], escrito por Miroslav M. Kiš, que na época da publicação era professor de ética na Andrews University. Penso que eles resumem bem a conclusão que sustento hoje sobre o assunto e espero que ajude a um melhor entendimento da posição cristã adventista sobre o assunto.

 

2. Questões em Padrões de Adorno

a. Jóias. A posição cristã sobre ornamentação pessoal é um assunto particular. Enquanto muitos cristãos hoje vêem pouca ou nenhuma objeção no uso de jóias, a instrução bíblica afasta-se dessa prática.

(1) Princípios gerais. Muitos princípios cristãos que governam a decisão do cristão quanto à ornamentação pessoal já foram mencionados. Aqueles que governam a responsabilidade social – negação do eu, identificação, e sacrifício [...] –  assim como aqueles relacionados a mordomia cristã [...]. De primeira importância são os princípios que governam em questão de aparência [...]. Um cristão deve viver uma vida simples, livre de ostentação, gasto desnecessário, e qualquer espírito de competição. Em meio a uma sociedade que coloca grande importância para a aparência exterior, o cristão deve cultivar o que Pedro chama de ‘incorruptível trajo de um espírito manso e tranqüilo’ (1 Pedro 3:4).

“A auto-estima de um cristão tem sua origem no fato de que os seres humanos foram criados à imagem de Deus (Gênesis 1:26, 27). Eles não precisam depender dos embelezamentos exteriores para serem dignos. No Salmo 8:4–9 Davi atribui sua auto-estima à Criação. Deus tem dado a cada ser humano dons e talentos únicos (Mateus 25:14–29). Mas no fim, e mais importante, todos os seres humanos são preciosos porque todos foram comprados por alto preço, maior do que metal e pedras preciosas (1 Coríntios 6:20). Dado que somos de tão inestimável valor que o Filho de Deus entregou Sua vida por nós, ornamentação exterior não pode somar à nossa dignidade pessoal.

(2) Modelos normativos. Alguns declaram quem em passagens como Salmo 45:9; Isaias 61:10; Ezequiel 16:11–13; e Apocalipse 21:2, adorno e jóias são aceitos como normas bíblicas, e que injunções como 1 Timóteo 2:9 e 1 Peter 3:3, 4 devem ser consideradas excepcionais. Essa contensão precisa ser explorada.

“Num esforço para entender o uso de adorno na Bíblia, devemos manter em mente as várias formas de adorno e os diferentes propósitos e intenções que motivaram seu uso. A beleza das vestimentas do sumo sacerdote eram pesadamente adornadas e usavam ouro e pedras preciosas. Doze jóias em seu peitoral, por exemplo, simbolizavam as doze tribos de Israel, e duas pedras sobre seus ombros comunicavam a aprovação ou desaprovação de Deus. Um estudo cuidadoso de sua tiara confirma que propósitos simbólicos e litúrgicos tomaram precedência sobre a estética (Êxodo 28).

“O adorno da noiva na Bíblia inclui jóias e metais preciosos. Ser bela ao seu noivo era o maior propósito dessa ornamentação. Não era tanto uma exibição de riquezas ou um pretexto para atrair a atenção de outros homens, mas uma tentativa de ser agradável ao amado. Assim a Nova Jerusalém em Apocalipse 21:2 é ‘adornada para seu esposo.’ Esse tipo de embelezamento é diferente em espírito e intenção do adorno moderno com ouro e jóias.

“Em Ezequiel 16:11–13, Deus mesmo adorna a jovem mulher. Muitos comentaristas nos lembram que a Escritura usa as formas de pensamento e imagens de seu tempo para ilustrar um ponto ou ensinar uma importante verdade, mesmo quando essa imagem possa não ser digna de imitação ou compatível para ser aplicada por seu valor aparente (veja Oséias 1:2, 3; Lucas 16:19–31). Além disso, toda a cena é uma metáfora. A criança que sob o cuidado de Deus cresce para ser uma linda noiva representa Israel, Seu povo, tal qual a noiva de Apocalipse está para a Nova Jerusalém, Sua igreja. Se a pessoa é simbólica, o adorno e as jóias carregam significado simbólico também. A parábola representa o milagre da redenção  pela qual a feiúra do pecado e a desfiguração de nosso caráter caído é redimido. Somos vestidos com linho fino (Apocalipse 19:8) e adornados com o que é precioso aos olhos de Deus, o ouro de Apocalipse 3:18.

“Enquanto é verdade que a Bíblia reporta várias referências do uso de jóias nas quais não parece haver condenação (Rebeca em Gênesis 24:30; José em Gênesis 41:42; e o filho pródigo em Lucas 15:22), o uso de jóias também é associado com mulheres ímpias (Jezabel em 2 Reis 9:30; as filhas rebeldes de Israel em Isaias 3:16–24; e a prostituta de Apocalispe 17:4). Além disso, em duas claras referências, as jóias são removidas em tempo de renovação espiritual (veja Gênesis 35:2, 4; Êxodo 33:5, 6). Certamente o conselho inspirado por Pedro é válido: ‘Não seja o adorno . . . o que é exterior . . . seja, porém, . . .o incorruptível trajo de um espírito manso e tranqüilo’ (1 Pedro 3:3, 4).

(3) Argumento Adventista do Sétimo Dia. Os adventistas do sétimo dia se abstém da exibição de jóias porque: Cremos no Deus Criador, que cuida de Sua criação e é digno de nossa confiança. Sustentamos que nossa missão é demonstrar nossa total dependência dEle e que a menor dependência das valiosas possessões de ornamentos perecíveis comprometeriam nosso testemunho (Mateus 6:19–21, 25, 26). Somos discípulos do humilde e modesto Mestre. Somos felizes por ser como nosso Mestre em humildade e simplicidade (João 15:18–20). Valorizamos a beleza interior e lutamos para resistir a manipulação da propaganda e a influência de nossa sociedade. Nos preocupamos com as necessidades dos outros, crianças sem cuidados ideais, idosos sem ninguém para amá-los e sustentá-los. Essa preocupação demanda simplicidade de vida (Mateus. 25:31–46). ‘O alcance global da igreja clama por mais e mais fundos. Como seguidores de Jesus, devemos fazer o que podemos onde estamos (Johnsson 10).’” [1]

[1] Raoul Dederen (ed), Handbook of Seventh-Day Adventist Theology (Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing Association, 2001), 707 e 708.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Indicação de Livro: Teologia para Amadores

Bibliografia: Mcgrath, Alister. Teologia para Amadores. Traduzido por Rachel Vieira Belo de Azevedo. São Paulo, SP: Mundo Cristão, 2008.

Sinopse: “Se todos os cristãos fazem teologia’, por que poucos a compreendem?
“A extensão e a profundidade da teologia podem assustar aqueles que não são do “ramo”, aqueles que não se dedicam a embrenhar-se no vasto campo teológico. Por isso, Alister McGrath, que é do “ramo” e considerado um dos maiores teólogos da atualidade, decidiu aventurar-se numa tarefa ainda mais difícil: falar com simplicidade do saber teológico.
“Em Teologia para amadores, McGrath mostra por que é um dos teólogos mais lidos do planeta. Por saber tratar as coisas de Deus com naturalidade singular, nosso professor de Oxford cativa o leitor menos habituado às infindáveis questões teológicas por sua paixão e seu deslumbramento com o Criador, e seu exemplar didatismo. Antes ateu, Alister apresenta a teologia partindo do princípio de que você a desconhece.
“Se você já tentou entender e não conseguiu, recomece. Você está em boa companhia” (Fonte: Mundo Cristão).

Comentário: O livro possui 69 páginas: uma “sentada” e ele está lido. Sua linguagem é muito acessível e gostosa de ler. Os primeiros cinco capítulos mostram o papel da teologia e como ela amplia e/ou resume os grandes temas da fé cristã. Além disso, mostra como a teologia ajuda em que sejamos mais profundos em nossas convicções e práticas. O restante dos capítulos trata de como a teologia lida com grandes doutrinas do cristianismo, como a Trindade, a Criação, a natureza de Jesus, entre outros. E o último capítulo encerra com um apelo para que não nos esqueçamos que a teologia precisa ajudar a espiritualidade e não atrapalhá-la.

É um excelente livro de iniciação à teologia. Conforme o próprio autor, seu interesse não era dar bases amplas para as grandes questões doutrinárias do cristianismo, mas mostrar que a teologia é uma área que pode e deve ser compreendida por todos e que, como disciplina, ela auxilia no aprofundamento e melhor entendimento da fé. O melhor capítulo é o último sobre a relação entre teologia e espiritualidade. Muitos pensam que a teologia torna a fé árida, mas McGrath mostra o contrário: ela deve regar a fé. Em suma, é um alerta, penso que principalmente para os teólogos e estudantes de teologia, a não dissociarem a espiritualidade dos estudos teológicos. Eles devem estar de mãos dadas, fortalecendo e explicando a maravilhosa fé no Deus Salvador, Jesus Cristo.

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